Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Estás a espreitar para onde, pá?!?

Que atire a primeira pedra quem nunca espreitou a indumentária/físico de outra pessoa. Bem me parecia, cambada de voyeurs. Só vos perdoo porque não só eu pertenço ao grupo dos espreitadores como ainda tenho bem presentes as palavras do padre que me deu um curso pré-matrimonial (que foi só conversa, nada de exercícios práticos):
- Não há nada de errado em olhar para outras pessoas. Deus fez criaturas tão lindas, porque não admirá-las? Também fez outras que coitadas, mas pronto...

Tudo assenta na forma e na intenção com que se espreita. A própria palavra espreitar tem uma conotação pouco positiva, mas representa bem o que se faz. Claro que há os discretos, que se aproveitam das sombras, dos reflexos, dos seres que se cruzam com o seu raio de visão e depois há aqueles que até torcem o pescoço ao melhor estilo do exorcista, podendo mesmo acompanhar o miranço com uivos e baba descontrolada.

Na minha opinião, olhar para um decote mais atrevido ou para uma racha mais ousada não pode nem deve ser censurado. É como quando passamos por uma casa e a janela está aberta, o facto de olharmos lá para dentro não quer dizer que nos queiramos afiambrar ao plasma ou gamar os candeeiros. Quanto muito olhamos para admirar o bom gosto do morador, gozar com os cortinados ou tirar alguma ideia que gostaríamos de ver na nossa própria decoração!

Claro que no outro lado temos aquelas pessoas que mesmo que se vistam de verde alface e usem um cinto como saia não toleram que se olhe para elas, gritando “para onde é que estás a olhar?!?”. Em muitos casos nem é uma questão de estar a espreitar, é uma questão de física, pois determinadas indumentárias sugam a visão tal como um buraco negro suga a luz. Ok, má analogia, mas deu para perceber, certo? E o que é que essas pessoas preferiam, que a malta tapasse os olhos e avançasse às apalpadelas? Cheira-me que o caso em tribunal poderia ser bem mais sério...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

And the winner is...

Pois é, não ganhei o concurso do melhor blog de 2011 mas fiquei num honroso 2º lugar. Quero pois agradecer a todos aqueles que votaram durante a última semana neste blog, mesmo sabendo que a possibilidade de êxito era mínima, tal a diferença para o primeiro classificado.

Se gostava de ter ganho? Claro, estão parvos, ou quê? Simplesmente o sucesso neste género de concursos assenta mais na capacidade de melgar os amigos do que na qualidade do blog. Como tal (e com isto não estou a tirar o mérito aos vencedores), fico contente pelo meu lugar e por constatar que este blog ainda tem um bom grupo de fãs. E agora a vida continua!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

E tu, onde te encaixas?

Perante uma determinada situação, cada pessoa reage de forma diferente ou é levada a reagir de forma distinta. Especialistas da matéria até criaram nomes para isso, como personalidade ou individualidade.

Acreditando nisso, peço-te que da seguinte lista vejas qual é a melhor forma de te levar a reagir:
a) Ameaça
b) Súplica
c) Graxa
d) Suborno
e) Reciprocidade
f) Promessa sexual
g) Outra

Já está? Então agora vê APENAS a frase que te diz respeito:
a) Ou vais aqui votar neste blog ou descubro onde moras e programo-te todos os canais da televisão no Canal Parlamento, além de espalhar pela vizinhança que achaste bem as últimas declarações do Cavaco!
b) Votar no blog do Rafeiro Perfumado (aqui) contribuiria para dar um pouco de cor à minha vida cinzentona (não esquecer que os rafeiros vêem tudo monocromático). Vá lá, por favor, faz um rafeiro feliz!
c) Certamente que uma pessoa tão culta, inteligente e bonita como tu compreenderá que a melhor escolha para o melhor blog na categoria Humor é este. Referi que te acho o máximo?
d) Estás cá com uma sorte. Já viste bem o prémio? Aquilo nem no mercado negro vale uma Happy Meal!
e) Se votares em mim prometo atender a pedidos semelhantes durante 43 dias, mesmo que isso implique votar no melhor graffiti feito em Chelas, na esquina entre as ruas Naifada e Arrebenta a ATM
f) Tenho uns quantos amigos e amigas ainda disponíveis, prometo dar-te os contactos, basta votares em mim. Não estavas à espera que eu estivesse envolvido, pois não? Isto é suposto convencer-te, não desincentivar-te!
g) Vai lá votar e deixa-te de tretas, pá!

Seja qual for a categoria, uma coisa posso assegurar: agradecerei sinceramente a quem me honrar com o seu voto, prometendo não deixar que a fama e a riqueza provenientes deste concurso me subam à cabeça ou a outro sítio qualquer.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cenas com línguas

Calma, taradões, sossegou, parou! Por cenas entenda-se expressões populares que envolvam a língua, mais precisamente sem papas na língua, língua de trapo e não me puxes pela língua. Há outras, pois claro que há, mas tentemos manter o nível, ok?

Vamos então por partes. Sem papas na língua pretende retratar alguém que não tem receio de dizer o que pensa, independentemente daquilo que diz ser correcto ou não. Mas se assim é, porque raio associar a boa educação ou a fome ao dizer o que se pensa? Não percebo por que motivo é que uma pessoa que fala sem ter comida na boca é apelidada de frontal, apesar de concordar que se alguém tentasse defender uma opinião com a boca cheia de papa perderia toda a credibilidade, além de ser nojento e perigoso para a roupa da plateia. Por outro lado, não tendo papas na língua pode simplesmente optar por remeter-se ao silêncio, o que contraria o espírito da expressão, ainda mais sabendo que a ausência de comida pode toldar o raciocínio, tornando o discurso incongruente ou mesmo impossível. A não ser que a palavra papa tenha alguma conotação religiosa, mas acho que prefiro não ir por aí, as imagens que acabaram de se formar na minha cabeça são demasiado dolorosas e badalhocas para as partilhar com quem quer que seja.

Quem costuma ser linguarudo leva com o rótulo de língua de trapo, querendo significar alguém que não consegue guardar um segredo, que fala demasiado, enfim, um fala-barato (também é uma expressão interessante mas não o suficiente para a desenvolver, pelo menos para já). Mas vamos lá a sentar (outras posições também são admitidas) um bocadinho e pensar na expressão. Alguma vez uma pessoa com uma língua feita de trapo conseguiria falar? Aquilo acabaria por ficar empapado em saliva e a única coisa que se perceberia seria MUNHOFOMOFEME, com muitos perdigotos à mistura. E desde quando os trapos estão associados à conversa? Só os pobrezinhos é que dizem cusquices, é? Estarão os trapos associados ao fala-barato? Ou o facto de serem trapos significa que estão todos rotos e as palavras escapam pelos buracos?

Por último, o não me puxes pela língua. Costuma dizer-se isto em tom de ameaça, como que insinuando que caso não nos portemos bem com alguém, essa pessoa poderá dizer-nos algo que não queiramos ouvir ou que seja de domínio público. Pois bem, eu desafio, aqui e agora, quem quer que seja que tenha segredos sobre mim a dizer-me tal coisa. Sempre quero ver como é que conseguirás espalhar o segredo comigo a puxar-te a língua até esta chegar à tua testa...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: Não que eu tenha algo a esconder que me envergonhe, mas pelo sim pelo não, antes de dizerem o segredo falem comigo, está bem?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Come por tua conta e risco

Para mim o croquete é o Fiat 600 da pastelaria. Mesmo que tenha sido feito no próprio dia, tem sempre um aspecto surrado, velho e capaz de parar a qualquer momento, neste caso a digestão.
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Contra a Desertificação Humana

A desertificação humana do interior do nosso país sempre foi um grande problema, problema esse que continua bem vivo nos dias de hoje.

Sabedor desse facto, resolvi ir ver um exemplo de sucesso nesta guerra, viajando até à distante terra de Paradança, onde, miraculosamente, parece ter sido descoberto o antídoto para esta praga, conseguindo estancar a hemorragia demográfica vivida até então. Fica aqui o registo da entrevista realizada com o presidente da Junta de Freguesia:
Repórter: Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Paradança, conte-nos então o segredo graças ao qual as pessoas se mantêm fiéis à vila de Paradança.
Presidente da Junta de Freguesia de Paradança: Olhe, isto foi complicado, sabe? E não foi uma coisa que se tenha conseguido assim de um dia para o outro, ainda demorou umas horitas a implementar.
R: Há quanto tempo não existe um abandono da terra por parte dos seus habitantes?
PJFP: Desde Domingo passado, depois da missa, que foi quando o sistema foi implementado.
R: E no que é que consiste então esse sistema?
PJFP: Olhe, nós antes tentámos de tudo, oferta de emprego aqui na Junta, entradas à borla para o Recreativo local, umas sessões grátis na casa da Ti Engrácia, mas nada parecia resultar. Era a malta virar costas e vuuuuuu, lá ia outro sacana a fugir para o estrangeiro ou para as cidades grandes. Foi então que me lembrei de uma solução muito mais simples: cordas. Bastou atar uma ao pé de cada habitante e nunca mais ninguém desertou aqui de Paradança!
R: Então mas as pessoas não tentam desatar a corda, ou cortá-la?
PJFP: Tentam, mas aí levam umas cachaporradas valentes e não voltam a tentar. E se voltam, como ficam a coxear, é mais fácil apanhá-los.
R: E as pessoas têm reagido bem a esta medida?
PJFP: Pois claro! Veja o exemplo aqui deste jove. Tem um raio de acção de 58 metros, o que lhe permite ir trabalhar ali nas obras, ir à missa e ali à mercearia, que por acaso até é da minha mulher.
R: E claro que consegue chegar até à casa dele...
PJFP: Quase, ninguém disse que o sistema é perfeito. Tem de dormir na soleira da porta, mas os serviços da Junta já estão a providenciar a colocação de um tapete mais fofinho. Chato é a casa de banho, o rapaz só lá consegue chegar de esguicho e apenas quando a vizinha vem à rua com uma saia mais curta, nas outras vezes sempre vai regando a couve e a hortaliça do quintal.
R: E existe algum outro inconveniente?
PJFP: Bom, realmente na hora de ponta costuma haver uns quantos nós ali para os lados da Praça Central, mas já estamos a dar formação em bilros à nossa GNR, não tarda nada ainda fazemos disto uma atracção turística.
R: Só mais uma questão, porque é que o senhor me atou essa corda ao pé?
PJFP: Porque além de querermos evitar a desertificação, também queremos repovoar a vila, e está-me cá a parecer que o senhor vai dar um excelente marido para a minha Célita.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A contra-vingança, arraçada de calota polar

Uma vez que após a publicação da segunda parte do plano para me vingar dos meus pais eles me tiraram do testamento (além de me terem dado umas palmadas e me terem metido uma semana de castigo, sem direito a sobremesa ou Internet), resolvi ocupar o meu tempo livre a pensar no que é que os pais poderiam fazer para darem o troco aos filhos. Assim, e para os pais que já sentiram na pele os planos maquiavélicos dos filhos sedentos de vingança, aqui fica a oportunidade de replicarem à altura. Como pagamento só vos peço que não digam nada disto aos meus pais, ok? É que os sacaninhas eram bem capazes de fazerem alguma destas coisas...

1º Essa é a minha!
Pai: Ó filho, olha a tua mãe!
Mãe: Filhinho, olha o teu pai!
Filho: Mas o que é que se passa aqui? Será que não vos posso deixar dois minutos sozinhos e põem-se logo a discutir?
Pai: É ela, que insiste em usar a minha cadeira!
Mãe: Esta cadeira é a minha, seu velho caduco!
Filho: Mas quantas vezes eu tenho de vos dizer que as cadeiras são I-G-U-A-I-S?!? Parem lá com isso e sentem-se de uma vez, que a comida está a arrefecer!

2º Veja lá se o chama à atenção
Responsável: Sr. Etelvino, tive de o chamar cá porque o seu pai anda a portar-se mal, se isto continua assim vou ter de o expulsar...
Etelvino: Outra vez? Mas eu conversei tanto com ele, tinha-me prometido que se ia portar bem! O que é que ele fez desta vez?
Responsável: O de sempre, apalpa as assistentes, desaparafusa as rodas das cadeiras dos colegas, faz barulho na hora da sesta, enfim, um total desrespeito pela autoridade. Ou consegue meter-lhe juízo na cabeça ou vai ter de procurar outro asilo, é que os filhos dos outros idosos já se começam a queixar da má influência que o seu pai exerce sobre os outros...

3º Falta muito?
Mãe: Falta muito, filho? É que acho que tenho de ir à casa de banho...
Filho: Outra vez?!? Mas se eu nem sequer liguei o motor do carro!

4º Blergh, isso é horrível!
Pai: Epá, isto é horrível!
Filho: Mas nada do que eu faço está bem? Além de que os brócolos fazem-te bem!
Pai: Não como, não como, não como, depois ainda começo a cagar verde!
Filho: Vá lá, só mais quatro garfadas...
Pai: Uma!
Filho: Duas e um golo do sumo de laranja...
Pai: Duas e nada de sumo!

5º Vá lá, vá lá, vá lá!
Mãe: Filho, sabes o que é que eu queria mesmo? Um cão!
Filho: Nem penses nisso, depois quem tem de tratar dele sou eu, não é? Já para não falar da despesa com comida, com o veterinário, aturar as reclamações dos vizinhos, etc.
Mãe: Mas eu quero um! Todos os meus amigos têm um, e fazia-me companhia! Vá lá, eu prometo que trato dele!
Filho: Está bem, mas algo me diz que me vou arrepender...

6º Pára quieto!
Filho: Pai, não saias de ao pé de mim, quantas vezes é que tenho de te dizer?!?
Pai: Mas eu estou mesmo aqui...
Filho: E não corras, que esbarras nas pessoas! E não mexas nisso, sabes lá por onde é que isso andou! Anda cá, porra!

7º Não me desgraces
Pai: Ó filho, aquela boazona ali do outro lado da rua não é a tua colega?
Filho: É pai, mas não apontes...
Pai: Epá, mas que grande par de glândulas mamárias que a tipa tem!
Filho: Já vi, mas não grites e pára de apontar, que ela ainda vê, queres envergonhar-me?!?
Pai: Mas olha, olha!

8º Não posso ver um bocadinho?
Filho: Mãe, posso só ver uma coisa na televisão?
Mãe: Desculpa lá, mas agora está a dar a Praça da Alegria!
Filho: Mas eu queria ver o debate sobre o impacto do memorando da Troika na nossa economia...
Mãe: Quero lá saber da troika! Estou a ver o Luís Goucha a falar com esta pobre senhora, que tem o gás cortado há mais de dois meses, coitadinha!
Filho: Pronto, vê lá isso. Mas ao menos posso mudar a música? Já estou farto de ouvir este CD do Rancho Folclórico de Ranholas!
Mãe: Eu gosto desse, faz favor vai entreter-te para outro lado!

9º Outra vez?!?
Pai: Filho, filho, podemos entrar?!?
Filho: Hã? Quê? Que foi?!?
Pai: Chega-te para lá, deixa-nos entrar na cama!
Filho: Mas são três da manhã, e não tarda nada tenho de me levantar para ir trabalhar!
Mãe: Mas ouvimos um barulho, e ficámos com medo de dormir sozinhos! Agora caladinho e passa para cá a almofada!

10º Dia de São Nunca, pela fresquinha
Pai: Filho, nunca mais me levaste ao teu emprego, e eu gostei tanto...
Filho: É que nem penses, ainda hoje falam da última vez que lá te levei.
Pai: Mas eu até me portei bem!
Filho: Se por portares bem achares o encravar as duas fotocopiadoras, entornar líquido corrector em cima do relatório do meu colega, desligares os teclados e os ratos de todos os computadores e chamares careca ao meu chefe...

11º E tempo para mim?
Mãe: Filho, no próximo fim de semana preciso que nos leves à festa de aniversário da minha amiga Geraldina.
Filho: Mas existe algum fim de semana em que vocês não tenham festas?!? Ao menos nesta posso entrar e comer qualquer coisa?
Mãe: Aquilo não tem lá pessoas da tua idade, esperas no carro, faz favor.
Pai: Ah, e hoje precisamos de boleia para o cinema.
Filho: Qual é o filme? Se calhar também vou ver.
Pai: Não sei se os nossos amigos se sentiriam à vontade contigo, até podes ir, mas vais para outra sala, depois encontramo-nos no fim.

12º Está bem, agora cala-te!
Pai: Leva este, leva este!
Filho: Pai, esse é muito mais caro, este é exactamente igual e está em promoção.
Pai: Mas eu gosto é deste! DESTE!
Filho: Mas se a marca é a mesma, só que esta embalagem é familiar, porque raio hás-de querer essa apenas com três?
Pai:Porque sim, porque sim, porque sim! E porque este traz um brinde!

13º Eu não conheço esta gente
Filho: Mas vocês param quietos?
Pai: Eu estou quieto, a tua mãe é que atirou o pão!
Mãe: E tu derrubaste o copo de água de propósito, que eu bem vi!
Filho: E falem baixo, está o restaurante todo a olhar para nós!
Pai: EU ESTOU A FALAR BAIXOOOOOO!
Mãe: EU TAMBÉEEEEEMMMM!!!!

14º Não podes esperar um bocadinho?
Mãe: Filho, ouve-me!
Filho: Só um bocadinho...
Mãe: Mas ouve lá!
Filho: Espera, estou só a acabar isto...
Mãe: Vá lá, ouve-me! Ouve-me!
Filho: Pronto, o que é que é assim tão urgente?!?
Mãe: Esqueci-me...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

E assim acabou uma linda relação

Uma vez estava na praia com uma namorada quando ela me pergunta:

Ela: O que poderia fazer para te tornar mais feliz?
Eu: Nada.

Vai daí atirou-se ao mar e nunca mais a vi...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A vingança serve-se muito fria, assim a modos que a roçar o gelado – Parte II


O giro de fazer um texto com as palavras «Parte II» é levar as pessoas a perguntarem «e onde é que eu posso fazer um corte de cabelo tão fantástico como o teu» e, colateralmente, aguçar a curiosidade em relação ao paradeiro da «Parte I». Seria uma excelente técnica de cross seling dizer que a outra parte foi publicada no livro Rafeiro Perfumado - A minha vida dava um blog, mas tenho os meus princípios, pelo que não o vou fazer. Só posso adiantar que até era mais gira do que esta...
Como consequência de nos primeiros anos estarmos totalmente dependentes dos pais (actualmente acho que a idade de emancipação vai nos 58 anos), temos de suportar certas atitudes. Se algumas são compreensíveis, como não espancar professores ou atirar pedras ao BMW do vizinho, já outras são, no mínimo, discutíveis. E o que é que isso merece? Exacto, vingança, a ser exercida quando eles passarem a estarem dependentes dos filhos. Aqui fica uma lista do que espera os meus:
1º Ai tão lindos que ficam
Pai: Ó filho, esta roupa é um bocado ridícula...
Filho: Disparate, se serviu ao bisavô Idalécio também te serve a ti!
Mãe: Mas é mesmo preciso estes lacinhos no cabelo?
Filho: Claro! Vamos visitar uns amigos meus e eu quero que eles vejam como eu tenho uns pais todos janotas! Agora mete lá a bandelete e vamos embora.
2º E não reclama!
Filho: Vá, toca a dar beijinhos aos meus amigos!
Mãe: Mas esse teu amigo tem bigode, pica-me e deixa-me toda lambuzada!
Filho: Não quero saber, faz favor de dar um beijinho! E se ele te apertar as bochechas não faças cara feia!
3º Tão esperto que ele é
Filho: Pai, mostra lá aqui ao meu amigo o que te ensinei ontem.
Pai: Outra vez?!?
Filho: Ai, olha que não te compro creme para a dentadura!
Pai: Pronto, está bem. Então é assim, clico aqui no icon da Internet, vou aos favoritos e carrego no blog do Rafeiro Perfumado!
Filho: Viste, viste? E ainda há uma semana nem sabia o que queria dizer Firefox! Tão inteligente, este velhadas!
4º Cá se fazem cá se pagam
Pai: Filho, não gosto nada do lar onde estou.
Filho: Então porquê?
Pai: Temos de dormir três num quarto, a televisão só tem quatro canais e a comida é horrível! Sabias que o pai do Virgolino está num lar que até massagista têm?
Filho: Lembraste de quando andámos a ver creches para mim, e achaste muito cara a que tinha escorrega, dois baloiços e consolas de jogos, e acabei por ir para aquela casa da Igreja, onde tinha de me esconder do padre? Pois é, vais ter de te contentar com isto...
5º Isso não é para a tua idade
Filho: Toca a desligar a televisão, ou pelo menos muda de canal!
Mãe: Mas eu quero ver este programa, filho...
Filho: E depois não dormes à noite! Já te disse que certos assuntos não são para a tua idade!
Mãe: Mas eu gosto tanto de ver a discussão do Orçamento de Estado. Deixa lá só um bocadinho...
Filho: Cinco minutos, e se começarem a falar do financiamento da Segurança Social acaba-se logo!
6º Isto são horas?!?
Filho: Isto são horas de chegar a casa? Pode-se saber onde é que andaram?!?
Pai: Ó filho, fomos jantar fora, que hoje fizemos 50 anos de casados.
Filho: Nem 50, nem 25, aqui em casa não se entra a estas horas. E pode-se saber onde foram?
Pai: A um restaurante ali na baixa, mas achas...
Filho: Não é o que eu acho ou deixo de achar, para a próxima dizem-me onde foram ou o próximo fim de semana é passado em casa, perceberam?
7º Lamento, temos visitas
Mãe: Filho, viste o meu croché?
Filho: Está arrumado, já te avisei que não quero as coisas espalhadas pela casa.
Mãe: Então e a máscara de oxigénio do teu pai?
Filho: Também arrumei, vou ter visitas e não quero as vossas coisas a atravancarem a sala!
8º Isso podia estar mais bem lavado
Pai: Então filho, entras assim na casa de banho quando eu estou a lavar-me?
Filho: Cá em casa não há segredos, pois não? E já que aqui estou deixa lá ver essas orelhas...
9º Cospe!!!
Filho: Cospe já isso imediatamente!
Mãe: Mas filho...
Filho: Qual filho, o que é que eu já te disse sobre aceitar coisas de estranhos?!? Cospe!
Mãe: Mas foi um comprimido dado pelo senhor enfermeiro...
Filho: E tu conhece-lo, por acaso?!? Cospe!
10º Já disse que não posso!
Pai: Filho, anda lá jogar às cartas connosco.
Filho: Não vês que estou ocupado?
Pai: Vá lá, anda conviver um bocadinho...
Filho: Já disse que não, não vês que estou a limpar o pó? A vida não é só brincadeira, sabias?
11º Não foi assim que te eduquei!
Filho: Vá, cumprimenta o meu amigo...
Pai: Olá, está bom?
Filho: «Está bom»?!? E o respeito? «O Senhor está»!
12º Endireita-te, tira os cotovelos da mesa, faz o pino!
Filho: Fazes favor de te endireitar? Isso são modos de andar?
Mãe: Ó filho, isto já não vai ao sítio, é a marreca...
Filho: Mas qual marreca, isso é mas é má postura!
13º O vosso sítio é ali
Filho: Mas o que é que vocês estão a fazer?
Pai: Então, estamos a sentar-nos, não vamos comer?
Filho: Pois, mas a vossa mesa não é esta, a dos adultos. Nós pusemos uma mesinha especial para vocês, ali ao fundo, onde estão outros velhotes, assim até estão mais à vontade.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado