Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Esfrega-me com jeitinho!

Apesar de me considerar um tipo com bastante experiência de vida, há algumas facetas desta que ainda me escapam, umas por falta de tempo, outras por falta de dinheiro, outras ainda por falta de vontade.

Dentro destas existe uma sobre a qual sempre ouvi dizer maravilhas, desde que bem executada. Antes que a vossa imaginação doentia vos leve para sítios menos próprios, estou a referir-me às massagens. Com efeito, nunca fui massajado à séria, isto se não contabilizarmos as horas de ponta no metro.

Já por diversas vezes estive tentado a experimentar essa cena, mas confesso que me causa alguma impressão deixar alguém estranho esfregar-me o corpo nu, especialmente se não tiver estado com essa pessoa diante de um padre. Ok, a imagem não é a melhor, mas acho que dá para perceber.

Mas aprofundemos mais esta parte. Por um lado, a massagem ser dada por um homem. Bem sei que é um serviço profissional, mas mesmo assim… e se aquilo lá em baixo mexe? Terá sido pelo prazer da massagem ou o início do ruir de toda uma vida dedicada à heterossexualidade?

Imaginemos agora a massagem ser dada por uma mulher. Como fazer para aquilo lá em baixo não mexer e causar o efeito “tenda de campismo”? Isto significa que, independentemente do sexo do autor da massagem, eu me encontraria num tal nível de stress que a mesma poderia ser contraproducente!

Por outro lado, as ofertas existentes. Há massagens para todos os gostos e feitios, tanto em termos de localização como de tempo. É aí que surge a minha outra dúvida. Imaginemos que a massagem é por área, digamos as pernas. Vão-me dizer que cobram a mesma coisa a um jogador de basquet e ao Tyrion, da Guerra dos Tronos? E quando contratamos 30 minutos de massagem, existe um alarme que acaba com a actividade, mesmo que nessa altura é que estivesse a começar a ficar interessante? Seria mais justo as casas de massagens terem nos seus quadros engenheiros, que conseguissem calcular a área do corpo e assim fazer uma estimativa real do custo da massagem a cada zona, de outra forma acho que corremos o risco de ser enganados!
 
É por causa deste mar de dúvidas que continuo ignorante relativamente a este tema, ainda mais porque a minha jove não me deixa experimentar umas casas de massagens tailandesas que vi anunciadas no jornal. É uma xenófoba, é o que é…
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 2 de agosto de 2016

E a peidola, não querem?

Não há almoços grátis, costuma dizer-se. Por acaso em casa dos meus pais tenho conseguido alguns, mas apenas porque consigo correr mais do que eles. Introduções parvas à parte, cedo se soube que a não aplicação de multas /sanções a Portugal não seria inocente, sendo que teriam de ser tomadas medidas adicionais para diminuir o fosso entre as receitas e despesas do Estado.

Como mexer na despesa é chato, pois transtornaria poderes instituídos, era mais do que óbvio que novas e engenhosas formas de gerar receita estariam para breve. Mesmo tendo em conta a imaginação prodigiosa que esta malta já provou ter, confesso que ligar o IMI a cobrar a factores como a vista e a exposição solar conseguiu surpreender-me. Ou isto significa que a malta tem toda de viver em caves ou então é das medidas de roubo mais descaradas que já vi. Consigo imaginar no futuro diálogos como este:
Fiscal: À conta da vista fabulosa que tem o seu IMI vai subir e subir!
Morador: Mas porquê? Eu moro no rés-do-chão, só tenho boa vista quando a vizinha da frente se esquece de correr as cortinas!
Fiscal: Desculpe mas eu subi ao telhado do prédio e de lá consigo ver o Palácio da Pena!
Morador: Mas isso fica a quilómetros daqui e só se vê quando não está enevoado!
Fiscal: É a sua sorte, ou então com a exposição solar ainda pagava mais!

Mas se a moda agora é taxar as pessoas por motivos parvos, deixo aqui mais algumas sugestões:
Imposto de consumo de oxigénio para os baixinhos. É sabido que o oxigénio, aumentando a altitude, fica mais rarefeito, sendo apenas justo que quem anda mais rente ao chão pague mais.

Obrigatoriedade de passar protector solar nas casas todos os verões. Casas que sejam apanhadas com escaldões poderão ser retiradas aos donos, por sofrerem de maus tratos.

Aumento da taxa de IRS sobre pessoas do signo caranguejo, balança e leão. Porque sim.

Substituição do termo “chaço velho” por “antiguidade”, com o correspondente aumento de Imposto Automóvel.

Taxa sobre os animais domésticos, onde se incluem cães, gatos, peixinhos, baratas, formigas, ácaros e demais organismos pluricelulares.

Imposto sobre os não fumadores, pelo facto de estarem a sonegar receitas ao Sistema Nacional de Saúde.

Taxa sobre os peidos enviados para a atmosfera, por estarem a contribuir para o aquecimento global e a consumirem os créditos de Portugal de emissão de CO2. Para esse efeito será instalado um contador aerofágico em cada peidola dos contribuintes portugueses.

Taxa por ver televisão. Espera, esta é estúpida mas já existe…

Taxa de Imortalidade, a cobrar quando alguém excede o tempo médio de vida, uma vez que está descaradamente a roubar a Segurança Social. A única forma de evitar esta taxa será apresentar-se num centro da Segurança Social para ser sumariamente abatido.

10º Taxa de veraneio, com especial incidência no pessoal que vai para a praia. Se as casas pagam mais IMI pela vista e exposição solar, o mesmo deverá suceder às pessoas quando vão de férias para locais idílicos e soalheiros.
 
11º Imposto sobre a chuva que apanhamos. Uma vez que a água é um bem precioso, os contribuintes deverão pagar por cada pingo, uma vez que os poderão beber ou usá-los para se lavarem.

Fico-me por aqui, não vá alguma destas imbecilidades ser aproveitada, o que sinceramente não me admiraria.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado
 
PS: Os invisuais e o pessoal com miopia têm uma redução no IMI? Afinal de contas não se conseguem aproveitar tanto da vista…

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nem o dilúvio safa esta...

AVISO
A leitura deste texto pode provocar desidratação severa

Era uma casa tão rica, mas tão rica que os insectos não se chamavam baratas, mas dispendiosas.

Até sempre (duvido),
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A evolução dos tempos. Ou talvez não…

38628 AC, pela tardinha

Um grupo de caçadores afia as suas lanças, preparando-se para a caça ao mamute. Os anciões da tribo olham para eles, apreensivos, pois sabem que do sucesso da caçada poderá depender a sobrevivência de todos.

Já no terreno de caça, recorrem aos ensinamentos ancestrais, aprimorados ao longo de gerações. Descobrem o rasto do animal, procurando conduzi-lo para um local onde o possam encurralar e assim mais facilmente abater. Têm de agir como uma matilha, não apenas para aumentarem as hipóteses de sucesso como por uma questão de sobrevivência. Num ambiente tão hostil o caçador rapidamente se transforma em caça. Que o diga o Neandertas da Silva, que na semana anterior tinha sido abocanhado por um tigre dentes de sabre, apenas por se ter afastado do grupo para poder… bem, não interessa porquê.

Quando finalmente encurralam o mamute, crivam-no de lanças, enquanto urram de prazer, numa demonstração pura de adrenalina e selvajaria. Chegados ao acampamento exibem com orgulho o produto da caçada, sabendo que os que mostraram mais coragem seguramente serão recompensados pelas fêmeas do grupo, num recanto mais escuro da caverna.

2016 DC, 18:07

Um grupo de nerds verifica a bateria dos seus smartphones, preparando-se para a caça ao Pokémon. Os idosos que se entretêm a jogar à bisca olham-nos com receio, sabendo que será do trabalho daquela malta que terá de vir o dinheiro para as suas reformas.

Já no terreno de caça recorrem às dicas sacadas do Google e em fóruns dedicados ao jogo. De repente a excitação apodera-se de todos: há um pikachu verde escarlate a apenas 752 metros dali! Com os olhos colados ao visor do smartphone, precipitam-se na direcção correcta, nem se apercebendo que dois deles tinham caído por uma tampa de esgoto. Ah, a emoção da caçada! Estão agora a 237 metros do prémio! Aceleram, todos querendo ser o primeiro a capturar a presa. Vem um autocarro que ceifa mais uns quantos, mas o que importa isso? Um pikachu verde escarlate vale bem o risco!

Depois de invadirem a casa de uma velhota, que rachou a cabeça a mais dois deles e se prepara para violar um terceiro, ei-los na presença do Pokémon: toca a mandar-lhe bolas virtuais, têm de o capturar a todo o custo!

Ah, que sensação tremenda de consagração, de realização! Mal podem esperar para colocar o feito no Facebook, para que todos possam saber o quão audaz foram! Sexo é que não deverão ter, que isto é malta que apenas deve ligar ao virtual…
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A televisão já não é o que era

A estratégia de comunicação das operadoras de televisão deixa-me, no mínimo, perplexo. Como se não bastasse a MEO dizer que tem o melhor do mundo (update alert, o Messi é que detém actualmente esse título), ainda mete o rapazola a dizer que neste europeu temos de ser os melhores do mundo.

Certamente contagiada por esta linha de pensamento, temos outra operadora que nem no nome consegue acertar, a NOS. Não me venham cá dizer que aquilo se diz NÓS, ou metem um acento ou então é NUS, mesmo.

Como se isso não bastasse, agora lançaram uma nova plataforma de televisão, a UMA. Mas o que se passa, decidiram poupar dinheiro com a malta que pensa nos nomes? Isto é nome que se arranje, pá?!? Já estou mesmo a ver certos diálogos:
Tipo 1 - Ouve lá, que televisão é que tens?
Tipo 2 - UMA.
Tipo 1 - Pronto, és pobrezinho, eu sei, mas eu perguntei é que operadora tens.
Tipo 2 - NÓS.
Tipo 1 - Eu perguntei-te a ti, pá, respondo que depois digo-te o meu.
Tipo 2 - Ai tu és da MEO?

Por fim, o anúncio que esta nova plataforma, a UMA, responde à voz do dono, que o ouve e reconhece as suas preferências. Já estou mesmo a ver a televisão do meu vizinho gritar, logo que ele entre em casa:
-Então, já chegaste? Jantas primeiro ou meto já no canal das gaijas boas?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Pela democratização da Santidade!

Eis-nos novamente na época dos Santos Populares. Confesso que é um tema que me traz muitas dúvidas, mas tantas que se tornaria fastidioso enumerá-las. Vou tentar focar-me apenas nas que me causam urticária:

1º O sexismo da coisa. Porque razão são “os Santos Populares” e não “as Santas Populares”? Bem sei que a posição da Igreja relativamente às mulheres é bastante depreciativa, mas esta é uma festa de cariz popular, razão pela qual deveria haver mais democracia na atribuição do carácter popularucho. Ou vão dizer-me que Santa Bárbara, Santa Agostinha ou Santa Etelvina não têm um lugarzinho nas vossas preces? Para quem não saiba Santa Etelvina é a padroeira das unhacas encravadas…

2º Tradições associadas. Mas quem é que elegeu a sardinha como alimento oficial destas festas? Houve alguma votação da qual não me informaram? E o manjerico? Quem fez dele a estrela floral desta época? Será que é a planta com mais tolerância a rimas foleiras? E nem vou falar das “pancadinhas” que se dão na cabeça com martelos, alhos porros e afins, pois seguramente iria acabar por descobrir conotações sexuais.

3º O termo popular. Se Santo António, São Pedro e São João são considerados populares, por onde andarão os impopulares? Escondidos em becos escuros, onde apenas alguns fãs incondicionais mantêm viva a tradição? Até já estou a ver as marchas desses santos:

Santa Sífilis já me apanhou
São Escorbuto está-me a matar
São Tesão, São Tesão, São Tesão
Dá cá uma transfusão
Para eu arribaaaaaaaaar!

E dito isto vou-me juntar aos festejos dos Santos Impopulares, servir-me de um belo refogado de iscas com brócolos, acompanhado com um belo copo de óleo de fígado de bacalhau!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado