É sabido e consensual (espero) que a maior parte dos programas televisivos se resume a lixo, com a agravante deste nem poder ser reciclado nem ser orgânico (daquele que permite produzir energia), apesar de muitos dos adjectivos utilizados para o descrever se enquadrarem nesta categoria.
Então quando se chega aos concursos televisivos – salvo honrosas excepções que não divulgarei para não ser etiquetado - aí era mesmo pegar neles e tungas, direitinhos para dentro da incineradora, como se de resíduos tóxicos se tratassem, juntamente com público, apresentadores e concorrentes. Mas isto seria um assunto demasiado extenso para desenvolver aqui, pelo que me vou cingir ao exemplo que mais mexe com os meus nervos, ao ponto de quase desligar a televisão quando ele é exibido.
Falo-vos do “Salve-se quem puder!” que, tenho de admitir, é o único concurso cujo título avisa os telespectadores sobre o que os espera. Aquilo bem espremido, mas mesmo muito bem espremido, acho que não dava material para reconstituir o pescoço do Marco Horácio, pois o formato do programa resume-se a 72 segundos em que os concorrentes tentam evitar ir ao banho e o restante tempo a ouvir as larachas ensaiadas pelos apresentadores. Aquilo sem som nem é mau de todo, pois conta com a presença da Diana Chaves, único motivo que faz com que de vez em quando dispense algum tempo àquele triste espectáculo, em vez de fazer algo mais útil, como atirar almofadas ao gato.
Mas, dentro da miséria do programa, existe algo ainda pior, que tenta humilhar a inteligência (já de si diminuída) de quem assiste ao mesmo. Refiro-me a este jogo, em que se desafia os telespectadores a adivinharem a que opção corresponde a figura.

Eu sei que o negócio televisivo anda mal, e é necessário arranjar fontes alternativas de rendimento, mas aqui estão a ir longe demais. Se querem estimular ainda mais o vício dos portugueses em fazerem chamadas de valor acrescentado, ao menos façam-no sem os insultar, pois as opções apresentadas não passam disso mesmo, um insulto, como que a dizer “vá, se tens inteligência suficiente para ler isto e marcar os números, também deves saber a resposta”. Quem é que tem coragem de ir no dia seguinte para o emprego e gabar-se que acertou na resposta? Será que ocorrem frases como estas?
- Epá, estava mesmo para dizer que era pato, mas depois reparei na tromba e optei por dizer elefante! Sou ou não sou um tipo esperto?!?
- Ontem aquilo do morcego era difícil, pá, não fosse o puto ter dito que tinha a certeza que nem as vacas nem as ovelhas têm asas e acho que tinha de responder ao calhas!
Se é para sacar dinheiro à malta, ao menos tentem arranjar exemplos que, no mínimo, criem alguma dúvida, para a pessoa, ao constatar que foi uma das 457.328 que não ganhou o prémio, ao menos ter o consolo de ter puxado uns centímetros pela cabeça! Caso contrário, mais vale colocar este desafio, pois o que perde em educação ganha em honestidade!

Para que se saiba, a resposta correcta é “*”, que na prática corresponde a “Elemento introduzido na sua cavidade anal sempre que insiste em participar nestes jogos parvos”.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
Então quando se chega aos concursos televisivos – salvo honrosas excepções que não divulgarei para não ser etiquetado - aí era mesmo pegar neles e tungas, direitinhos para dentro da incineradora, como se de resíduos tóxicos se tratassem, juntamente com público, apresentadores e concorrentes. Mas isto seria um assunto demasiado extenso para desenvolver aqui, pelo que me vou cingir ao exemplo que mais mexe com os meus nervos, ao ponto de quase desligar a televisão quando ele é exibido.
Falo-vos do “Salve-se quem puder!” que, tenho de admitir, é o único concurso cujo título avisa os telespectadores sobre o que os espera. Aquilo bem espremido, mas mesmo muito bem espremido, acho que não dava material para reconstituir o pescoço do Marco Horácio, pois o formato do programa resume-se a 72 segundos em que os concorrentes tentam evitar ir ao banho e o restante tempo a ouvir as larachas ensaiadas pelos apresentadores. Aquilo sem som nem é mau de todo, pois conta com a presença da Diana Chaves, único motivo que faz com que de vez em quando dispense algum tempo àquele triste espectáculo, em vez de fazer algo mais útil, como atirar almofadas ao gato.
Meu caro César Peixoto, em circunstâncias normais estaria a borrifar-me para o assunto, mas dado que passaste a ser jogador do SLB, fica aqui o aviso: não te ponhas a pau com o Marco Horácio que quem ainda vai ao banho és tu!
Mas, dentro da miséria do programa, existe algo ainda pior, que tenta humilhar a inteligência (já de si diminuída) de quem assiste ao mesmo. Refiro-me a este jogo, em que se desafia os telespectadores a adivinharem a que opção corresponde a figura.

Eu sei que o negócio televisivo anda mal, e é necessário arranjar fontes alternativas de rendimento, mas aqui estão a ir longe demais. Se querem estimular ainda mais o vício dos portugueses em fazerem chamadas de valor acrescentado, ao menos façam-no sem os insultar, pois as opções apresentadas não passam disso mesmo, um insulto, como que a dizer “vá, se tens inteligência suficiente para ler isto e marcar os números, também deves saber a resposta”. Quem é que tem coragem de ir no dia seguinte para o emprego e gabar-se que acertou na resposta? Será que ocorrem frases como estas?
- Epá, estava mesmo para dizer que era pato, mas depois reparei na tromba e optei por dizer elefante! Sou ou não sou um tipo esperto?!?
- Ontem aquilo do morcego era difícil, pá, não fosse o puto ter dito que tinha a certeza que nem as vacas nem as ovelhas têm asas e acho que tinha de responder ao calhas!
Se é para sacar dinheiro à malta, ao menos tentem arranjar exemplos que, no mínimo, criem alguma dúvida, para a pessoa, ao constatar que foi uma das 457.328 que não ganhou o prémio, ao menos ter o consolo de ter puxado uns centímetros pela cabeça! Caso contrário, mais vale colocar este desafio, pois o que perde em educação ganha em honestidade!

Para que se saiba, a resposta correcta é “*”, que na prática corresponde a “Elemento introduzido na sua cavidade anal sempre que insiste em participar nestes jogos parvos”.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado



