
Nenhuns relatos são tão aborrecidos como os das praxes sofridas pelos caloiros, talvez com as honrosas excepções das histórias passadas na tropa ou o visionamento dos filmes de ecografias de bebés ou casamentos que não os nossos. Mas adiante, porque é que serão os relatos praxatórios tão aborrecidos? Essencialmente por dois motivos, e neste aspecto vou falar muuuuuuuito devagar, fixando directamente os olhos de algum caloiro que possa andar por aqui:
1º Tu, caloiro, tecnicamente (ainda) não és uma pessoa
2º Ninguém que não esteja directamente envolvido no processo está minimamente interessado em saber que tipo de brincadeiras te possam ter feito, e mesmo que façam uma cara convincente, acredita, estão a mentir e a contar os segundos para se pirarem ou a rezarem para que o telemóvel toque!
Claro que, ciclicamente, se ouvem diversos relatos destes, mesmo contra vontade, pois são feitos no comboio, a plenos pulmões, pelo que não se conseguem evitar, nem mesmo metendo o MP3 no máximo.
Uma destas vezes, em que a bateria do dito acabou, não me restou outra alternativa, bem como aos restantes passageiros, que não prestar atenção a duas caloiras que se tentavam convencer mutuamente que a sua praxe tinha sido a mais imaginativa e, consequentemente, tinham sido mais humilhadas. Curioso o facto de ambas, apesar de salientarem a vergonha das acções praticadas, nitidamente retirarem prazer e mesmo um certo orgulho por tudo o que passaram. Mas não vou explorar essa faceta dos caloiros, porque isso iria levar-nos a discussões sobre o que são praxes, sobre o que são excessos e, sinceramente, estou-me a borrifar para isso.
Deixo aqui apenas um excerto da troca de galhardetes entre as caloiras, que a certa altura era seguida pela população do comboio como se de um jogo de ténis se tratasse:
Caloira 1: Ai, se tu visses. Meteram-me graxa nas bochechas!
Caloira 2: Então e a mim? Fizeram-me andar com umas orelhas de burro, passei cá uma destas vergonhas!
Caloira 1: Ai é? Pois a mim fizeram-me usar a roupa interior por cima da outra roupa!
Caloira 2: Isso não é nada. Fizeram-me chupar um preservativo cheio de iogurte, no anfiteatro. Corei tanto!
Caloira 1: Pffff... Então e eu, que tive de participar num concurso de Miss T-shirt molhada? E olha que a água estava bem fria!
Caloira 2: Ai é, ai é? Eu tive de fazer sexo com todos os veteranos da faculdade! Toma!
Caloira 1: Só isso? Olha, a mim deram-me tanta porrada que me partiram a espinha em três sítios diferentes! E então, tens melhor que isto? Tens, tens?!?
Os passageiros inquietaram-se, especialmente os que tinham apostado na caloira 1. Esta tinha claramente perdido o controlo. “Ó menina, tem a certeza?”, perguntou uma velhota.
Caloira 1: Pronto, está bem. Ganhaste, a tua praxe foi pior que a minha, eu exagerei um bocadinho nesta última parte...
Caloira 2: Eu confesso que também reguei um nadinha, nesse dia tinham faltado três ou quatro veteranos...
Felizmente o duelo acabou nesta altura, é que eu já estava a ficar com uma dor de pescoço do caraças!
Até sempre,
Rafeiro Perfumado