
Peço desculpa ao Rock in Rio por plagiar o seu slogan mas é, sem sombra de dúvidas, o grito que mais se adequa para a visita papal que se aproxima a sobrancelhas vistas.
Circula por aí (eu pelo menos ouvi uma senhora a falar disto no comboio) que o Estado se prepara para dar tolerância de ponto aos funcionários públicos que pretendam ir ver o Papa. Ora isto levanta toda uma data de questões:
1º Deus está em todo o lado. Se isto é verdade, também o deve ser em relação ao seu representante na terra, logo bastava colocar umas televisões em tudo o que é empresa pública e a coisa ficava resolvida, pois o menos que a Igreja precisa nos tempos que correm é de contacto humano, especialmente se estiverem criancinhas envolvidas.
2º O laicismo do Estado. Não sei em que ponto está, mas sei que andaram por aí a defender o distanciamento do Estado em relação à religião, o que até levou à remoção de crucifixos das salas de aulas e tudo. Ora se em relação ao máximo representante da Igreja Católica se abre uma excepção, porque não em relação ao Dalai Lama, por exemplo? A China não deixou?
3º A conversão espontânea. Até eu sinto qualquer coisa religiosa a crescer dentro de mim, só com a perspectiva de um dia sem trabalhar! A ser verdade esta medida, estou em crer que até vão ter de instalar umas pias baptismais nas repartições públicas, porque aquilo vai ser uma onda de fé católica, seguramente, pois ninguém irá querer deixar de ver o Papa, ainda mais se a malta estiver em tronco nu e se constipar, baldando-se no dia seguinte!
Até estou a ver o seguinte diálogo na Repartição de Finanças de Ranholas:
Chefe: Mas ó Abdul, tu queres ir ver o Papa?
Abdul: Claro, chefe, eu sempre fui cristão, juro por Alá!
Longe de mim duvidar da fé das pessoas e das suas reais intenções, mas numa altura em que se fala de apertar o cinto e do défice de produtividade, toda e qualquer pessoa que não vá trabalhar deveria apresentar provas de que foi realmente ver o Papa. E que provas seriam essas? Epá, apenas admito duas, ou ser fotografado abraçado ao tipo ou então uma declaração assinada e com selo papal, com o seguinte texto:
I, Pape Benedikt nichts, ich declarra dass de funcinarria Etelvino das Ponte estado na Santuárria von Fatima nas dia 13 Maia 2010.
Por serr verrdada, assina esta documenta, parra que Etelvino das Ponte nein leve bocas dus culegas ateus (Ptuh!) e das outrras religiones (Ptuh! Ptuh! Ptuh!).
E claro que eu vou. Mas é ao Rock in Rio…
Até sempre,
Rafeiro Perfumado