Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Expressões estranhas, para não dizer estúpidas – No cu de Judas


Qual é a tua opinião sobre o cu de Judas? A expressão, ó tarado!

Este texto, tão lindo que dá vontade de chorar, pode ser encontrado no livro
Rafeiro Perfumado - Are you ladraiting to me?!?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Cuidado, é confidencial!


Quem é que ainda não recebeu um e-mail com um rodapé avisando que o mesmo é absolutamente confidencial, sendo que a sua divulgação não autorizada pode trazer consequências desastrosas, como o aquecimento regional, o arquivamento do processo Casa Pia ou mesmo a eleição do Paulo Portas para o cargo de primeiro ministro de Portugal?

Acho que deveriam ser um bocadinho menos dramáticos com os avisos que colocam, nomeadamente aquele em que referem que a mensagem se dirige apenas ao destinatário, não podendo ser lida por mais ninguém. Bem, se eu não ler, como é que sei se é para mim? E se a recebi, isso faz de mim o destinatário, não? Tivessem mas é cuidado ao digitar o endereço!

O problema é que tenho a certeza que nem todos são como eu, que evacua no assunto e se borrifa para os avisos. Deve haver por aí muita gentinha que quando recebe estes e-mails pensa imediatamente nos filmes de espionagem que já viram, e levam os avisos muito a sério. Acredito que muitos até imprimem a mensagem, apagam o e-mail, formatam o disco, destroem a impressora, matam os colegas existentes num perímetro de 12 metros, decoram a mensagem e depois comem-na, tendo o cuidado final de vigiar o que lhes sai da peidola nas três semanas seguintes (não vá a mensagem vir decalcada nalgum amiguito), evitando também fazer raio-X nesse período. E se nunca ouviram falar de casos destes, isso só prova o quanto a sério estes fanáticos da confidencialidade levam o seu trabalho!

Vá, parem lá com a paranóia dos e-mails confidenciais. Afinal, alguma vantagem temos de ter pelo facto de não termos segredos no nosso país que valham a pena serem roubados. Até os de Fátima já foram desvendados e tudo!

Por outro lado, há quem também requisite um “recibo” para comprovar que o destinatário recebeu o e-mail ou mesmo que o leu. Não acham que isso é ser demasiado profissional? Como é que querem que depois a malta possa dizer “E-mail? Não, não recebi nada, mas também o servidor tem andado com alguns problemas”. Enviar e-mails com este tipo de exigência é colocar um nível de pressão incomportável no destinatário, quase que exigindo que este dedique alguma atenção ao conteúdo, ainda mais quando se trata de trabalho. Acham mesmo que isso é adequado à nossa cultura empresarial? E depois onde é que se ia buscar tempo para responder às mensagens dos santinhos e dos desgraçadinhos, que já circulam pelo mundo há não sei quantos anos, mesmo antes de haver internet? É que antes deixar um cliente pendurado do que correr o risco de ter 27 anos de azar ao amor, por quebrar alguma corrente!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ai Jesus credo nosso Senhor!


É sabido que os portugueses gostam de assistir a desgraças, ou não fosse o fado a nossa canção nacional e o Benfica o clube com mais adeptos. É haver alguém com a unhaca encravada e estão logo dois ou quatro mirones a observar a angústia alheia. Dá-se um acidente automóvel, onde quer que seja, e toca de encostar o carro, muitas vezes impedindo o resto do trânsito, para poder ver melhor. E quem é que nunca ouviu a frase “Ai que horror, mas porque é que eu fui olhar”? OLHASTE PORQUE QUISESTE, MINHA BESTA! AGORA VOLTA LÁ PARA O TEU CARRINHO E DESAMPARA A LOJA QUE ESTÁS A IMPEDIR A AMBULÂNCIA E OS BOMBEIROS DE CHEGAREM AQUI!!!

O talento dos portugueses para farejar desastres é de tal ordem que, quando há terramotos ou catástrofes do género, acho que as equipas de salvamento deveriam substituir os cães de busca por este género de mirones. O pior é que quando encontrassem sobreviventes em vez de os ajudarem ainda lhes tiravam fotografias, enquanto diziam”Epá, isso está mesmo mal. Essa viga em cima do aparelho reprodutor deve pesar como o catano!” ou mesmo “já agora vire-se lá para mim, para eu captar melhor o seu esgar de dor. Não desmaie, pá, colabore comigo, que a Maria vai adorar ver isto”.

Dentro deste género, existe uma subespécie curiosa, os que se benzem quando passam ou vêem passar um carro acidentado. No outro dia deram uma traulitada no carro do meu pai, que não o impediu de continuar a circular, deu-lhe só um aspecto menos aerodinâmico. À terceira benzidela que vimos ser dada na nossa direcção, parámos apressadamente o carro e precipitámo-nos para o exterior. Mas não, não havia ninguém agarrado ao pára-choques, era mesmo só a carroçaria amolgada. Só ainda não percebi bem é se o pessoal que faz aquele gesto se está verdadeiramente a benzer ou à procura do telemóvel para comentar com os amigos o que acabaram de ver… podia desenvolver mais isto, mas ouvi um estrondo lá fora e vou ver o que se passa!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma? O catano, vê-se logo que quem disse isto não conhecia as Companhias de Aviação!

Com tanta tecnologia, como é que se explica que tantas malas sejam diariamente perdidas nos aeroportos?

Este texto, tão lindo que dá vontade de chorar, pode ser encontrado no livro
Rafeiro Perfumado - Are you ladraiting to me?!?

Minha Pátria É a Língua Portuguesa


MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA
CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

(Ao abrigo do disposto nos Artigos n.os 52.º da Constituição da República Portuguesa, 247.º a 249.º do Regimento da Assembleia da República, 1.º n.º. 1, 2.º n.º 1, 4.º, 5.º, 6.º e seguintes da Lei que regula o exercício do Direito de Petição)

Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro

1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História.
Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.

2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado) e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia.
Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Doutor Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.

3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em "acordos" mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.
O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.

4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.
É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes "mudas" – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.
Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.
A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).
Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.

Os signatários,
Ana Isabel Buescu
António Emiliano
António Lobo Xavier
Eduardo Lourenço
Helena Buescu
Jorge Morais Barbosa
José Pacheco Pereira
José da Silva Peneda
Laura Bulger
Luís Fagundes Duarte
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Paulo Teixeira Pinto
Raul Miguel Rosado Fernandes
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva
Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho
Zita Seabra
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Espero e acredito sinceramente que esta não será apenas mais uma iniciativa contra o Acordo Ortográfico, mas sim a iniciativa que irá conseguir reunir apoios suficientes para dar uma prova definitiva de como existe um sentimento generalizado contra esta mudança que nos querem impor. Mais do que uma simples contestação, é a defesa da nossa identidade que nos move, e quando assim é, haverá causa mais nobre?

Poderão juntar a vossa voz a esta causa em Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico, pois todos não seremos de mais.