Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não gozes comigo, pá!

É sabido e consensual (espero) que a maior parte dos programas televisivos se resume a lixo, com a agravante deste nem poder ser reciclado nem ser orgânico (daquele que permite produzir energia), apesar de muitos dos adjectivos utilizados para o descrever se enquadrarem nesta categoria.

Então quando se chega aos concursos televisivos – salvo honrosas excepções que não divulgarei para não ser etiquetado - aí era mesmo pegar neles e tungas, direitinhos para dentro da incineradora, como se de resíduos tóxicos se tratassem, juntamente com público, apresentadores e concorrentes. Mas isto seria um assunto demasiado extenso para desenvolver aqui, pelo que me vou cingir ao exemplo que mais mexe com os meus nervos, ao ponto de quase desligar a televisão quando ele é exibido.

Falo-vos do “Salve-se quem puder!” que, tenho de admitir, é o único concurso cujo título avisa os telespectadores sobre o que os espera. Aquilo bem espremido, mas mesmo muito bem espremido, acho que não dava material para reconstituir o pescoço do Marco Horácio, pois o formato do programa resume-se a 72 segundos em que os concorrentes tentam evitar ir ao banho e o restante tempo a ouvir as larachas ensaiadas pelos apresentadores. Aquilo sem som nem é mau de todo, pois conta com a presença da Diana Chaves, único motivo que faz com que de vez em quando dispense algum tempo àquele triste espectáculo, em vez de fazer algo mais útil, como atirar almofadas ao gato.

Meu caro César Peixoto, em circunstâncias normais estaria a borrifar-me para o assunto, mas dado que passaste a ser jogador do SLB, fica aqui o aviso: não te ponhas a pau com o Marco Horácio que quem ainda vai ao banho és tu!

Mas, dentro da miséria do programa, existe algo ainda pior, que tenta humilhar a inteligência (já de si diminuída) de quem assiste ao mesmo. Refiro-me a este jogo, em que se desafia os telespectadores a adivinharem a que opção corresponde a figura.


Eu sei que o negócio televisivo anda mal, e é necessário arranjar fontes alternativas de rendimento, mas aqui estão a ir longe demais. Se querem estimular ainda mais o vício dos portugueses em fazerem chamadas de valor acrescentado, ao menos façam-no sem os insultar, pois as opções apresentadas não passam disso mesmo, um insulto, como que a dizer “vá, se tens inteligência suficiente para ler isto e marcar os números, também deves saber a resposta”. Quem é que tem coragem de ir no dia seguinte para o emprego e gabar-se que acertou na resposta? Será que ocorrem frases como estas?
- Epá, estava mesmo para dizer que era pato, mas depois reparei na tromba e optei por dizer elefante! Sou ou não sou um tipo esperto?!?
- Ontem aquilo do morcego era difícil, pá, não fosse o puto ter dito que tinha a certeza que nem as vacas nem as ovelhas têm asas e acho que tinha de responder ao calhas!

Se é para sacar dinheiro à malta, ao menos tentem arranjar exemplos que, no mínimo, criem alguma dúvida, para a pessoa, ao constatar que foi uma das 457.328 que não ganhou o prémio, ao menos ter o consolo de ter puxado uns centímetros pela cabeça! Caso contrário, mais vale colocar este desafio, pois o que perde em educação ganha em honestidade!


Para que se saiba, a resposta correcta é “*”, que na prática corresponde a “Elemento introduzido na sua cavidade anal sempre que insiste em participar nestes jogos parvos”.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cheira bem, cheira a Rafeiro Perfumado

Tenho o prazer de vos anunciar que a partir de hoje passarei a colaborar com o jornal on line Passeio d'Lisboa, através da crónica Cheira bem, cheira a Rafeiro Perfumado. Para as duas pessoas que gritaram histericamente “eu sabia, eu sabia, este gaijo anda a encher-se de dinheiro, primeiro os livros e depois isto, aposto que também anda metido na droga e no tráfico de ceroulas cor de salmão”, sinto-me na obrigação de vos elucidar que a minha participação será completamente gratuita, pois os tipos recusaram inclusive a comparticipar no desgaste do teclado. Ah, e também vos elucido que são parvos e que vos odeio.

Esta aparição terá uma periodicidade quinzenal, sendo que os temas andarão sempre à volta de Lisboa e arredores, por forma a honrar o nome do jornal. Uma vez que a minha imaginação já conheceu melhores dias, os textos que eu lá colocar serão depois replicados aqui, com uma diferença temporal nunca inferior a 17 dias. Porquê? Porque me apetece. A única diferença é que os textos aqui serão “deslisbonizados” e garantidamente mais longos, pois se lá estou sujeito à tirania do espaço, aqui quem manda - JÁ VOU DESPEJAR O LIXO, NÃO GRITES, JOVE!!! - sou eu.

Até daqui a um bocadinho,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Por uma revolução no "transportês"

Toca a evoluir, vozes off dos transportes públicos!

Texto tão brilhante que teve de ser removido para um local mais seguro, mais precisamente o livro Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Expressões estranhas, para não dizer estúpidas – Está toda enxuta


Esta expressão, utilizada amiúde (adoro esta palavra) tanto por homens como por mulheres, pretende dar a entender que alguém está bem conservado, especialmente se atendermos à idade que tem. Em linguagem mais simples, é o mesmo que dizer “é velha mas marchava na boa”.

Isto não me choca, há efectivamente por aí muitas mulheres que parecem ser imunes à passagem do tempo, inclusive algumas até ganham outro encanto. O que me causa perplexidade é o associar-se o termo “enxuta” a uma constatação física, pois por muito que pense não consigo ver a relação do grau de secagem com o grau de conservação e interesse. Aliás, existem dois exemplos que deitam esta teoria completamente por terra, ou por água abaixo, uma vez que estamos nesse campo:
Os produtos liofilizados. Mais enxuto que aquilo não há, no entanto para serem colocados num estado normal, temos de os molhar.
O bacalhau. Compra-se sequinho, teso, enxuto. No entanto, para poder ser comido tem de ser colocado previamente de molho.

Aplicando estes exemplos às enxutas, ainda haveria quem pegasse nelas e lhes desse uma mangueirada ou as pusesse de molho, a ver se ficavam verdadeiramente boas! E se ainda não estão convencidos, façamos a análise pelo lado oposto. Imaginem que me apareciam à frente a Nicole Kidman ou a Mónica Bellucci, todas molhadinhas. Acham que eu me iria armar em esquisito, dizendo “ai não, que eu prefiro as enxutas”?

E acreditem que este exemplo soava muito melhor quando pensei nele do que agora que o escrevi, o que vale é que não há ninguém por aqui que veja segundos sentidos nas minhas palavras...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Questões que me fazem acordar com mais remela do que o costume


Se os carros não tivessem limpa pára-brisas, onde é que seriam colocadas as multas e a publicidade? No tubo de escape? Em cima do capô com uma pedrinha a fazer peso para não voar? Agrafada aos pneus? Nos vidros, com recurso a cuspo?

Acho que já está mais do que na altura da indústria automóvel pensar num compartimento próprio para este tipo de correspondência. Até lhe podiam chamar, sei lá, “caixa de correio”, e assim até já tínhamos um local para afixar um autocolante a dizer que não pretendíamos correspondência não endereçada (não confundir com a indesejada, queriam livrar-se das multas, era?), o que evitaria sempre que regressamos ao carro encontrá-lo inclinado para um dos lados e o limpa pára-brisas levantado quase meio metro, à conta da publicidade a dezassete restaurantes indianos, aos videntes professores Doidini, Aldraboni e Vergadura, à clínica dentária “Abra a boca e a carteira”, a metade dos hipermercados de Portugal e as páginas amarelas da zona, que resolvem brindar-nos com o conhecimento dos seus serviços.

Mas sabem dizer-me quem é que vos deu autorização para mexerem no meu carro?!? Quem me garante que a malta que faz este tipo de serviço tem as mãos em condições higiénicas aceitáveis ou mesmo lavadinhas? Ainda conspurcam as escovas, que por sua vez emporcam os vidros, acabando por provocar algum acidente. Se houvesse justiça neste mundo, o acidente envolveria o atropelamento de um destes artistas, mas a realidade raramente corresponde aos sonhos.

O que é que vocês achariam se eu me chegasse ao pé de vocês, vos puxasse as pálpebras para cima e lá enfiasse publicidade ao meu blogue? Hum? Eu que vos volte a apanhar perto do meu carrito e ficaremos a saber, e aviso já que o papel será daqueles ásperos e a largar tinta, que nem para limpar a peidola serve!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado