Um destes dias encontrei a minha jove lá em casa, toda chorosa. Apelando a toda a minha sensibilidade, lá lhe perguntei:
-Então, pá, o que é que tu tens?
A muito custo, entre fungadelas, suspiros e assoadelas, lá me mostrou o motivo da sua tristeza: tinha partido a moldura onde estava uma fotografia nossa, tirada numas férias bem passadas.
Como vi que ela estava mesmo desgostosa, tentei animá-la, dizendo que a fotografia era apenas uma das muitas lembranças felizes dessas férias, e que mesmo essa poderia ser recuperada, pois ainda tínhamos o ficheiro logo poderíamos fazer uma nova cópia. E eis que ela me respondeu:
- Pois, mas esta moldura combinava com os cortinados!
Fiquei a olhar para ela, em silêncio, cada vez mais certo de que tentar compreender as gaijas é uma tarefa impossível. Ainda bem que já parei de tentar há muitos anos...
Até sempre,
Rafeiro Perfumado




