Esta expressão, “aquele tipo é um prato cheio”, não é bem estúpida, prefiro chamá-la de incompleta. Supostamente é algo que se diz de alguém que é o máximo, o rei da festa, o palhaço de serviço, enfim, alguém que não passa despercebido e consegue transmitir aos outros uma imagem divertida de si próprio.
Então que questionas tu, nobre Rafeiro, perguntarão as almas mais impacientes, alheias às várias imprecisões que ferem esta expressão de estranheza, para não dizer estupidez.
1º De que tipo de prato estamos a falar? De sobremesa? De sopa? Raso? Variará a definição de prato cheio consoante o grau de coolness do destinatário? Será um Jerry Seinfeld um “prato de sopa cheio” e um Fernando Mendes um “pires de café cheio”? Rachado, vá...
2º E cheio de quê? Água? Sopa de nabiças? Canja de galinha? É que me parece ter um significado totalmente diferente ser considerado um “prato cheio de cozido à portuguesa” ou um “prato cheio de iscas de fígado”.
3º E toda esta conotação culinária terá alguma coisa a ver com outra expressão muito comum, o “arranjar um tacho”? Claro que neste último caso eu sei muito bem que tipo de tacho é e com que é que ele está cheio. E também sei que é muito mais comum encontrar um tipo com um tacho do que um que é um prato cheio.
Só tenho pena de que nos casos do tacho não seja mesmo possível levá-los ao microondas ou ao forno. Sei que isso não faria de mim um “prato cheio”, mas que me encheria a barriga de tanto rir, sem dúvida.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado