Lembro-me quando comecei a escrever neste blog ter sido
“repreendido” por me expressar da forma como expressava, tendo-me sido dito que
para os textos terem realmente força faltava-lhes uma boa dose de vernáculo.
Este conselho, que ouvi com cara de interessado enquanto abanava
afirmativamente a cabeça (a qual entretanto pensava no quanto queria ter um
plasma e fantasiava com a Nicole Kidman), teve da minha parte a mesma
consideração que costumo ter para com os tempos de antena emitidos nos períodos
eleitorais, ou seja, nenhuma.
Não é que me esteja a tentar justificar, longe disso, mas sinceramente
considero que meter aqui pelo meio palavrões não faria sentido, pelo simples
facto que eu não os digo em outras ocasiões. A minha forma de comunicar é
sempre igual, seja a escrever aqui, a falar com os meus pais ou a gritar
docilmente com a minha jove. Utilizar vernáculo apenas por utilizar seria uma
traição à minha forma de ser, caminho que não tenciono trilhar, pois aí sim
estaria a escrever como uma personagem e não de uma forma natural. Aliás, o uso
abusivo de asneiras faz-me sempre lembrar o Fernando Rocha, que conta piadas
mais velhas que um fóssil protozoário mas juntando uma porrada de asneiras e um
monte de caretas. Se tem piada? Há quem ache, mas se também existem pessoas que
acham piada ao Alberto João Jardim ao ponto de votarem nele...
Claro que a utilização de asneiras é importante, afinal faz
parte da nossa cultura e é mesmo fundamental em certos contextos, como nos
jogos de futebol. Passar uma partida inteira sem chamar nomes ao árbitro é
contra-natura, apesar de por vezes eu me exceder e começar antes do apito
inicial. Há mesmo regiões do país que são conotadas com a utilização mais
frequente de palavrões, ainda não percebi bem porquê e, sinceramente, estou a
evacuar na explicação.
Se censuro quem diz as ditas asneiras? Claro que não, da
mesma forma que não admito que censurem ou chamem de “certinho” quem não as
diz. Mas não posso deixar de pensar que a sua utilização funciona nas
discussões um bocado como o aumentar do volume da voz, pode causar impacto no
imediato mas não faz com que a pessoa passe a ter mais razão por isso. E dizer
o contrário seria admitir que um palavrão tem mais força que um ideal, como se
por exemplo o Barak Obama utilizasse como mote “Yes, we fucking can!”.
Dito isto, que fique bem claro. Se não te importas de ler este
blog “vernáculo free”, pois que sejas muito bem-vindo e essas tretas
simpáticas. Se te incomoda tal facto, só me resta pedir respeitosamente: ide à
badamerda.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado



