O ambiente era de cortar à tesoura. A multidão aglomerava-se, ansiosa e arfante, na tentativa de serem os primeiros a presenciarem o salvamento mais espectacular de todos os tempos. Após horas ou mesmo minutos de escavações, as equipas de resgate tinham finalmente conseguido localizar o único sobrevivente do 4º Encontro Mundial de Campeões Aerofágicos.
Aparentemente a conjugação de uma grande acumulação de gases pesados e o acender irreflectido de um isqueiro provocou a implosão do edifício, sendo que antes do cheiro se dissipar ninguém se atreveu a aproximar do local, ainda mais que nessa altura decorria a última jornada do Campeonato de Berlinde de Ranholas.
A expectativa era imensa, as unhas eram ingeridas aos quilos, os cabelos eram arrancados às mãos-cheias, as pupilas dilatadas tentavam ser as primeiras a captar o momento do salvamento. Sorrisos apenas se viam na cara dos vendedores de tremoços e amendoins, que numa única tarde já tinham amealhado o suficiente para a excursão anual ao Brasil.
E eis que, do meio dos escombros, mais vivo que morto, surge o sobrevivente. Ouve-se um BRUÁÁÁÁ! Imediatamente todas as câmaras o focaram e todos os microfones se precipitaram na sua direcção, havendo mesmo um que lhe entrou pela narina esquerda adentro, tal a ânsia de obter as primeiras declarações. A muito custo, e após 8 minutos a expelir ruidosamente a poeira dos pulmões e a remover o microfone do nariz, o sobrevivente exclamou:
- Alguém me sabe... dizer... onde é o WC? É que tenho cá uma mijaneira...
Director: CORTA!!!! Ó meu grande imbecil, tu percebes o que acabaste de fazer?
Sobrevivente: Mas, papá, eu estou mesmo à rasquinha...
Director: Ó minha amostra de actor, de que sarjeta é que tu rastejaste para insistires em fecundar este filme promocional?!? No primeiro take pediste uma sandocha, no segundo perguntaste quem tinha ganho o campeonato, e agora isto?!?
“O que me manteve vivo foi querer ler o livro do Rafeiro Perfumado”!!! Uma simples frase! É assim tão complicado?!? E não te atrevas a chamar-me de “papá”! Malfadado o dia em que a televisão se avariou e a tua mãe se debruçou para apanhar o comando do chão!
Sobrevivente: Pronto, eu prometo que da próxima digo bem, paizinho!
Director: Qual foi a parte de não me tratares por “paizinho” que não percebeste? E não há próxima vez, o orçamento estoirou, de tanto te enterrar e desenterrar! Sabes a quanto os vendedores de amendoins e os bombeiros levam à hora?!? Agora ninguém vai ficar a saber que o lançamento do livro do Rafeiro Perfumado vai ser feito no dia 23 de Junho, às 17:32, na FNAC do Colombo!
Sobrevivente: Que chato, mas será que não podíamos simular isto em computador, ou coisa do género? É que desta última vez até esfolei um dedo...
Director: Eu digo-te o que é que eu esfolo. Chega lá aqui, filhinho...
E foi assim que uma campanha promocional que se antevia brilhante foi pelo gás acima. Excluídas que estão a TV, a Imprensa e a Rádio, restam-me as portas dos WC públicos e este canal para vos comunicar o lançamento do livro comemorativo dos primeiros 372 dias de existência do Rafeiro Perfumado.
Mas antes de falar nisso, gostaria de desafiar todos os frequentadores deste espaço (finalmente é a minha vez de vos desafiar!) a virem beber um café na FNAC do Colombo. Consta que o café é particularmente saboroso a partir das 17:32, altura em que há rumores (ainda não comprovados) de algumas funcionárias exibirem decotes mais generosos e alguns dos funcionários exibirem calças rasgadas ao nível das nádegas (não que me interesse, mas tem de se agradar a todos,né?).
A degustação do café assume contornos quase nirvanicos na salinha mesmo ao lado, onde às vezes fazem apresentações de livros e tretas do género. Lamentavelmente, não sei se poderei estar presente, uma vez que os Centros Comerciais continuam com as suas políticas anti-caninas, mas andará por lá o meu dono, que é quase tão bonito e simpático como eu. Depois contem-me como foi, ok?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: faltou um pormenor fundamental. O "fácio" é da autoria do
Voyeur e o "posfácio" da autoria do
EU. Aos dois o meu profundo agradecimento por terem aceite associarem-se a este projecto. E não, ainda não podem descontar o cheque!