Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Vai mas é pedir gorjeta pró...!!! (é favor substituir as reticências pela palavra que consideres mais ofensiva)

Espero bem que depois de leres isto me deixes uma gorjeta.

Texto tão brilhante que teve de ser removido para um local mais seguro, mais precisamente o livro Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A minha praxe foi pior que a tua, incha!


Nenhuns relatos são tão aborrecidos como os das praxes sofridas pelos caloiros, talvez com as honrosas excepções das histórias passadas na tropa ou o visionamento dos filmes de ecografias de bebés ou casamentos que não os nossos. Mas adiante, porque é que serão os relatos praxatórios tão aborrecidos? Essencialmente por dois motivos, e neste aspecto vou falar muuuuuuuito devagar, fixando directamente os olhos de algum caloiro que possa andar por aqui:
Tu, caloiro, tecnicamente (ainda) não és uma pessoa
Ninguém que não esteja directamente envolvido no processo está minimamente interessado em saber que tipo de brincadeiras te possam ter feito, e mesmo que façam uma cara convincente, acredita, estão a mentir e a contar os segundos para se pirarem ou a rezarem para que o telemóvel toque!

Claro que, ciclicamente, se ouvem diversos relatos destes, mesmo contra vontade, pois são feitos no comboio, a plenos pulmões, pelo que não se conseguem evitar, nem mesmo metendo o MP3 no máximo.

Uma destas vezes, em que a bateria do dito acabou, não me restou outra alternativa, bem como aos restantes passageiros, que não prestar atenção a duas caloiras que se tentavam convencer mutuamente que a sua praxe tinha sido a mais imaginativa e, consequentemente, tinham sido mais humilhadas. Curioso o facto de ambas, apesar de salientarem a vergonha das acções praticadas, nitidamente retirarem prazer e mesmo um certo orgulho por tudo o que passaram. Mas não vou explorar essa faceta dos caloiros, porque isso iria levar-nos a discussões sobre o que são praxes, sobre o que são excessos e, sinceramente, estou-me a borrifar para isso.

Deixo aqui apenas um excerto da troca de galhardetes entre as caloiras, que a certa altura era seguida pela população do comboio como se de um jogo de ténis se tratasse:
Caloira 1: Ai, se tu visses. Meteram-me graxa nas bochechas!
Caloira 2: Então e a mim? Fizeram-me andar com umas orelhas de burro, passei cá uma destas vergonhas!
Caloira 1: Ai é? Pois a mim fizeram-me usar a roupa interior por cima da outra roupa!
Caloira 2: Isso não é nada. Fizeram-me chupar um preservativo cheio de iogurte, no anfiteatro. Corei tanto!
Caloira 1: Pffff... Então e eu, que tive de participar num concurso de Miss T-shirt molhada? E olha que a água estava bem fria!
Caloira 2: Ai é, ai é? Eu tive de fazer sexo com todos os veteranos da faculdade! Toma!
Caloira 1: Só isso? Olha, a mim deram-me tanta porrada que me partiram a espinha em três sítios diferentes! E então, tens melhor que isto? Tens, tens?!?

Os passageiros inquietaram-se, especialmente os que tinham apostado na caloira 1. Esta tinha claramente perdido o controlo. “Ó menina, tem a certeza?”, perguntou uma velhota.
Caloira 1: Pronto, está bem. Ganhaste, a tua praxe foi pior que a minha, eu exagerei um bocadinho nesta última parte...
Caloira 2: Eu confesso que também reguei um nadinha, nesse dia tinham faltado três ou quatro veteranos...

Felizmente o duelo acabou nesta altura, é que eu já estava a ficar com uma dor de pescoço do caraças!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Expressões estranhas, para não dizer estúpidas - Andar ao sabor do vento

Ouço muitas vezes esta frase, normalmente proferida em contextos poéticos, querendo transmitir a imagem de alguém que se deixa levar para onde a vida quer, sem amarras, sem planos, sem um rumo específico. Em linguagem prática, aplica-se a quem não faz a mínima ideia para onde vai e se recusa a pedir informações, mas numa contextualização poético-romântica. O que mais me enerva é ser uma frase dita, por norma, totalmente fora do âmbito da navegação marítima, que é de onde (se eu me desse ao trabalho de investigar) a mesma deve ser oriunda. Mesmo aí não acho grande piada a quem entrega o seu destino ao vento, imaginem que os capitães dos cacilheiros se lembram de ter um ataque destes, estou mesmo a ver muita gentinha a chegar atrasada ao emprego, isso se os ventos não os levassem contra algum rochedo.

Por esta altura já devem ter desconfiado, coloco esta expressão no grupo das estranhas, para não dizer estúpidas. É que não compreendo como é que podem associar um dos cinco sentidos ao vento, ainda mais um que não pode ser provado (lá está) com facilidade. Mas se é para associar o vento aos sentidos, a tal poetização, vamos ver como ficaria com cada um deles:
- Andar ao olhar do vento. Ficaria parvo. O vento, por si só, não se vê, quanto muito observamos o material que este arrasta, material esse que se nos entrar na vista impossibilita-nos de ver o que quer que seja. Se o material for arrastado pelo vento associado a um furacão (uma vaca, por exemplo), é mesmo coisa para nos causar alguma lesão permanente na vista.
- Andar ao cheiro do vento. Continua a ser uma frase parva, apesar de neste caso ter um fundo de verdade. Então para aqueles que, como eu, viveram no Barreiro há uns anos, é bem real a memória dos cheiros que o vento trazia da zona industrial, nenhum deles agradável. Por outro lado, diversas vezes vi-me impelido a dirigir-me para a cozinha, onde a minha mãe tinha acabado de fazer uma panela de arroz doce. Neste caso, o aroma tentador que era propulsionado por alguma corrente de ar (também conhecida por vento) esbofeteava as minhas narinas com apelos irrecusáveis, levando-me, aí sim, a andar ao cheiro do vento. Repararam na poesia associada à frase? Que momento lindo...
- Andar ao tacto do vento. Igualmente verdade, igualmente parvo. O vento consegue efectivamente tocar-nos, e por vezes fortemente, mas a carga poética fica comprometida, porque não é muito romântico dizer que o vento, no fundo, não passa de um tarado que anda por aí a apalpar o pessoal a torto e a direito, levantando saias e abrindo decotes.
- Andar ao som do vento. Convenhamos, quem rege a sua vida pelo som que o vento faz, não merece o oxigénio que consome. Então o vento assobia e a pessoa reage? O que é que esta malta pensa que é, animais amestrados? Na volta ainda pensam que o vento lhes está a atirar um piropo, não?
- Andar ao sabor do vento. De uma vez por todas, o vento não tem sabor. Aliás, uma respiração correcta é efectuada inspirando pelo nariz e expirando pela boca, pelo que quem anda na rua a correr de boca aberta, tentando captar o sabor do vento, merece é ficar a saber a que sabe uma mosca acabadinha de sair de um dos múltiplos presentes que embelezam as nossas calçadas.

Dito isto, termino com a única excepção que admito poder deixar-se levar pelo vento: a malta que calça velas.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Falta dizer alguma coisa?


A propósito da cobertura exaustiva que tem sido feita ao mais recente prémio atribuído ao Cristiano Ronaldo, achei por bem saber a opinião do cão que um dia passou na rua onde ele morou em tempos.

Rafeiro Perfumado: Cão que um dia passou na rua em que o Cristiano Ronaldo morou em tempos, que opinas tu sobre a atribuição pela FIFA do prémio de melhor jogador de 2008 ao Cristiano Ronaldo?
Cão que um dia passou na rua em que o Cristiano Ronaldo morou em tempos: Woof...

E pronto, agora é que acho que foi dito mesmo tudo sobre este assunto.

Até daqui a oito minutos,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

E apalpar a peidola, não querem?


Estão neste momento a constatar uma das desvantagens da blogosfera. Ou melhor, não constatam nada, porque não conseguem. E não conseguem porque eu estou a passar isto a limpo para um processador de texto, a partir dumas folhas sujas e amachucadas. Se vocês vissem essas ditas folhas, poderiam então ver o quanto a minha letra soluçava, as palavras tremiam e aqui e ali eram polvilhadas por lágrimas de raiva, havendo mesmo um canto duma folha arrancado à dentada!

Escrevi estas linhas apenas alguns minutos após ter ido buscar o carro à revisão, pelo que se pode apelidar de “escrita a quente”. Se nesse dia ouviram urros de dor, agudizando-se progressivamente, foi enquanto eu ia percorrendo com os olhos a descrição dos débitos. Para que tenham uma ideia mais concreta da minha indignação (não vou meter o valor total porque acho que não aguento voltar a passar por essa experiência), vou-vos contar os itens mais gritantes:
- substituição da referência publicitária na matrícula 0,75 €
Isto é genial, na prática eu paguei para poder fazer publicidade ao stand de automóveis. Logicamente que não é pelo valor, simplesmente fiquei abismado pela coragem de me terem cobrado a mudança duma placa publicitária, pois o stand entretanto mudou de nome. Se calhar até devo ficar agradecido por não me terem cobrado o ajuste das estações de rádio, pois tenho travado uma guerra com o mecânico, que teima em substituir os meus postos de música por outros da preferência dele
- Filtros 37 €
Mas quantos filtros é que o carro tem, afinal? Contei pelo menos três! Com tanta protecção, não sei como é que acusam os automóveis de poluírem a atmosfera, eles até deviam ser usados como aparelhos de purificação, e por onde eles passassem deveria ficar uma risca de ar puro, com florezinhas a desabrochar e passarinhos a cantarem.
- Material miúdo 6,26 €
O que é que é isto?!? Estão a tentar tramar-me, é? Então passam-me uma factura com a palavra “miúdo”? Não quero cá material pedófilo na minha viatura! Além de ser nitidamente uma exploração de trabalho infantil, apesar de talvez ser a única maneira de chegar a certas partes do motor, por causa das mãozinhas pequenitas.
- Líquido esguicho limpa-vidros 2,19 €
Esteja o depósito ao nível que estiver, é certo que esta rubrica aparece. Desta vez pensei que os ia lixar, e enchi aquilo até mesmo ao cimo, a ver como é que era. A única explicação é que devo ter passado por alguma lomba e entornei umas gotas, pois não acredito que me cobrassem algo que não colocaram efectivamente
- Por último, a beterraba em cima do croissant, a substituição duma lâmpada fundida
Esta lâmpada teve um custo de 6,37 € (mais IVA), enquanto a mão-de-obra para a colocar custou 34,5 € à hora. Como a colocação demorou meia hora, obtém-se um valor de 17,25 € (podem ir buscar a calculadora, se não acreditam em mim). Ou seja, meia hora e 17 euros para meter a treta duma lâmpada num carro. O animal que fez isto, se trabalhar 8 horas diárias, ganha 276 € por dia. Se trabalhar 22 dias por mês, dá 6.072 €. Andei eu a tirar um curso para quê?

Acreditem, nem é o valor que me escandaliza, uma vez que conseguiu fazer algo que eu tentei em casa e só consegui esfolar um joelho e partir uma faca (não, não quero falar disso). O que mais me choca é imaginar este sacana com a lâmpada na mão enquanto, quase de certeza, coçava os tomates com a outra. No fundo, eu paguei para lhe dar prazer, sendo que a parte da colocação da lâmpada não deve ter demorado mais do que 4 minutos, ficando depois com as duas mãos livres. Nem quero pensar no que é que isso me torna...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: continuo a ser cliente dessa oficina. Sempre tenho a vantagem de saber como é que sou roubado, se optasse por trocar ia demorar uns quantos anos a descobrir os novos esquemas
PS2: o título é meramente especulativo, nada de pensamentos parvos