
Quando os ânimos se exaltam, é comum começarem a chover insultos de parte a parte. Isso faz bem, liberta a alma do stress e a garganta do catarro acumulado. No entanto, como em tudo na vida, há insultos que são fantásticos, outros que são fofinhos e ainda outros que roçam a cretinice, podendo mesmo voltar-se contra o seu autor, por colocarem a nu o imbecil que ele é.
Coloco neste grupo os que utilizam expressões envolvendo palavras como “maldito” ou “maldição”. Não só isto nos leva para zonas nebulosas do folclore popular, com imagens de bruxas verruguentas, caldeirões borbulhantes e frangos decapitados, como as expressões, se bem analisadas, não fazem sentido nenhum. E acham que nos tempos que correm alguém (com um QI superior ao de um gafanhoto atropelado) se sente ameaçado com pragas que coloquem em causa a integridade física ou o sucesso profissional? A situação que se vive actualmente já se encarrega de nos levar tudo, sem precisar de ajudas externas, pá!
Atentemos no “amaldiçoado o dia em que nasceste”. Assim visto a quente, parece um insulto à séria, não é? No entanto, é de uma grande injustiça, pois nesse dia o único mal que o visado possa ter feito foi borrar vinte e oito fraldas e acordar os progenitores cinquenta e sete vezes. Por outro lado, como o que está a ser amaldiçoado é o dia e não o parvalhão a quem o ódio é dirigido, estão a ser metidos no mesmo saco todos os desgraçados que tiveram o azar de nascer no mesmo dia.
Por outro lado, temos o chamar “maldito” a alguém. Qual é o real impacto disto? A pessoa chamar-se Jacinto e começarem a chamá-lo por Jainto? Sinceramente, desde que a pessoa não tenha apelidos como Carvalho, Teófilo ou Penisga, não estou a ver o problema de ser maldito.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado