Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Olha que beleza, e de montagem simples!


Se alguém teve um pensamento sexual à conta deste título, por favor pire-se daqui para fora antes que eu o espanque, pois não admito concorrência a esse nível. Não, caras restantes duas pessoas com uma linha de pensamento correcta, apenas pretendo com isto dar-vos a conhecer o último terramoto doméstico que me teve como epicentro.

O autoclismo da minha casa de banho andava há uns tempos a sofrer de incontinência, o que me obrigava a ter de recorrer à torneira de segurança sempre que o queria encher. Ora ficar mais do que o tempo estritamente necessário num ambiente repleto de gases pesados é bastante complicado, já para não falar do peso na consciência ambiental que ocorria sempre que me esquecia da porcaria da torneira aberta.

Farto desta situação, resolvi comprar uma nova bomba para o autoclismo. Fui a uma loja da especialidade e, brilhando na imensidão da oferta, lá estava ela, uma bomba de dupla descarga, com letras garrafais onde se lia “MONTAGEM SIMPLES”. Para reforçar o apelo, trazia uma ilustração de montagem com apenas três passos, onde constava um autoclismo que diria ser irmão gémeo do meu. “O que é que pode correr mal”, pensei eu. Enfim, já com tanta idade e ainda tão ingénuo...

Feita a compra e programado o dia para a obra, eis que chega o momento, no qual me vi em pleno WC, armado com uma caixa de ferramentas, enquanto no canto oposto estava a bomba, mais as suas 328 peças simples de montar e as instruções com três imagens que ao desdobrarem-se revelaram mais umas dezenas. Nem faltava o mirone, na pessoa da jove, que ao longe ia vendo o desenrolar dos acontecimentos. Se corresse uma brisa na casa de banho e uma daquelas plantas secas rebolasse pela divisão diria que estava num filme do farwest, prestes a lutar num duelo.

Uma vez ultrapassado o nervoso miudinho, deitei mãos à obra. Primeiro passo, desmontar a bomba original, tendo o cuidado de colocar tudo muito certinho, não fosse a coisa dar para o torto e poder voltar a colocar tudo na mesma. Segundo passo, tirar o autoclismo. E foi aqui que o drama começou. Além dos parafusos e do cano da água, uma qualquer força invisível prendia o sacana do autoclismo à parede, como se ele soubesse que estava a ser manuseado por mãos inexperientes. Após meia hora de tentativas e duas hérnias discais depois, tive de desistir, não sem antes ter lixado a ligação da água e de ter mandado ao chão as peças da bomba original, que se espalharam pelo chão, em alegre confraternização com as da bomba nova, entretanto derrubada pela jove que tinha vindo ver qual o motivo da gritaria. A minha vontade era enfiar tudo dentro do autoclismo, encher aquilo de cimento e voltar ao método do balde, mas fui desaconselhado pela jove, sob pena de começar a ter de ir fazer as necessidades fisiológicas a casa da sogra.

Conclusão: duas bombas inutilizadas, um cano a esguichar água por todo o lado, o orgulho de macho (e as costas) feito num oito e consulta com o canalizador marcada para o dia seguinte. Agora é conseguir convencer a jove a dizer ao especialista que a tentativa de arranjo foi feita por ela e nem tudo estará perdido...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: Ano novo, autoclismo novo! Feliz 2011, pessoal!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Era uma vez o Pai Natal...

Véspera de Natal, na aldeia de Ranholas, perto de Sintra. Na praça principal a população reúne-se, apreensiva, para decidir o que fazer perante os últimos acontecimentos.

Presidente da Junta: O que foste tu fazer, homem de Deus?!?
Etelvino: Ó senhor presidente, eu sabia lá, pensei que era uma raposa e dei-lhe uma chumbada, que estou farto que me comam as galinhas!
Presidente da Junta: Raposa?!? Uma raposa vermelha com botas, seu animal? Quem te dava uma chumbada era eu, não fossem as eleições serem daqui a uns meses! E nem desconfiaste que a “raposa” tinha um saco às costas e barba branca?
Etelvino: Quer dizer, achei estranho ela ir só em duas patas, mas o saco pensei que eram as minhas ricas galinhas que lá iam, a barba pensei que era a raposa que se ia a babar, ao pensar no pitéu. Mas foi um tirinho de nada, quase nem lhe acertei...
Presidente da Junta: Tens consciência que arruinaste o Natal de toda a gente?
Etelvino: Ó Senhor Presidente, isso também é exagero, já quase ninguém acredita no Pai Natal. E o que temos a fazer é manter isto entre nós, e aproveitávamos e fazíamos uma churrascada para a aldeia toda, afinal as renas agora já não servem de nada à raposa, ou melhor, ao Pai Natal.
Presidente da Junta: Pois, ainda é o melhor, não quero que a nossa aldeia fique conhecida por ter acabado de vez com o Natal. Mas entretanto passa para cá a caçadeira, que não tarda nada está aí a Páscoa e não gosto de comer coelho...

Até sempre e um bom Natal a todos,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Porta quê?!?

Chega! Vamos lá a esclarecer uma coisa duma vez por todas: quem, repito, quem é que tem os tomates (ou ovários) necessários para, na indústria automóvel, mudar a denominação do “porta-luvas”? Mas aquilo por acaso leva alguma vez luvas? Talvez em tempos longínquos, quando os carros tinham o motor à mostra, os bancos à mostra, as rodas totalmente à mostra, enfim, tudo à mostra, houvesse alminhas que lá metessem as luvas (correndo o risco de irem parar à correia da ventoinha), agora nos tempos modernos?
 
Para sermos exactos, aquilo deveria chamar-se porta-toda-a-tralha-que-se-consegue-lá-meter-dentro-desde-que-se-continue-a-conseguir-fechar-aquela-treta-excepto-luvas! Um destes dias, um amigo meu que me tinha dado boleia, começou a estranhar um barulho que o carro fazia. “Deve ser do espelho” disse ele, “ou então fígado”, pensei eu. Mas como o ruído começou a ficar deveras irritante, lá apurei o ouvido, tentando aperceber-me da origem do mesmo. E foi então que quer a audição quer o olhar convergiram para o mesmo sítio, o “contentor” que estava à minha frente. Ao abrir aquela treta, pouco faltou para ser projectado para o banco de trás, tal a quantidade de tralha que saltou lá de dentro! Desde canetas, moedas (algumas penso que ainda dos tempos da monarquia), lenços, mais canetas, uma enormidade de mapas de estrada (alguns com indicações dos melhores sítios para trocar os cavalos das carruagens) e mais uma quantidade de objectos que pela compactação só poderiam ser identificáveis com recurso a testes de ADN, tive de apelar a toda a minha musculatura, especialmente das pernas, para voltar a fechar aquilo. O som lá continuou, se bem que diferente, pois a arrumação dos tarecos ficou ligeiramente alterada. Pessoas como este meu amigo, que suspeito pertencer a um grupo numeroso, não precisam do tal porta-nome-demasiado-grande-para-o–voltar-a-repetir, precisam é de um atrelado!
 
Começo a suspeitar que este compartimento é o equivalente masculino à mala da mulher, só que está no carro, para não dar nas vistas!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Embrulhem, gaijas!

Vocês são o sexo forte, gaijas, mas não abusem...

Texto tão brilhante que teve de ser removido para um local mais seguro, mais precisamente o livro Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eu faço-te a folha!

Eis uma expressão que quem já andou em cuecas na rua a fugir de um marido furioso, mandou uma castanhada no BMW novo do chefe ou se apresentou perante as amigas com o vestido pelo qual elas suspiravam, certamente já terá ouvido.
 
As poucas pesquisas que eu fiz para tentar perceber a origem disto foram desaguar na folha de pagamento, mas sinceramente é uma teoria tão parva que nem me apetece explorá-la, pois numa sociedade como a nossa duvido que alguém ameace com este argumento uma pessoa que esteja sobre a sua dependência financeira, seria demasiado baixo.
 
Mas é aqui que reside o cerne desta expressão, a ameaça motivada por algum comportamento que desagradou a quem a proferiu. Não percebo. Novamente as imprecisões que giram à volta deste tipo de ditos populares dão cabo de mim. É uma folha de que cor? E tem alguma coisa escrita? E é de papel ou proveniente de uma planta? E qual a gramagem?
 
Temos também de levar em conta que, nos tempos modernos, esta expressão até pode ser vista como uma oferta de ajuda. Reparem no possível diálogo:
Tipo 1 – Estou tão stressado, pá...
Tipo 2 – Então, que se passa?
Tipo 1 – Hoje prometi levar a minha jove a jantar fora e ainda tenho que fazer estes cálculos todos.
Tipo 2 – Deixa lá isso, eu faço-te a folha de Excel.
 
Se a coisa fosse “eu faço-te numa folha”, aí no meu imaginário já entraria um rolo compressor, fora disso não me sinto particularmente ameaçado quando me dizem isto. Não que eu tenha andado a fugir em cuecas de um marido furioso, dado uma castanhada no carro novo do chefe ou mostrado um vestido novo às minhas amigas, mas se alguém decidir atirar-me com essa expressão, simplesmente me limitarei a olhar nos olhos da pessoa, pestanejar demoradamente e perguntar:
- Ai é? E sabes-me dizer se é A4 ou A5?

E depois, mediante o tamanho da outra pessoa, ou desato a rir ou a correr!
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

As gaijas são tão sensíveis...

Nota mental: nunca dizer a uma colega vestida de amarelo e preto que está parecida com o marsupilami, da BD Spirou e Fantásio. É que a conversa deriva imediatamente para a cauda do animal e respectivo tamanho e funcionalidades.
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado