
Um destes dias tive um sonho bastante intenso, apesar de não envolver a Nicole Kidman. Sonhei que, cansado de ver os problemas da minha terra e das suas gentes, tinha resolvido sair da inércia e fazer efectivamente alguma coisa, tendo para isso decidido candidatar-me ao lugar de deputado. Apesar da aparente incoerência entre o desejo e a acção, o sonho foi nesse sentido.
Teve então lugar a campanha eleitoral, onde tive oportunidade de expor as minhas ideias para a região e a forma como me propunha concretizá-las. Claro que pelo meio não faltaram as tradicionais visitas aos mercados, os beijos às velhotas, as festas às criancinhas e os bacalhaus e abraços viris aos homens de bigode e fralda por fora. Vieram então as eleições propriamente ditas onde, sem surpresa, recebi o voto de confiança de quem acreditou em mim, incumbindo-me dessa forma de cumprir as promessas feitas.
Chegado ao poder (o sonho foi grande como o caraças) meti mãos à obra, propondo alterações legislativas, investindo em infra-estruturas para a região, procurando no fundo criar condições de vida condignas para a população a meu cargo.
Estava eu em plena cerimónia de inauguração de mais uma creche gratuita, e já preparado para reabrir as Urgências lá do sítio, quando acordei sobressaltado. O sonho tinha sido tão intenso que até tinha dado uma tesourada no lençol, como se estivesse mesmo a presidir a algum acto solene. E foi então que me questionei se seriam estes os princípios que norteariam a acção dos nossos deputados…
O ataque de riso que se seguiu foi tão forte que devo ter acordado os vizinhos num raio de 3 quilómetros e só não me deu uma coisinha má porque a minha jove me pregou dois estalos!
Rafeiro, rafeiro, és tão ingénuo. Vê se cresces, rapaz!
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: para terem bem a noção do quanto realista foi o sonho, até parece que senti na cara os piquinhos provocados pelas beijocas das velhotas com buço. Até tremo só de pensar o que possa ter provocado realmente essa sensação...