Sim, já sei que com um título destes o texto está, logo à partida, condenado ao desdém, negação ou mesmo a ser utilizado em limpezas corporais por parte das gaijas. Mas, quer queiram quer não, é um facto indesmentível, nunca se ouviu falar, nesses tempos gloriosos da nossa história, de nenhuma Bartolomina Dias, Vasquinha da Gama, Fernandina Magalhães, Pedrocas Álvares Cabral e assim de repente não me lembro de mais nomes.
Discriminação sexista, gritam elas, sorte genética, digo eu. É que se as mulheres tivessem sido envolvidas na descoberta de novas rotas e terras, o mais certo era ainda hoje andarmos à volta das Berlengas, que como é visível à vista desarmada (sempre adorei esta expressão, nunca imaginei que uns binóculos fossem considerados uma arma), é relativamente fácil de lá chegar, enjoos excluídos, claro.
E não amuem, gaijas, é verdade, vocês não gostam de se meterem por caminhos desconhecidos ou, quando o fazem, obrigatoriamente têm de perguntar por indicações de cinco em cinco minutos, para terem a certeza de que estão no caminho certo. Então mas havia alguma coisa melhor naquela altura do que subir para cima de uma caravela, apontar para um sítio e pensar «isto deve levar a algum lado»? Desconfio que as viagens marítimas por vezes demoravam tanto tempo apenas pelo gozo que dava andar à simples descoberta, sem obrigação de respeitar horários ou com a preocupação de acertar à primeira, já para não falar na obrigatoriedade de quando regressassem terem de jurar 528 vezes que não tinham olhado para nenhuma nativa roliça.
Agora se hipoteticamente tivesse existido uma mulher na nau do Vasco da Gama, o seguinte diálogo teria tido grandes possibilidades de se concretizar:
Gaija: Onde é que estamos?
Vasco da Gama: No mar...
Gaija: No mar vejo eu, estás perdido outra vez, não estás?
Vasco da Gama: (suspirando) Não.
Gaija: Então para onde é que estamos a ir?
Vasco da Gama: Em frente...
Gaija: E isso lá é direcção?!? Porque é que não admites que não fazes ideia para onde estás a ir?
Vasco da Gama: (bufando) Eu sei para onde quero ir, sei onde estou actualmente, como é que isso me faz estar perdido?
Gaija: Porque é que não encostas e perguntas a alguém o caminho?
Vasco da Gama: A quem, a um peixe?!? Para já o caminho ainda não foi descoberto, e vês aqui alguém num raio de quilómetros, mulher?!?
Gaija: Agora não, mas lá atrás podias ter perguntado àqueles senhores de turbante, enquanto eu aproveitava para ir ao WC e fazer umas comprinhas, nem que não fosse um tecido novo para substituir estas velas, que estão completamente fora de moda...
Vasco da Gama: Aqueles senhores eram mouros, e estavam a tentar afundar-nos o barco!
Gaija: Pois, tens sempre uma desculpa para não pedires indicações. Ao menos podias comprar um GPS para te ajudar.
Vasco da Gama: Eu já me Guio Pelo Sextante...
Gaija: Deves mesmo pensar que vais descobrir algum caminho! Razão tinha a minha mãezinha, que dizia que nem se houvesse um continente à tua frente eras capaz de dar com ele!
Percebem agora porque é que vocês ficavam em terra, gaijas?
Discriminação sexista, gritam elas, sorte genética, digo eu. É que se as mulheres tivessem sido envolvidas na descoberta de novas rotas e terras, o mais certo era ainda hoje andarmos à volta das Berlengas, que como é visível à vista desarmada (sempre adorei esta expressão, nunca imaginei que uns binóculos fossem considerados uma arma), é relativamente fácil de lá chegar, enjoos excluídos, claro.
E não amuem, gaijas, é verdade, vocês não gostam de se meterem por caminhos desconhecidos ou, quando o fazem, obrigatoriamente têm de perguntar por indicações de cinco em cinco minutos, para terem a certeza de que estão no caminho certo. Então mas havia alguma coisa melhor naquela altura do que subir para cima de uma caravela, apontar para um sítio e pensar «isto deve levar a algum lado»? Desconfio que as viagens marítimas por vezes demoravam tanto tempo apenas pelo gozo que dava andar à simples descoberta, sem obrigação de respeitar horários ou com a preocupação de acertar à primeira, já para não falar na obrigatoriedade de quando regressassem terem de jurar 528 vezes que não tinham olhado para nenhuma nativa roliça.
Agora se hipoteticamente tivesse existido uma mulher na nau do Vasco da Gama, o seguinte diálogo teria tido grandes possibilidades de se concretizar:
Gaija: Onde é que estamos?
Vasco da Gama: No mar...
Gaija: No mar vejo eu, estás perdido outra vez, não estás?
Vasco da Gama: (suspirando) Não.
Gaija: Então para onde é que estamos a ir?
Vasco da Gama: Em frente...
Gaija: E isso lá é direcção?!? Porque é que não admites que não fazes ideia para onde estás a ir?
Vasco da Gama: (bufando) Eu sei para onde quero ir, sei onde estou actualmente, como é que isso me faz estar perdido?
Gaija: Porque é que não encostas e perguntas a alguém o caminho?
Vasco da Gama: A quem, a um peixe?!? Para já o caminho ainda não foi descoberto, e vês aqui alguém num raio de quilómetros, mulher?!?
Gaija: Agora não, mas lá atrás podias ter perguntado àqueles senhores de turbante, enquanto eu aproveitava para ir ao WC e fazer umas comprinhas, nem que não fosse um tecido novo para substituir estas velas, que estão completamente fora de moda...
Vasco da Gama: Aqueles senhores eram mouros, e estavam a tentar afundar-nos o barco!
Gaija: Pois, tens sempre uma desculpa para não pedires indicações. Ao menos podias comprar um GPS para te ajudar.
Vasco da Gama: Eu já me Guio Pelo Sextante...
Gaija: Deves mesmo pensar que vais descobrir algum caminho! Razão tinha a minha mãezinha, que dizia que nem se houvesse um continente à tua frente eras capaz de dar com ele!
Percebem agora porque é que vocês ficavam em terra, gaijas?
Até sempre e um bom ano!
Rafeiro Perfumado







