Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Porque motivo as mulheres não participaram na Epopeia dos Descobrimentos

Sim, já sei que com um título destes o texto está, logo à partida, condenado ao desdém, negação ou mesmo a ser utilizado em limpezas corporais por parte das gaijas. Mas, quer queiram quer não, é um facto indesmentível, nunca se ouviu falar, nesses tempos gloriosos da nossa história, de nenhuma Bartolomina Dias, Vasquinha da Gama, Fernandina Magalhães, Pedrocas Álvares Cabral e assim de repente não me lembro de mais nomes.

Discriminação sexista, gritam elas, sorte genética, digo eu. É que se as mulheres tivessem sido envolvidas na descoberta de novas rotas e terras, o mais certo era ainda hoje andarmos à volta das Berlengas, que como é visível à vista desarmada (sempre adorei esta expressão, nunca imaginei que uns binóculos fossem considerados uma arma), é relativamente fácil de lá chegar, enjoos excluídos, claro.

E não amuem, gaijas, é verdade, vocês não gostam de se meterem por caminhos desconhecidos ou, quando o fazem, obrigatoriamente têm de perguntar por indicações de cinco em cinco minutos, para terem a certeza de que estão no caminho certo. Então mas havia alguma coisa melhor naquela altura do que subir para cima de uma caravela, apontar para um sítio e pensar «isto deve levar a algum lado»? Desconfio que as viagens marítimas por vezes demoravam tanto tempo apenas pelo gozo que dava andar à simples descoberta, sem obrigação de respeitar horários ou com a preocupação de acertar à primeira, já para não falar na obrigatoriedade de quando regressassem terem de jurar 528 vezes que não tinham olhado para nenhuma nativa roliça.

Agora se hipoteticamente tivesse existido uma mulher na nau do Vasco da Gama, o seguinte diálogo teria tido grandes possibilidades de se concretizar:

Gaija: Onde é que estamos?
Vasco da Gama: No mar...
Gaija: No mar vejo eu, estás perdido outra vez, não estás?
Vasco da Gama: (suspirando) Não.
Gaija: Então para onde é que estamos a ir?
Vasco da Gama: Em frente...
Gaija: E isso lá é direcção?!? Porque é que não admites que não fazes ideia para onde estás a ir?
Vasco da Gama: (bufando) Eu sei para onde quero ir, sei onde estou actualmente, como é que isso me faz estar perdido?
Gaija: Porque é que não encostas e perguntas a alguém o caminho?
Vasco da Gama: A quem, a um peixe?!? Para já o caminho ainda não foi descoberto, e vês aqui alguém num raio de quilómetros, mulher?!?
Gaija: Agora não, mas lá atrás podias ter perguntado àqueles senhores de turbante, enquanto eu aproveitava para ir ao WC e fazer umas comprinhas, nem que não fosse um tecido novo para substituir estas velas, que estão completamente fora de moda...
Vasco da Gama: Aqueles senhores eram mouros, e estavam a tentar afundar-nos o barco!
Gaija: Pois, tens sempre uma desculpa para não pedires indicações. Ao menos podias comprar um GPS para te ajudar.
Vasco da Gama: Eu já me Guio Pelo Sextante...
Gaija: Deves mesmo pensar que vais descobrir algum caminho! Razão tinha a minha mãezinha, que dizia que nem se houvesse um continente à tua frente eras capaz de dar com ele!

Percebem agora porque é que vocês ficavam em terra, gaijas?

Até sempre e um bom ano!
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

O Pai Natal existe?

Véspera de Natal. Por todo o lado vive-se um ambiente mágico, com decorações natalícias, compras, desejos de boas festas e outras cenas que fazem pensar que a humanidade ainda tem escapatória. Mas não na casa da Etelvinazinha, apanhada em cheio pela crise que lhe estrafega os sonhos de criança. Na sua cama, alheia ao drama que se desenrola à sua volta, a pequena sonha com o Pai Natal, agarrando-se à esperança de o ver colocar uma prenda no seu sapatinho. A mãe dirige-se ao quarto da filhota, para ver se o nervosismo não lhe tinha roubado o sono.
Mãe: Amorzito, então ainda acordada?
Filha: Sim, mamã, não consigo parar de pensar que daqui a nada está aí o Pai Natal!
Mãe: Sabes, acho que é chegada a altura de termos uma conversinha...
Filha: Sobre o quê, mamã?
Mãe: Sobre o Pai Natal. Já tens cinco anos, tens de saber a verdade.
Filha: Então conta, mamã!
Mãe: É que, este ano o Pai Natal não vem trazer-te prendas.
Filha: Não?!? Mas eu portei-me tão bem! Sniff....
Mãe: Eu sei, filhota, não é por isso. A verdade é que o Pai Natal meteu-se em sarilhos.
Filha: Atão?
Mãe: Começou a sentir-se inseguro em relação ao seu aspecto, pelo que optou por fazer uma lipoaspiração, numa clínica privada. Só que como o seu sistema de saúde era o da Segurança Social, teve de fazer um empréstimo com juros altíssimos para pagar a operação. Como o seu salário não dava para cobrir o valor da prestação, o banco foi forçado a penhorar-lhe as renas e o trenó e, mais tarde, a executar-lhe a hipoteca sobre a oficina. Foi então que o Pai Natal se viu com um emprego onde lhe pagavam mal, cheio de dívidas e outra vez com barriga, pois com o desgosto entregou-se à bebida. Acabou por ser preso por não pagar a conta do bar onde se enfrascava todas as noites. Na prisão foi introduzido em práticas menos naturais, e acabou por se viciar em droga. Actualmente encontra-se num programa de reinserção social, sobrevivendo à custa do rendimento mínimo garantido, enquanto vai fazendo mais uns trocos como arrumador de carros, que sempre vai dando para a dose diária. E é por isto que não deves esperar que o Pai Natal apareça este ano, nem eu o deixava entrar cá em casa.
Filha: Chuif... Mamã, o Pai Natal não existe, pois não?
Mãe: Infelizmente existe, filhota, é o sacana do teu pai.

Que o vosso Pai Natal seja menos real do que este! BOAS FESTAS!
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Deslarguem-me!

Este é o último fim-de-semana antes do Natal, pelo que vou andar bem longe dos Centros Comerciais. É que com a loucura de compras que existe por esta altura nesses espaços, tenho medo que alguém me agarre e quando der por mim estou debaixo de uma árvore de Natal, embrulhado e com um laço na cabeça.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Torces o tanas!

É comum ouvir pessoas que têm discussões comigo dizerem “tenho de dar o braço a torcer”. Apesar de me alegrar o significado da expressão, de que são umas cavalgaduras e que nunca deveriam ter duvidado dos meus argumentos, fico a pensar que está aqui mais uma expressão parvinha, ainda mais porque estas mesmas pessoas fogem quando lhes tento agarrar o braço. Cambada de mariquinhas...

Se isto fosse levado à prática, o número de inválidos por esse mundo fora, só à conta de braços torcidos, ascenderia a umas boas centenas, sendo que só em Portugal seriam uns quantos milhões! E não será esta expressão uma reminiscência de tempos antigos, onde o erro implicava castigos corporais, tal como a sua irmã “dar a mão à palmatória”? Quer dizer, gosto de pensar que a sociedade actual evoluiu ao ponto de, quando alguém reconhece que está errado, um simples pedido de desculpa serve perfeitamente, pois quando a asneira é grande, o que dá vontade de torcer é o pescoço, não um mísero braço.

Por outro lado, temos aquelas pessoas de quem se diz serem “torcidas”, ou seja, terem um feitio complicado. Será que estas pessoas nasceram assim ou apenas desenvolveram o mau feitio por lhes torcerem repetidamente o braço ou mesmo outros apêndices? E agora que penso nisto, a minha mãe costuma costurar uns rolos para tapar as frestas das portas, que ela chama de torcidas. Querem ver que o recheio daquela treta não é areia, como eu sempre pensei?!?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

As sereias não existem

Quando estou entre amigos raramente falo de trabalho, pois acho que cada tema tem o seu lugar. Assuntos sérios, como a flutuação da taxa de juro, a evolução da dívida pública ou a carreira do SLB no campeonato ficam reservadas para o trabalho, enquanto assuntos mais ligeiros, como os buracos madeirenses, são para abordar nos tempos livres, com a malta amiga.

No entanto, de tempos a tempos, há um ou outro animal que se esquece disto, e lá se dá uma ou outra discussão mais acalorada. Como devem saber, pertenço à classe laboral que é vista como a besta negra da crise, a banca. Pouco importa se os verdadeiros centros de decisão estão longe, se o contributo da banca nacional para a crise mundial é diminuto, para algumas mentes menos iluminadas somos a personificação do mal, os corruptores de inocentes, aliciando-os com soluções fáceis que desgraçam a sua economia familiar tão habilmente planeada.

Recentemente um destes meus amigos resolveu confrontar-me com isso mesmo, de que o endividamento das famílias portuguesas se devia aos Bancos, que com as suas promoções de créditos levavam os incautos a cederem à tentação do consumo. De nada valeu dizer que o público-alvo dos créditos são adultos responsáveis, que deverão saber fazer contas entre o que recebem e o que têm de pagar, pois para ele era como se os bancos cantassem como sereias, enfeitiçando os clientes e os levassem a desejar ter aquele plasma ou fazer aquela viagem à República Dominicana, sem perceberem que depois teriam de pagar o crédito recebido. Foi então que a coisa azedou:
Rafeiro: Sendo assim, também acabaste de descobrir o culpado pela sinistralidade rodoviária.
Amigo parvo: Quem?!?
Rafeiro: Os stands de automóveis. Na prática estão a vender um produto a alguém que aparentemente pode e sabe utilizá-lo, mas que depois de o ter na mão só faz asneiras. Se os stands não vendessem carros, não haveria tantos acidentes, assim como se os bancos não concedessem tanto crédito, não haveria tantas dívidas.
Amigo parvo: Isso é um bocado estúpido.
Rafeiro: Só porque tentei dar um exemplo que conseguisses perceber.

Se Portugal está no estado em que está é porque o caminho mais fácil para a maioria das pessoas é culpar terceiros, em vez de assumirem as suas próprias responsabilidades. Já o faziam as donzelas de antigamente, quando a perda da sua pureza era justificada por um qualquer falo alado que lhes tinha entrado pela janela. Continuam a fazê-lo os governos, justificando a sua inabilidade para com os problemas com a herança deixada pelo governo anterior. E mais exemplos haveria, mas por causa da minha Internet ser tão lenta não consegui fazer toda a pesquisa que queria...

Se existem inocentes nesta história? Claro que não, mas tão pouco existem sereias, apenas irresponsáveis desejosos de as ouvir.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Marketing confuso

Alguém me sabe dizer, em termos de custos, qual é a diferença entre a publicidade e a publialdeia?
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Entrevistas do Etelvino - A minha mão direita é gay!

Etelvino: Olá, baratos telespectadores, e sejam bem-vindos a mais um programa As madrugadas do Etelvino, o programa de eleição das pessoas que confundiram a garrafa de sumo com o termo do café! Hoje temos um programa tão bom que até me dói falar nele. Ah, esperem, estava sentado em cima do auricular... mas mesmo assim temos um programa fabuloso, com a actuação do Rancho Folclórico Os Bimbos da Beira Quase Litoral e a apresentação do novo livro do famoso escritor de que agora não me lembro o nome. Mas antes vamos falar com o nosso entrevistado, o senhor Idalécio Pamonha, que tem uma história curiosa para nos contar!

Idalécio: Boa madrugada, Etelvino. Eu não lhe chamaria curiosa, é bastante dramática...

Etelvino: Dramática é se fosse comigo, como se passa consigo é automaticamente curiosa. Mas diga-nos lá o que o aflige...

Idalécio: É que eu tenho uma mão gay.

Etelvino: Uma mão?!? A mesma que me estava a acariciar o joelho na maquilhagem?

Idalécio: Essa mesma, a malvada.

Etelvino: Então e quando é que se deu conta disso?

Idalécio: Eu era um tipo perfeitamente normal, sabe, mandava os meus piropos, dava umas chapadas nas namoradas, só que um dia ia a passear de bicicleta na rua, vi uma peidola toda apetitosa e nem pensei duas vezes, TUNGA, o apalpão da praxe! Só quando passei pela tipa é que lhe olhei para a tromba, a ver se tinha gostado. Qual não foi o meu espanto quando vi que a gaija tinha barba! Devia ser proibido, homens usarem cabelo daquela maneira, é que enganam pessoas sérias como eu!

Etelvino: Mas foi só isso? Eu farto-me de cometer esse erro...

Idalécio: Eu também pensei que não tinha sido nada de mais, afinal errar é humano, só que a sacana da mão gostou, não sei se da consistência da nádega, se do quê, e desde então não quer outra coisa que não gaijos!

Etelvino: E em que medida é que isso lhe perturbou a vida?

Idalécio: Está a dar cabo de mim! Deixei de poder ir a urinóis, por exemplo, pois a sacana da mão em vez de segurar o meu instrumento tenta segurar o que está ao lado! E nos balneários? É um vê se te avias! Amigos meus começaram a olhar-me de lado, pois é normal haver certas brincadeiras, só que a partir do 18º apalpão até eu desconfiava, não é? Ir às compras é outro martírio, a esquerda a meter no carrinho de compras a GQ e Playboy enquanto a direita tenta comprar cremes, exfoliantes e outras mariquices!

Etelvino: E não consegue controlar a mão? E pare de me mexer no joelho!

Idalécio: Então e acha que eu não tentei? Ao princípio a esquerda ainda mantinha quieta a direita, mas quando esta lhe começou a fazer festinhas pirou-se, agora passa a vida ou no bolso ou atrás das costas, com medo. Então se uma começa a tentar agarrar a outra, dou por mim pareço um pião!

Etelvino: É grave, sem dúvida, não tão grave como o que lhe acontecerá se me volta a apalpar...

Idalécio: Peço desculpa, é esta tarada, que não respeita nada nem ninguém.

Etelvino: Mas agora estava-me a mexer com a esquerda!

Idalécio: Está a ver? Isto pega-se!

Etelvino: Vamos então para intervalo, não saia daí que nós voltamos já, é só o tempo de ir fazer uma mijinha e encontrar uma motosserra!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado


Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

Era uma vez um feriado...

Recordem bem este dia, pois será possivelmente a última vez que o gozarão como feriado. Tal como ele, mais três irmãos foliões vão ser abatidos, englobados nesse esforço titânico que é tentar devolver a competitividade ao nosso país.

Estou completamente de acordo em relação à supressão destes feriados. Se formos a ver, serviam para quê? Passar tempo com a família? Plantar hortaliças no Farmville? Ir praticar actividades ao ar livre? Por favor, ainda ficávamos com a ideia que o nível de vida era aceitável, o que não é de todo aconselhável para enfrentar os desafios que temos pela frente, dos lados e por trás.

Fazendo uma análise fria dos feriados sacrificados, tenho de reconhecer que foram bem escolhidos. Ora vejam:
15 de Agosto – Assunção de Nossa Senhora. Durante muito tempo pensei que era o feriado da Nossa Senhora da Assunção, e só após pesquisar é que fiquei a saber que se trata, afinal, da elevação de Maria em corpo e alma à eternidade, para junto de Deus, de forma definitiva. Ora aí está, de forma definitiva. Quantas coisas definitivas é que são feitas anualmente? Vai uma vez e acabou-se, sempre se poupa no passe social!

5 de Outubro – Implantação da República. Isto de República já tem muito pouco, pois o que se vê são pequenos reinos, com os seus senhores a governarem como bem lhes convém, com sucessões dinásticas e justiças distintas conforme a sua classe social (ou conta bancária). Desta forma, mais vale assumir que a República está efectivamente moribunda, pelo que mais vale meter-lhe uma almofada na tromba de uma vez por todas.

Feriado Móvel do Corpo de Deus. Este é dos mais perigosos, pois contamos com ele num sítio e damos por ele está noutra semana. No fundo está-se a comemorar uma falsidade. Se Deus é uma entidade divina, incorpórea, por que carga de água é que se comemora o seu corpo? Tangas de preguiçosos, é o que é!

1 de Dezembro – Restauração da Independência. Quanto a este feriado tenho esperança que um dia volte a ser celebrado, não em relação ao domínio espanhol mas em relação a quem nos verdadeiramente roubou a independência, e de uma forma tão subtil que nem demos por ela. Pode ser que nessa altura possamos voltar a considerar-nos um país à séria.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado