
West Side Story. Só a menção deste título faz disparar as hormonas das pessoas mais românticas, que mentalmente revêem este musical aclamado pelo público e pela crítica.
E eu acredito neles, porque nunca o vi e sinceramente não me apeteceu pesquisar sobre o assunto, basta-me ir ouvindo os comentários e imaginar que são uns quantos gaijos a cantarem e dançarem, sendo que no fim o parzinho deve ficar junto e o mau é castigado.
O meu desinteresse por esta peça iria continuar não fosse um dia destes ter dado de caras no comboio com o cartaz reproduzido ali em cima, que publicitava a versão portuguesa da obra, levada a cena pelo inevitável La Féria.
Eu até tenho o senhor em boa conta, mas seguramente deveria ter mais cuidado com a forma escolhida para promover os seus espectáculos. Quer dizer, é suposto aquilo ali em cima ser uma cena romântica, certo, reveladora da paixão entre os protagonistas. Mas atentem bem na imagem. Ele esboça um sorrisinho parvo, enquanto finge que toca na cachopa. Pá, eu sei que ela não é nada de extraordinário, mas não te custava nada sentir a chicha do braço dela em vez de roçares ao de leve na roupa, garanto que apertar-lhe o braço não te obriga a casar.
Já ela, perante o seu “amado” prostrado a seus pés, olha-lhe para o cabelo, como se questionando se aquilo que ele tem na cabeça será resultado de gel a mais ou de uma descarga pombalina.
Mas o orgasmo psíquico deste cartaz romântico é mesmo a mãozinha dela, com um dos dedos a tirar o cerume da orelha do moço. Será que alguém que já tenha visto o espectáculo me poderia confirmar se uma das cenas é:
Gaija: Ai, amor, que lindo cabelo que tu tens!
Gaijo: Eu sou um camelo?!?
Gaija: Não, pá, o teu penteado é lindo, cheio de brilho!
Gaijo: O meu enteado é teu filho?!?
Gaija: Eu logo vi, muita dança e muita cantoria mas tão burrinho...
Gaijo: Ouve, tira-me mas é o dedo de dentro da orelha, que eu não te admito que digas isso do meu padrinho!
Até sexta-feira,
Rafeiro Perfumado