
Mesmo correndo o risco de passar por um daqueles reformados que não tem mais nada para fazer na vida além de ver os pêlos do nariz crescerem e reclamar por tudo e por nada, a mais recente vaga de anúncios que surgiu no panorama trágico-cómico português anda a mexer-me com os nervos, pelo que tenho de desabafar, sob risco de ainda espancar alguém!
Exemplo 1: Campanha Portugal Telecom
Mostra os Gato Fedorento a fazerem partidas ao telefone, provando o quanto divertido pode ser telefonar para desconhecidos e gozar com o nome deles. Numa altura em que tanto se fala das chamadas falsas para o 112, não há dúvida que o sentido de oportunidade foi excelente, e certamente existirão muitas criancinhas a sentirem-se tentadas também elas a darem um ar da sua graça.
Exemplo 2: Campanha Vodafone Dia de São Valentim
Por ocasião do Dia dos Namorados, data só por si estúpida que nem uma porta, a Vodafone incentivou as pessoas a declararem o seu amor, sendo que muitas dessas declarações apareciam sob a forma de graffiti. É que eu gosto mesmo de ver escarrapachado na parede do meu prédio que o Zé Pintas curte bué a Etelvina, acho fofo, o que é que querem. Mas gostaria de saber se a Vodafone também acharia romântico uns belos gatafunhos desenhados a rosa choque na porta da sua sede, mesmo sendo qualquer coisa do género “I LOVE VODAFONE”.
Exemplo 3: Montepio Geral
Esta respeitável instituição afirma que os seus clientes são donos do Banco. Sendo assim, será que se eu entrar numa agência e quiser levar um computador para casa eles deixam? E se eu entrar no cofre para levar uns saquitos de dinheiro? Chamarão a polícia ou dar-me-ão uma mãozinha, para enfiar tudo na bagageira do táxi? No fundo, guardar no Banco ou lá em casa é o mesmo, certo?
Exemplo 4: BANIF
Para além de nos transmitirem a ideia que acreditam na existência de centauros (facto só por si inquietante, caso alguém decida confiar-lhes as poupanças duma vida), não ficam com a sensação que se por acaso alguém entrar numa agência com um boi se arrisca a sair de lá transformado num Minotauro? Acho que é isto que acontece quando o orçamento publicitário é avarento no que toca a remunerar os criativos...
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: um pormenor em relação ao centauro do BANIF. Será que a posição de braços que ele tem, a fazer lembrar um culturista, tem a ver com o facto de não ter bolsos onde meter as mãos?
PS2: ainda não foi desta que ganhei coragem para falar dos porcos da Cofidis, isto é, a publicidade envolvendo cenas românticas com suínos. É que material tão estúpido, que degrada tanto o ser humano, ao ponto de o mostrar a ir para a praia com um mealheiro de barro só para ter um crédito pessoal, é revelador duma grande tristeza. E eu não me sinto bem a gozar com quem é triste...