Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Gaijas, pá, os tipos queriam gaijas!

O ambiente nas trincheiras estava terrível. Como se não bastassem os constantes bombardeamentos efectuados pelo inimigo e a chuva contínua que impedia a malta de se bronzear, era notório que os soldados estavam tensos, com a moral em baixo, com pouca fé no seu futuro. Sentia-se que bastaria um traque mais mal-cheiroso e a debandada seria despoletada sem dó nem fá.

Sabedor desta realidade, e sendo um condutor de homens por excelência (fruto da sua larga experiência como motorista da Carris), o General tinha incumbido o seu melhor homem de ir à povoação mais perto, para trazer “algo” que animasse as hostes.

No entanto, o tempo voava e do Cabo Etelvino nem notícias nem nada. As gotas de suor corriam agora pelo pescoço do General, de uma forma abundante e quase contínua, mesclando-se no chão com outros fluidos corporais que deixara entretanto escapar por ocasião de uma explosão mais próxima.

Mesmo tendo sido treinado a não temer o desconhecido e a exercer um completo auto-domínio, aquela expectativa estava a dar cabo de si. Já começava a imaginar formas de espancar o Cabo Etelvino, com requintes de malvadez e umas pitadas de rotice, quando este assomou, ofegante, à porta do bunker. Suspirou profundamente, não sabendo se de alívio se de desilusão, por não poder concretizar a sua fantasia espancatória...

General: Então, Cabo Etelvino, porque raio demoraste tanto tempo?
Cabo Etelvino: Meu General, aquilo lá fora está lixado, é só tiros, bombas e a estrada tinha uns quantos buracos! E ainda tive de dar voltas e mais voltas até encontrar o que me pediu!
General: Pronto, está bem, o que importa é que já cá estás. Mas onde é que estão as gaijas?
Cabo Etelvino: Gaijas, meu General?
General: Sim, pá, então não te mandei buscar umas quantas gaijas à cidade para animar aqui a tropa?!?
Cabo Etelvino: Disse para eu ir buscar algo que animasse a malta, mas não me falou nada sobre meninas...
General (começando a ficar vermelho): Então e o que é que haveria de levantar o ânimo e não só, o jornal A Bola com os últimos resultados do Benfica, não?!?
Cabo Etelvino: Não, meu General, mas sinceramente nunca me passou pela cabeça trazer meninas...
General (bastante vermelho): Agarra-me que eu dou cabo de ti! E então o que trouxeste tu para impedir esta cambada de cobardolas de se pirarem a correr para casa da mamã?!?
Cabo Etelvino: Bem, trouxe uns baralhos de cartas, o mikado, uns manuais de ponto cruz e este livro, que segundo me disse o senhor do quiosque é o novo do Rafeiro Perfumado...
General (já com uma cor engraçadinha): Ah, pronto, já podias ter dito, pá! Venham daí esses ossos, Cabo Etelvino. Cabo? Major Etelvino! Coronel Etelvino! Futuro genro! Filho! Amor da minha vida!

Apesar de eu próprio achar que a opção do Cabo Etelvino não terá sido a mais inteligente, é com muito prazer e mesmo alegria que vos comunico o lançamento do livro Rafeiro Perfumado – Are you ladrating to me?!?.


Qual maratonista correndo pelas estradas de Portugal, estarei presente nos seguintes dias e locais para apresentar esta nova aventura “literária”:

31 de Maio – Lisboa - Bertrand - Av. de Roma - 16H:07M

6 de Junho – Porto - Bertrand - Norte Shopping - 16H:06M

7 de Junho - Coimbra - Bertrand - Dolce Vita - 16H:08M

13 de Junho - Faro - Bertrand - Forum Algarve - 16H:04M

O Rafeiro Perfumado – Are you ladrating to me?!? tem aproximadamente 176 páginas (note-se o crescimento abismal em relação ao primeiro), contando com 81 textos, numa mescla do best of da actividade do blog com 20 textos originais, os quais, com grande pena minha, nunca serão publicados neste espaço.

Caso vos seja possível estarem presentes numa destas apresentações (quem for às quatro ganha um lugar de destaque na minha galeria de ídolos, ali mesmo entre o Zé Colmeia e o avô da Heidi), terei muito prazer em apertar-vos a mão ou dar uma beijoca, tentando respeitar sempre o género, coisa que não garanto dado o estado nervoso em que me devo encontrar. Mesmo sendo conhecedores desse risco, espero sinceramente poder contar com a vossa presença.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lar, doce Lar

Saber viver com outra pessoa é uma arte ao alcance de poucos. Eu continuo sem a dominar, quer a arte quer a jove.

Texto tão brilhante que teve de ser removido para um local mais seguro, mais precisamente o livro Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Expressões estranhas, para não dizer estúpidas – Pregar o olho


Quem é que nunca disse “esta noite não preguei olho por causa da vaca da minha vizinha, era dar-lhe um tiro nos cornos e largá-la à porta do talho, a ver se pelo menos uma vez na vida tinha alguma utilidade, porque com uma língua daquelas alimentava a aldeia de Ranholas por dois meses”?

Fico contente em saber que não fui o único, mas para o objectivo deste poste vamos cingir-nos às cinco primeiras palavras, onde se refere a expressão “pregar o olho”. Por norma, isto é dito por alguém que teve dificuldade ou mesmo impossibilidade em adormecer, facto que é visto como muito grave, nomeadamente em termos de saúde e disposição para os dias que se seguem. Quer então dizer que quem consegue pregar o olho passa a noite descansado, sonhando e babando a almofada, certo? Agora digam-me: tirando os faquires, quem é que consegue dormir com um prego espetado no olho?!? Eu líquidos na travesseira só a minha baba, e mesmo assim tenho de lhe dar umas três voltas por noite para achar um pedacinho ainda seco, agora sangue? E ao acordar, será que a higiene matinal passaria a envolver escova de dentes, máquina de barbear e um arranca pregos?

A ser verdade isto, a indústria farmacêutica sofreria um duro revés, é que em vez das pessoas irem comprar calmantes ou outras tretas para conseguirem dormir, bastava-lhes passar numa loja de ferragens, e tinham o problema resolvido.

E nem vou aprofundar o assunto ao ponto de questionar o tamanho do prego, forma de colocação ou se poderia ou não ser reutilizado, pois tudo me parece entrar no campo do masoquismo! Pregos para dormir só se for na minha vizinha, nariz e boca encostados na almofada e as orelhas pregadas a esta, para impedi-la de gritar. Aí sim, eu dormiria que nem um anjinho, ou teria mesmo o sono dos justos.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado