Ora cá está outra expressão bem parvinha. Costuma dizer-se sobre alguém que nasceu no seio das melhores famílias, com todas e melhores condições, desde o rabinho polvilhado com o melhor pó talco (já não se usa, pois não?) até à primeira nadegada dada pelo médico que tivesse a mão mais fofinha. Dito desta forma, tenho de reconhecer que são predicados para que um bebé tenha uma base sólida para se lançar num trajecto de sucesso, tanto a nível pessoal como profissional, podendo mesmo almejar a ser ponta de lança do Benfica!
Agora a cena do berço ser em ouro parece-me exagerada. Senão vejamos: a própria lógica da frase, quer dizer, os putos não nascem no berço, são lá despejados depois de virem do hospital ou de onde quer que decidam vir ao mundo. Por outro lado, um berço em ouro, por muito valioso que seja, parece-me ser um material demasiado duro e frio, capaz de arrancar uns valentes gritos ao cachopo, mal os seus costados entrassem em contacto com o berço.
Mas se querem mesmo dar a entender que um bebé é tão mais rico quanto precioso for o seu berço, porque raio não existem expressões como nascido em berço de diamante, nascido em berço de tungsténio, nascido em berço de gasolina 98 octanas ou nascido em berço de toner para a impressora HP Photosmart C5280? É que o ouro não é o material mais precioso que por aí anda, sabiam?
Por último, há a questão do brilho. Apesar de nem tudo o que reluz ser ouro, neste caso havia a garantia de que era. Assim, à menor projecção de luz sobre o berço haveria lugar ao seguinte diálogo:
Mãe: Olha, tão querido, está outra vez a piscar-nos o olho!
Pai: Hum, acho que o puto está é outra vez encadeado, onde é que meteste os óculos escuros?
Até sempre,
Rafeiro Perfumado








