
Já não tenho paciência para a malta que, por tudo e por nada, termina as palavras com “inhos”. Ele é nomes, ele é adjectivos, ele é outras figuras linguísticas que agora não me lembro do nome, enfim, é um inhonhizar que já mete nojo!
Começa pela forma como certas pessoas só conseguem falar com crianças utilizando diminutivos. “Olha ali o passarinho tão atropeladinho”, “Come os bróculinhos todinhos, come” ou “O padre mexeu na tua pilinha, mexeu?” são alguns dos exemplos que estão permanentemente a ouvir-se, como se o simples acto de anexar um “inho” a uma palavra a tornasse menos grave ou asquerosa. E desenganem-se se pensam que as crianças tomam mais atenção ou sentem mais curiosidade por um cãozinho ou gatinho do que por um cão ou um gato, aquilo são esponjas sedentas de aprender, mais vale que o façam de modo a não serem mais tarde gozados pelos colegas, quando chegarem às aulas de biologia e disserem “então, hoje vamos dissecar a ratinha ou a minhoquinha?”.
Depois é o próprio tratamento dado às crianças. Acredito que certos pais baptizam os rebentos já a pensar no diminutivo pelo qual os vão chamar! Se o nome dele é António, não o chamem de Toninho. Se o nome dela é Maria, não a chamem de Mariazinha. E Agostinho ou Martinho? Chamam-lhes Agostinhozinho e Martinhozinho, é? Ora isto, ao contrário do que possam pensar, não é fofinho, é parvo, e estou a ser muito simpático.
Mas nem só no mundo infantil os “inhos” atacam. Experimentem, por exemplo, pedir a conta num restaurante e invariavelmente lá vem “é a continha?”. Não, não é a continha, pois a única coisa que pode ser pequena nesta conversa, para além da inteligência do outro interlocutor, é o tamanho da letra e o papel onde vem a conta, a qual raramente foge do domínio da contona.
Por fim, existem os adultos que adoptam no seu discurso os “inhos”, de forma quase permanente, acreditando que dessa forma se mostram mais amigáveis ou consigam aligeirar o tema da conversa, como se dizer que nos deram uma “pancadinha” no carro novo ou que o bife que acabámos de comer caiu um “bocadinho” no chão nos dê menos vontade de os estrafegar!
E não posso deixar em claro os casalinhos (eu posso utilizar diminutivos, pois estou a gozar com eles) que se tratam por amorzinho, coisinha linda, biduchinho, chlép-chlép e afins. Aquilo é tanto mel que só dá vontade de pegar neles e atirá-los para o meio de um bando de ursos acabados de sair da hibernação! Mas, conhecendo as peças, ainda seríamos capazes de ouvir:
- Ai, paixãozinha, vem socorrer a tua fofurazinha, que o ursinho está a dar dentadinhas no meu pescocinho!
Querem ser simpáticos e amorosos? Sorriam, falem educadamente, de preferência sem sulfatar quem vos rodeia, mas livrem-se dos diminutivos, pois de outro modo a única vez que vão ouvir falar acertadamente com diminutivos é quando se referirem ao vosso cérebro.
Até sempre,
Rafeirinho Perfumadinho