Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

E agora, o que é que eu faço com isto?

Um dos comportamentos típicos do nosso povo é a tendência para a badalhoquice. Causa-me imensa confusão quando os contentores do lixo estão cheios (por ainda não ter passado o camião da recolha ou, mais comum, greve dos serviços de recolha) e a malta continua a despejar na mesma o lixo, construindo montes que em alguns casos chegam a rivalizar com as pirâmides egípcias (as mais pequerruchas, pronto).

E não me comecem a dizer «então e onde é que eu guardava o lixo, lá em casa?» porque isso é um falso pretexto. Digamos que a vossa retrete ficava entupida e vocês estão à rasquinha. Arreavam na mesma? Ou tentavam encontrar um local alternativo? E não se metam a dizer «estás a sugerir que mandemos o lixo para o mato?» porque aí já começo a ficar com vontade de vos dar uma cabeçada! E vocês hoje estão faladores, porra! O que eu quero dizer é que, se um serviço está indisponível, têm duas soluções: ou aguentam, na medida do possível, até que esteja novamente acessível, ou então procuram uma alternativa similar! E garantidamente que algures haverá um contentor que ainda possa levar com o vosso lixo, a não ser que sejam uns porcos de primeira que produzem resíduos na ordem das toneladas!
 
E não me venham dizer «Ah, queria ver se fosse contigo», primeiro porque já estou farto de vos ouvir e segundo porque durante muitos anos andei a passear lixo no carro para poder colocá-lo num Ecoponto ao pé da casa da minha sogra, pois na minha zona não existia! E a coisa por vezes corria tão mal que de vez em quando ainda encontro vestígios disso no carro! Estamos entendidos?!?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ditados rafeirosos 20


 Atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher.

Às vezes também lá está uma pequena, só que não se vê. E sou só eu a achar esta frase discriminatória para com as relações homossexuais?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Expressões estranhas, para não dizer estúpidas – Os opostos atraem-se

As pessoas têm a mania de generalizar (por generalizar entenda-se meter tudo no mesmo saco e não tornar algo ou alguém em General). Só isso pode explicar expressões parvas como “os opostos atraem-se”. Mas quais opostos? Os magnéticos? O sádico e o masoquista? O Alberto João Jardim e um discurso coerente? Portugal e a recuperação económica? É que em muitos casos não estou mesmo a ver como é que se fará a aplicação desta “lei”. Mas que seria engraçado colocar isto à prova, sem dúvida. Conseguem imaginar o José Castelo Branco com uma modelo, a Elsa Raposo com alguém sem dinheiro ou o Santana Lopes a cumprir um mandato até ao fim?

Claro que também aqui importa definir o porquê da atracção, se para o bem ou para o mal. É que, por exemplo, as cabeças dos manifestantes têm uma estranha atracção pelos bastões da polícia, ou os políticos sentem-se atraídos por pessoas honestas e crédulas.

Só posso concluir que esta é uma expressão tão ambígua que o melhor é evitá-la, por forma a não arranjar confusões. E agora, se me dão licença, vai dar na televisão o Best Of do Canal Parlamento, programa pelo qual me sinto tão atraído que não perderia por nada deste mundo!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ditados rafeirosos 19

Cão que ladra não morde

A quantidade de pessoas que vai parar ao hospital à conta deste ditado estúpido. É que não passa um dia sem que um diálogo semelhante a este suceda:
Tipo: Epá, aquele cão farta-se de ladrar, e vem a correr na nossa direcção!
Outro tipo: Não te preocupes, se ladra não morde.
Tipo: Ah, então tudo be... AHH!! Larga-me os tomates! Larga! Lindo cãozinho! Larga! Olha que tu ladraste! AAHHHHHHHHH!!!

Já o contrário é absolutamente verdade. É que os cães têm uma grande dificuldade em ladrar quando têm a boca cheia de canela ou peidola.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Traques de futebol

Sou um grande amante do chamado desporto-rei, o futebol. É algo que me encanta, a técnica dos artistas, o ambiente vivido no estádio, a bela da bejeca e do torresmo comido antes de entrar, enfim, todo o espectáculo que envolve o espectáculo. Poderia agora facilmente fazer a passagem para a minha filiação clubística, mas não o vou fazer, uma vez que pouco importa que eu seja adepto do Glorioso, sendo o assunto de que quero falar comum à maioria dos clubes.

Refiro-me às claques organizadas de futebol. A seu favor têm, sem dúvida, o de conseguirem passar o jogo inteiro a puxar pela sua equipa. Eu, ao fim de três “SLB, SLB, Glorioso SLB”, dois “Ninguém pára o Benfica, ninguém pára o Benfica” e seis ou sete “Mamífero! Filho duma grande senhora que vende o sexo a homens que não o teu pai!” fico completamente afónico, e limito-me a acompanhar o espectáculo com os olhos e umas palmas ocasionais.

E, muito sinceramente, acabaram-se aqui os aspectos positivos que encontro nas claques. É algo que não me entra na cabeça ver indivíduos que vão ao futebol e passam grande parte do jogo todo de costas para o relvado, que produzem cânticos destinados unicamente aos adversários (muitas das vezes nem é aquele que está em campo), gostam de se empurrarem uns aos outros, anseiam entrar em confronto com outras claques e, grosso modo, vêem o estádio como um campo de batalha e o adversário como um inimigo. Mas alguma vez se compreende que alguém use ao pescoço, e exiba com orgulho perante todos, não um cachecol do seu clube mas anti-outro clube qualquer? O futebol, decididamente, não é isto, mas infelizmente o QI médio reinante nas claques (ou mesmo somando o de uns quantos elementos) não é suficiente para entender algo tão simples.

Desculpem lá a seriedade do poste, mas custa-me bastante ver um espectáculo tão bonito como o futebol entregue a bichos que não têm a noção do que é efectivamente apoiar a equipa e apreciar toda a beleza de um jogo e do espectáculo em seu redor. Apetece-me dizer que o lugar de tipos como estes era não é nos estádios, mas nas Lezírias, a pastar, e só não digo porque os coitados dos touros não têm que levar com companhias destas.

No dia em que tomarem consciência disto tudo (partindo do pressuposto arriscado de que sabem ler), poderão sem dúvida apelidar-se de claque. Até lá, não passam de um traque malcheiroso...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cunhing, o passado e o futuro da gestão!

Os termos técnicos usados em gestão são giros, mesmo que utilizem o inglês. O último chavão que aprendi, por exemplo, foi o mentoring, que na prática é o mesmo que coaching, mas com pequenas diferenças que é para justificar o dinheiro pago às consultoras encarregues de implementar estes programas.

Como eu hoje até me sinto simpático, vou dizer-vos, em traços estreitos, o que trata este mentoring. Na prática resume-se a alguém que, usando a sua posição e experiência adquiridas, transmite a outra pessoa preciosos conhecimentos que lhe permitam ter mais sucesso na sua carreira. Giro, não é? As coisas que eu sei...

Ora dentro desta onda, eu proponho a criação de outro nome pomposo para uma actividade muito em voga no nosso país, especialmente nas empresas: o cunhing. Claro que não lhe podemos atribuir as habituais conotações negativas, pelo que vou tentar descrever esta expressão em linguagem de gestor:
Cunhing: filosofia empresarial que visa potenciar os colaboradores que partilham valores comuns à chefia, nomeadamente a consaguinidade. Se aplicada correctamente, a cunhing permitirá uma transferência importante de know-how empresarial, possibilitando uma continuidade no modelo de negócio, integrando com sucesso elementos que se identificam com a empresa, promovendo em simultâneo a sua ascensão vertical.

Dito desta maneira, têm de reconhecer que a velhinha cunha ganha um certo estilo, até parecendo que desempenha um qualquer papel de importância estratégica!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Toma que já levaste


 
Uma amiga minha teve a lata de me dizer que, após ler os meus dois livros, achou que no segundo estou muito mais violento. Levou logo uma cabeçada!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Então e para onde vamos stressar este ano?

Adoro viajar. Estão a ver a minha fixação em ter um plasma ou dar uma $%&#% (palavra indecifrável para prevenir possíveis agressões à minha pessoa) com a Nicole Kidman? Pois bem, viajar está bem acima da primeira e um nadinha abaixo da segunda. É viajando que sinto os meus horizontes a expandirem-se (e as tripas, quando como alguma coisa indevida), a minha cultura a aumentar e o meu apetite pela vida a ser saciado. Há quem viva para trabalhar, há quem trabalhe para viver, eu trabalho para conseguir ter dinheiro para viajar, tão simples como isto.

Claro que não é viajar por viajar, se fosse assim tão simples tirava um mês de férias, comprava o passe L123 e passava o tempo entre os terminais do Terreiro do Paço e do Barreiro. Não, viajar tem de pressupor, para além do descanso psicológico e físico, um sentimento de descoberta, de aventura. Infelizmente estes atributos nem sempre são cumpridos, pois o que no plano pode parecer uma viagem para um paraíso tropical, pode revelar-se como uma viagem para um colonato português, onde nem falta o padrão de descobrimentos, na figura de um chapéu de sol gigante da Super Bock, capaz de espalhar sombra por metade do país, sendo a aventura e a descoberta limitada à constatação de alguns dos hábitos tugas que acompanham o nosso povo nas férias.

Atenção, não me tomem como preconceituoso, tenho muito orgulho em ser português e até posso indicar mais umas dezenas de pessoas que também admiro, tenho é azar nos exemplares que por vezes encontro nas férias, os quais me fazem duvidar se o D. Afonso Henriques teria feito bem em dar porrada na mãe. Quanto aos hábitos estranhos, são inúmeros, acho que não caberiam aqui todos, pelo que vou limitar-me a enunciar os mais enervantes:
- Falar alto enquanto olham em volta. Esta prática tem como objectivo que as pessoas em redor fiquem a saber a sua nacionalidade, podendo dar origem a meter conversa e assim arranjar parceiros para jogar às cartas ou companhia nas excursões
- Atafulhar os pratos de comida como se não houvesse amanhã. Ok, a comida é à discrição, mas isso não deveria implicar que metessem tanta comida nos pratos que quase é necessário colocar umas escoras, ainda mais sabendo-se que muita dela depois fica na mesa
- Ser autoritário com os empregados. Muita desta malta passa 11 meses a receber ordens do patrão, pelo que as férias servem também para libertar a alma e provarem a si mesmos que também mandam alguma coisa. O alvo preferencial? Os empregados do hotel, estão ali mesmo a jeito pelo que toca a cascar nos tipos. Depois admirem-se de levarem algum suplemento na comida ou bebida pela qual gritaram...
- Não perceber a língua materna, optando então por ir aumentando o volume da voz, como se os decibéis funcionassem como tradutor

E muito mais haveria a dizer. Percebem agora porque é que fico contente quando constato que no meu destino de férias não há mais portugueses? É que é um período em que gosto de me afastar de tudo o que me faz lembrar casa, e só não o consigo alcançar a 100% porque a jove insiste em não me deixar ir sozinho.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado