Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

A evolução do elogio

Curioso como os elogios às mulheres vão evoluindo à medida que estas envelhecem:
 
Aos 15 anos: estás cada vez mais gira!
Aos 35 anos: estás o máximo!
Aos 55 anos: estás sempre na mesma!
Aos 75 anos: estás viva!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Queres ver a máquina que eu tive em 1969?

É sabido que a maioria dos homens tem um problema genético no que toca a decorar datas de acontecimentos, com a honrosa excepção dos anos em que o seu clube ganha o campeonato, claro. No entanto, há outra situação em que a memória machual é bastante apurada: a referente aos carros que já possuiu (aplicando este verbo poderia falar aqui de outro aspecto em que a memória é igualmente boa, mas vou-me manter na área automobilística, ok?), chegando mesmo ao pormenor de se lembrarem da cor, modelo, quilometragem, matrícula e outros pormenores parvos.

Até eu, que não ligo nenhuma a carros, me lembro perfeitamente do meu Fiat Punto, do meu VW Polo e de outro que assim de repente não me recordo da marca, mas sei que era giro. Aposto que as gaijas devem ter ciúmes do relacionamento que alguns homens têm com a sua viatura. Evitam passar por poças para não a sujar, dão-lhe banho todos os Domingos, polindo-a com carinho, não deixando escapar nem um pedacinho de fuselagem que seja, aspiram-na, protegem-na dos pássaros incontinentes, ameaçando terminar com a espécie se algum lhe acerta em cheio... Agora experimentem ir ao lado de um homem e um pássaro cagar-vos em cima. Todos nós sabemos qual é a nossa reacção, não é? Mas também é verdade que logo que nos passa o ataque de riso nos prontificamos a auxiliar na limpeza, ou pelo menos a sacrificar o nosso lenço!

Eu acredito convictamente que devem mesmo haver tipos que na sua carteira trazem fotografias do seu carro, para mostrarem aos parentes e amigos, enquanto produzem frases como estas:
- Vê esta, vê esta! Tinha acabado de o ir buscar ao stand, diz lá se já viste coisa mais linda!
- Esta foi tirada quando fez a primeira revisão. Portou-se tão bem, pá, nem imaginas o orgulho que senti!
- Ah, esta tirei num dia complicado, até se nota que está com mau ar, tadinho. Apareceu-lhe a primeira ferrugem, passei duas noites em claro...

Perto da casa da minha irmã morava um tipo que todo o santo Domingo descia à rua, tirava a capa ao carro, lavava-o e encerava-o até metade da vizinhança ficar cega com o brilho, voltando depois a aconchegar-lhe a capa, só faltando o beijinho. Este comportamento, já de si bastante parvo, assumia contornos macabros por causa de um pormenor: o carro não andava há já uns anos. Mas como este caso existem muitos por aí fora, só isso pode justificar o facto de tanta gente insistir em manter o seu carro velho à frente de casa. É o amor a ir demasiado longe, pois não suportam separar-se deles, optando por atulhar as estradas e ruas com monos inúteis. Pese o carácter ecológico da coisa, por causa do matagal que cresce por baixo destes carros, não deixa de ser uma situação grave, uma vez que vai tirando lugar aos carros que ainda estão vivos e de saúde.

Vá, sejam fortes, dêem um fim condigno ao vosso carro, entreguem-no a quem melhor pode tratar dele nesta fase da sua vida. Façam de conta que vão meter o avô no lar, e se quiserem até podem continuar a visitá-lo aos Domingos. Convém é não se esquecerem de qual cubo de metal corresponde ao vosso carro...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Já vos topei, gaijas...

Uma mulher a usar rabo-de-cavalo ( também conhecido em círculos mais eruditos como cauda de égua) é como se gritasse para o mundo:
NÃO TIVE TEMPO PARA ARRANJAR O CABELO, DESLARGUEM-ME E FAÇAM DE CONTA QUE É PELO ESTILO!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Aí vem ele, aí vem ele!

Força! Mais uma vez! Inspira! Expira! FOOOOORÇAAAAA! E pronto, neste momento a população mundial já ultrapassou os sete biliões, oitenta e sete milhões e qualquer coisa de indivíduos. Só a simples menção deste número faz-me sentir apertado, e olhem que eu nem sofro de claustrofobia. O que daqui se deduz é que o espaço livre existente é cada vez mais partilhado e, em consequência, reduzido. Como se não bastasse dividir a terra pelos vivos, temos o costume de reservar parte do mundo para enterrar os mortos, com maior ou menor espalhafato. Isto, convenhamos, vem agravar o problema do espaço, pois à semelhança dos vivos, o número de mortos tem tendência a aumentar com o passar do tempo.

Se isto é assim em locais ainda com algum espaço disponível, mais confusão me faz nas ilhas. No Corvo, por exemplo, onde não conseguimos dar dois passos sem esbarrar quatro vezes com a mesma pessoa, haverá assim necessidade de ocupar espaço com quem já morreu e que, garantidamente, já não se importa com receber ou não visitas?

Ainda por cima estão rodeados pela solução mais simples, o oceano. É que só traria vantagens: não só se alimentava os peixinhos como se desocupava terreno que poderia ser usado para estruturas úteis para os vivos. E, se quisessem visitar os entes falecidos, seria simples:
- Joãozinho, despacha-te que a maré está a encher, vamos ver a bisavó Engrácia!
- E quando é que podemos ver a prima Girolina? Tenho tantas saudades dela...
- Seu tolinho, isso só em Agosto, com as marés vivas!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Depois chamem-lhe santa!

Estava muito sossegado a jantar com a jove, quando a conversa derivou para os Óscares, mais precisamente para o que foi atribuído ao Christopher Plummer. Assunto puxa assunto, e ela confessou-me que tinha ficado espantada por saber que um dos seus objectos de desejo na adolescência tinha assumido recentemente a sua homossexualidade.

Jove: Não percebo, parece que todos os homens perfeitos são gay!
Rafeiro: Eu não sou gay.

Acto contínuo, fui barbaramente sulfatado com sopa, ainda não percebi bem porquê. Para se tentar justificar eis que ela diz:

Jove: Tu não és perfeito, tens a penca grande!
Rafeiro: Queres então dizer que é o meu nariz que me prende à heterossexualidade?

Não é que fui novamente sulfatado, com direito a pedaços de agrião e tudo? Há efectivamente motivos para que a taxa de divórcios ande nos 50%, e os gastronómicos estão entre eles!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado e ensopado

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Noddy, vem cá ao Bob!

AVISO PRÉVIO: Este poste pode ser considerado como pertencente à categoria "badalhoca". Logo, lê apenas se tiveres estômago para isso, não quero cá queixinhas depois!
 
Sou um grande adepto dos jogos de computador, especialmente daqueles que dão para jogar on-line com malta conhecida. Poucas coisas se comparam com a alegria de tomar o café matinal enquanto se comenta as navalhadas e bazucadas que se trocaram na noite anterior.

Claro que para o jogo ter mesmo interesse, tem de envolver bastante sangue, esventramentos quanto baste e, se possível, a humilhação virtual do opositor. É que jogar on-line coisas como Dominó, Cartas ou Monopólio, por favor, telefonem a um grupo de amigos e juntem-se algures, está bem?

Neste mundo dos jogos virtuais, como em muitas outras coisas deste mundo, há uma tendência para se proteger os mais pequenos, criando as chamadas “versões para criança”, como se estas não soubessem de tudo o que se passa, às vezes melhor do que nós, adultos barbudos ou mamalhudos, consoante o género! Não é que eu seja contra isso, acho que fazem bem em criar uma sensação de segurança aos pais (por muito artificial que esta seja), só que acho uma discriminação haver jogos ou séries apenas destinados a crianças. Pois bem, acho que já é tempo de mudar isso, ou pelo menos termos uma compensação! Porque não criar um jogo on-line, versão adultos, utilizando personagens infantis? Quem nunca sonhou passar com um tanque por cima do Noddy? Ou implodir um prédio com o Bob o Construtor lá dentro? Ou perseguir Teletubbies numa floresta, armado com uma espingarda de sniper? Aí está, todos! E para facilitar a vida aos programadores, até sugiro quais as personagens que deveriam fazer parte do elenco do jogo, bem como a sua personalidade e funções especiais:
Sam o Stripper – cansado da monotonia como bombeiro, Sam torna-se stripper nas horas vagas. Não larga a sua mangueira por nada deste mundo, utilizando-a para imobilizar as suas vítimas e afastar os seus inimigos. Tem como teclas especiais o “D”, de desenrolar a mangueira, “M”, de molhar a malta e “P”, de se esfregar no poste para atrair os mais incautos
Bob o Sodomizador – depois de uma vida inteira na construção a assentar azulejos e a atirar piropos mal sucedidos, o anteriormente conhecido por Bob o Construtor assume-se como um pervertido sexual, aterrorizando as restantes personagens. As teclas especiais são o “E”, de enrabar, o “C”, de cimentar e o “P”, para mandar um piropo foleiro.
Teletubbies – sem personalidade definida, existem no jogo apenas pelo prazer de serem espancados de toda a forma e feitio. As suas únicas funções especiais são o “Z”, para ziguezaguearem no meio das balas, o “G”, de gritinho histérico e o “A”, de abracinho de grupo, pois dá bónus quando se matam os quatro ao mesmo tempo.
Noddy o ninfomaníaco – achavam que aquilo de andar num táxi era inocente? O gaijo anda no engate, pá! Só isso justifica nunca o vermos receber dinheiro pelos serviços prestados. Tem como funções especiais o “T”, para tilintar o sininho no chapéu e levar os adversários à loucura, o “S” para speedar no carro e o “M” para manter as calças em cima quando se cruza com o Bob o Sodomizador.

Quanto ao enredo do jogo, isso é o que menos importa, quer-se é ver os bonecos em acção! Até já estou a ver a malta a jogar isto on-line, enquanto ouve a banda sonora em altos berros:

Abram as nádegas do Noddy (Noddy)
Com o Bob a dar a dar (ai ai ai)
Abram as nádegas do Noddy (Noddy)
Sempre pronto a enrabar (ai ai ai)

Abram as nádegas do Noddy (Noddy)
Vamos ver se ele grita
Preparar, estar pronto já
Hoje leva uma que até mia
O Bombeiro Sam está a chegar.

Abram as nádegas do Noddy (Noddy)
Mais as do Teletubbie amarelo (ai ai ai)
Abram as nádegas do Noddy (Noddy)
O dia vai ser tão belo (ai ai ai)

Abram as nádegas do Noddy (Noddy)
Vamos gritar um incha!
Vamos enrabar, suar,
O dia é de alegria
É o Noddy! Abram-lhe as nádegas!


Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Não me regues!

A minha jove ficou muito ofendida comigo porque ontem entrei em casa e não reparei na nova planta que ela tinha comprado e colocado no hall de entrada. Ok, a planta tem a minha altura, mas é fininha! A fúria foi de tal ordem que insinuou que se meter um amante lá em casa sou bem capaz de não dar por ele.

Candidatos a amantes da minha jove, um conselho: se me ouvirem chegar, metam-se dentro de um vaso, pelos vistos não me atraem a atenção.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Qual eléctrico qual carapuça!

Serei o único a aperceber-me dos perigos que a massificação dos carros eléctricos traz consigo?

É que Portugal já é um dos campeões dos atropelamentos, e num contexto em que os condutores fazem questão de acelerar e produzir sonoros VRUUUUM VRUUUUM, permitindo assim a uma pequena percentagem de peões saltarem da passadeira a tempo, limitando os danos ao nível dos cabelos brancos e das contas da lavandaria.

Mas com os carros eléctricos, a malta nem os vai sentir a vir! Isto vai ser uma mortandade pior que as invasões bárbaras! «Mas tens de pensar na poupança energética e na redução da poluição sonora, rafeirinho». Primeiro, não gosto lá muito que me tratem por rafeirinho. Segundo, o ambiente já está tão lixado que não é isto que o vai mudar. Aliás, os gastos extras em energia com o aumento de pessoas atropeladas e ligadas a máquinas arrasam com esses argumentos da treta! Quanto à saúde das orelhas, do que é que adianta se tudo aquilo que as suporta estiver fecundado?

Para terminar, o aspecto psicológico da matéria. Uma coisa é ir parar ao hospital e dizer que foi atropelado por um UMM barulhento, outra é acontecer algo do género:
Médico: então, o que se passou?
Doente: Acho que levei uma tareia de uma abelha!
Médico: De uma abelha?!?
Doente: Exacto! Ia muito descansado na estrada quando começo a ouvir um bbbbzzzz BBBBBZZZZZ e quando dei por mim estava aqui.
Médico: O senhor é um mariquinhas! Por causa de fracos como o senhor é que temos as urgências entupidas! Enfermeira, retire a morfina a esta amostra de gente, faz favor!
Doente: Mas, mas...
Médico: Calado, e é se não me quer ver zangão, perdão, zangado!
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Isto sim, é um macho à séria!

Sempre que estão estes dias frios em que temos de periodicamente contar os apêndices para garantir que não caiu nenhum, calha sempre passar por algum tipo com camisola de manga curta. Juro que a minha vontade é pará-lo, apertar-lhe a mão e dizer-lhe:
- Os meus mais sinceros parabéns, tu sim, és um macho à séria, qual agasalho qual quê. Estúpido, mas macho!

Só ainda não tive o prazer de fazer isto porque, infelizmente, ainda não encontrei um destes tipos que fosse pelo menos meio metro mais baixo do que eu...
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

O sádico que há em mim

Calma, voltem lá a guardar as algemas, chicotes e máscaras de cabedal, que o “sádico” não é assim tão literal. Acontece desconfiar seriamente que cá dentro do meu corpo, bem lá no fundo, perto do petróleo e resíduos tóxicos, se esconde um pequeno ser sádico, cuja missão na vida passa por alegrar-se colocando-me em situações embaraçosas.

Nunca vos aconteceu irem a caminho de casa e começarem a ter uma vontade enorme de mijar, mas mesmo tão grande que começam a olhar para as jantes dos carros mais próximos? É uma vontade controlável ao princípio mas que à medida que me vou aproximando do objectivo vai piorando consideravelmente, como se o “sádico” fosse abrindo alguma válvula ou saltando em cima da bexiga. A vontade vai assumindo proporções dramáticas, especialmente quando tenho a casa à vista, levando-me por vezes a fazer coisas como ir abrindo a braguilha no elevador ou mesmo a baixar as calças, quando a vontade não se resume à simples mijoca. E claro, é a porta do elevador abrir-se e lá está a vizinha cusca do lado (certamente avisada pelo sádico), exibindo um olhar penetrante e guloso, e que nos faz gastar preciosos segundos na explicação do porquê estar a sair do elevador com o cinto desapertado e a braguilha aberta.

E porque razão as borbulhas mais comichosas têm a tendência de surgir onde não conseguimos chegar? Até parece que o sádico tem a medida dos nossos braços e um mapa do nosso corpo, sabendo exactamente onde fazer nascer a desgraçada!

Outra situação complicada é quando estou constipado. Encontro-me eu porreiro da vida, fazendo o meu trabalho, e eis que chega alguém. Pois automaticamente lá vem um pingo pelo nariz abaixo, como se o sádico estivesse à espreita do momento certo para lhe dar ordem de soltura. Com os espirros é a mesma coisa. Começo a sentir uma vontade de espirrar e começa a louca procura de um lenço. Se o encontro, a vontade passa misteriosamente, como se nunca tivesse existido, mas se não o encontro, bom, prefiro não entrar em detalhes, só adianto que envolve esfregonas.

Uma vez estava eu no Monumental a preparar-me para lanchar com uns amigos quando senti uma vontade imensa de espirrar. Por educação e por medo de magoar alguém (a violência dos meus espirros é famosa) atirei-me para o lado por forma a espirrar na direcção do chão. Ao abrir os olhos, vejo um par de sapatos. Ao subir a cabeça, ali estava a empregada, que tinha chegado naquele momento com o nosso pedido. Exibia um olhar horrorizado, só tendo faltado fugir aos gritos, enquanto os sacanas dos meus amigos tentavam, sem grande sucesso, parar de gargalhar. Jove, se por acaso leres isto, peço desculpa, na altura não consegui fazer mais nada além de limpar o nariz. Mas olha que isso com um paninho embebido em álcool sai tudo!

Só existe uma situação em que eu sou um sádico assumido, aos sábados de manhã, quando a minha jove se levanta para ir trabalhar. Aí sim, viro-me para ela e com o maior dos sorrisos digo “então bom trabalho, eu também só vou ficar aqui mais umas três horinhas e já me levanto”. E levanto-me mesmo passado aquele tempo, com uma dor nos queixos tremenda...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

Ui, que fico todo excitado

Sabem qual é a expressão portuguesa mais erótica, quase a roçar a pornografia? Isso é um pau de dois bicos.
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Respeitinho com o Sr. Arrumador!

Em tempos prometi que um dia iria falar sobre essa personagem urbana que é o arrumador de automóveis. Claro que se estou a falar sobre isso agora é meramente porque me apetece, pois promessas que começam com «um dia...» são sempre demagógicas e permitem um adiamento ad eternum. E escrevi isto porque andava há uma eternidade para meter o ad eternum algures...

Seria demasiado simples pegar na figura do arrumador e cascar de alto a baixo, com algumas joelhadas no baixo ventre à mistura. No entanto, não me perguntem porquê, dissertar sobre o arrumador fez-me recordar uma das cenas do filme Matrix que eu considero mais brilhantes. E não, desta vez não me estou a dispersar, isto tem mesmo ligação.

Nessa cena, o Agente Smith tortura o Morpheus enquanto lhe diz que existe na Terra apenas um ser vivo semelhante ao homem, que se instala num ambiente, consome todos os recursos até causar a destruição completa desse local e depois pura e simplesmente muda para outro lado, repetindo o processo. Esse ser vivo era o vírus.

Agora imaginem-me com um olhar sádico à volta de uma cadeira onde se encontra um arrumador amarrado, enquanto lhe vou dizendo:
- Ninguém percebe muito bem a tua utilidade, pois facultas-nos um serviço que ninguém te solicitou e que está disponível por si mesmo
- Cobras-nos por utilizar algo que legalmente é também meu
- Se não ceder perante as tuas exigências, é certo que serei punido
- Se não cumprires com as tuas obrigações dificilmente te poderei responsabilizar
- Dar-te um extra pode significar um tratamento especial
- Exerces a tua actividade numa área que poderá já ser taxada por parquímetros, havendo assim lugar a uma dupla tributação
- Ninguém conhece bem quais são as tuas habilitações para poderes desempenhar esse cargo
- Estás a estender a tua acção por cada vez mais lados, e com cada vez mais elementos
- És arrogante no trato com os teus clientes, sendo que reclamar tal facto é inútil
- Se não existisses, o mais certo era as coisas processarem-se exactamente na mesma
-Na nossa sociedade só existe outra figura como tu: chama-se Governo.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Conselho antropófago

Se um canibal te pedir ajuda, nunca lhe dês uma mãozinha, pois o agradecimento pode vir em forma de arroto.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Estás a espreitar para onde, pá?!?

Que atire a primeira pedra quem nunca espreitou a indumentária/físico de outra pessoa. Bem me parecia, cambada de voyeurs. Só vos perdoo porque não só eu pertenço ao grupo dos espreitadores como ainda tenho bem presentes as palavras do padre que me deu um curso pré-matrimonial (que foi só conversa, nada de exercícios práticos):
- Não há nada de errado em olhar para outras pessoas. Deus fez criaturas tão lindas, porque não admirá-las? Também fez outras que coitadas, mas pronto...

Tudo assenta na forma e na intenção com que se espreita. A própria palavra espreitar tem uma conotação pouco positiva, mas representa bem o que se faz. Claro que há os discretos, que se aproveitam das sombras, dos reflexos, dos seres que se cruzam com o seu raio de visão e depois há aqueles que até torcem o pescoço ao melhor estilo do exorcista, podendo mesmo acompanhar o miranço com uivos e baba descontrolada.

Na minha opinião, olhar para um decote mais atrevido ou para uma racha mais ousada não pode nem deve ser censurado. É como quando passamos por uma casa e a janela está aberta, o facto de olharmos lá para dentro não quer dizer que nos queiramos afiambrar ao plasma ou gamar os candeeiros. Quanto muito olhamos para admirar o bom gosto do morador, gozar com os cortinados ou tirar alguma ideia que gostaríamos de ver na nossa própria decoração!

Claro que no outro lado temos aquelas pessoas que mesmo que se vistam de verde alface e usem um cinto como saia não toleram que se olhe para elas, gritando “para onde é que estás a olhar?!?”. Em muitos casos nem é uma questão de estar a espreitar, é uma questão de física, pois determinadas indumentárias sugam a visão tal como um buraco negro suga a luz. Ok, má analogia, mas deu para perceber, certo? E o que é que essas pessoas preferiam, que a malta tapasse os olhos e avançasse às apalpadelas? Cheira-me que o caso em tribunal poderia ser bem mais sério...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

And the winner is...

Pois é, não ganhei o concurso do melhor blog de 2011 mas fiquei num honroso 2º lugar. Quero pois agradecer a todos aqueles que votaram durante a última semana neste blog, mesmo sabendo que a possibilidade de êxito era mínima, tal a diferença para o primeiro classificado.

Se gostava de ter ganho? Claro, estão parvos, ou quê? Simplesmente o sucesso neste género de concursos assenta mais na capacidade de melgar os amigos do que na qualidade do blog. Como tal (e com isto não estou a tirar o mérito aos vencedores), fico contente pelo meu lugar e por constatar que este blog ainda tem um bom grupo de fãs. E agora a vida continua!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

E tu, onde te encaixas?

Perante uma determinada situação, cada pessoa reage de forma diferente ou é levada a reagir de forma distinta. Especialistas da matéria até criaram nomes para isso, como personalidade ou individualidade.

Acreditando nisso, peço-te que da seguinte lista vejas qual é a melhor forma de te levar a reagir:
a) Ameaça
b) Súplica
c) Graxa
d) Suborno
e) Reciprocidade
f) Promessa sexual
g) Outra

Já está? Então agora vê APENAS a frase que te diz respeito:
a) Ou vais aqui votar neste blog ou descubro onde moras e programo-te todos os canais da televisão no Canal Parlamento, além de espalhar pela vizinhança que achaste bem as últimas declarações do Cavaco!
b) Votar no blog do Rafeiro Perfumado (aqui) contribuiria para dar um pouco de cor à minha vida cinzentona (não esquecer que os rafeiros vêem tudo monocromático). Vá lá, por favor, faz um rafeiro feliz!
c) Certamente que uma pessoa tão culta, inteligente e bonita como tu compreenderá que a melhor escolha para o melhor blog na categoria Humor é este. Referi que te acho o máximo?
d) Estás cá com uma sorte. Já viste bem o prémio? Aquilo nem no mercado negro vale uma Happy Meal!
e) Se votares em mim prometo atender a pedidos semelhantes durante 43 dias, mesmo que isso implique votar no melhor graffiti feito em Chelas, na esquina entre as ruas Naifada e Arrebenta a ATM
f) Tenho uns quantos amigos e amigas ainda disponíveis, prometo dar-te os contactos, basta votares em mim. Não estavas à espera que eu estivesse envolvido, pois não? Isto é suposto convencer-te, não desincentivar-te!
g) Vai lá votar e deixa-te de tretas, pá!

Seja qual for a categoria, uma coisa posso assegurar: agradecerei sinceramente a quem me honrar com o seu voto, prometendo não deixar que a fama e a riqueza provenientes deste concurso me subam à cabeça ou a outro sítio qualquer.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Cenas com línguas

Calma, taradões, sossegou, parou! Por cenas entenda-se expressões populares que envolvam a língua, mais precisamente sem papas na língua, língua de trapo e não me puxes pela língua. Há outras, pois claro que há, mas tentemos manter o nível, ok?

Vamos então por partes. Sem papas na língua pretende retratar alguém que não tem receio de dizer o que pensa, independentemente daquilo que diz ser correcto ou não. Mas se assim é, porque raio associar a boa educação ou a fome ao dizer o que se pensa? Não percebo por que motivo é que uma pessoa que fala sem ter comida na boca é apelidada de frontal, apesar de concordar que se alguém tentasse defender uma opinião com a boca cheia de papa perderia toda a credibilidade, além de ser nojento e perigoso para a roupa da plateia. Por outro lado, não tendo papas na língua pode simplesmente optar por remeter-se ao silêncio, o que contraria o espírito da expressão, ainda mais sabendo que a ausência de comida pode toldar o raciocínio, tornando o discurso incongruente ou mesmo impossível. A não ser que a palavra papa tenha alguma conotação religiosa, mas acho que prefiro não ir por aí, as imagens que acabaram de se formar na minha cabeça são demasiado dolorosas e badalhocas para as partilhar com quem quer que seja.

Quem costuma ser linguarudo leva com o rótulo de língua de trapo, querendo significar alguém que não consegue guardar um segredo, que fala demasiado, enfim, um fala-barato (também é uma expressão interessante mas não o suficiente para a desenvolver, pelo menos para já). Mas vamos lá a sentar (outras posições também são admitidas) um bocadinho e pensar na expressão. Alguma vez uma pessoa com uma língua feita de trapo conseguiria falar? Aquilo acabaria por ficar empapado em saliva e a única coisa que se perceberia seria MUNHOFOMOFEME, com muitos perdigotos à mistura. E desde quando os trapos estão associados à conversa? Só os pobrezinhos é que dizem cusquices, é? Estarão os trapos associados ao fala-barato? Ou o facto de serem trapos significa que estão todos rotos e as palavras escapam pelos buracos?

Por último, o não me puxes pela língua. Costuma dizer-se isto em tom de ameaça, como que insinuando que caso não nos portemos bem com alguém, essa pessoa poderá dizer-nos algo que não queiramos ouvir ou que seja de domínio público. Pois bem, eu desafio, aqui e agora, quem quer que seja que tenha segredos sobre mim a dizer-me tal coisa. Sempre quero ver como é que conseguirás espalhar o segredo comigo a puxar-te a língua até esta chegar à tua testa...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: Não que eu tenha algo a esconder que me envergonhe, mas pelo sim pelo não, antes de dizerem o segredo falem comigo, está bem?

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Come por tua conta e risco

Para mim o croquete é o Fiat 600 da pastelaria. Mesmo que tenha sido feito no próprio dia, tem sempre um aspecto surrado, velho e capaz de parar a qualquer momento, neste caso a digestão.
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Contra a Desertificação Humana

A desertificação humana do interior do nosso país sempre foi um grande problema, problema esse que continua bem vivo nos dias de hoje.

Sabedor desse facto, resolvi ir ver um exemplo de sucesso nesta guerra, viajando até à distante terra de Paradança, onde, miraculosamente, parece ter sido descoberto o antídoto para esta praga, conseguindo estancar a hemorragia demográfica vivida até então. Fica aqui o registo da entrevista realizada com o presidente da Junta de Freguesia:
Repórter: Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Paradança, conte-nos então o segredo graças ao qual as pessoas se mantêm fiéis à vila de Paradança.
Presidente da Junta de Freguesia de Paradança: Olhe, isto foi complicado, sabe? E não foi uma coisa que se tenha conseguido assim de um dia para o outro, ainda demorou umas horitas a implementar.
R: Há quanto tempo não existe um abandono da terra por parte dos seus habitantes?
PJFP: Desde Domingo passado, depois da missa, que foi quando o sistema foi implementado.
R: E no que é que consiste então esse sistema?
PJFP: Olhe, nós antes tentámos de tudo, oferta de emprego aqui na Junta, entradas à borla para o Recreativo local, umas sessões grátis na casa da Ti Engrácia, mas nada parecia resultar. Era a malta virar costas e vuuuuuu, lá ia outro sacana a fugir para o estrangeiro ou para as cidades grandes. Foi então que me lembrei de uma solução muito mais simples: cordas. Bastou atar uma ao pé de cada habitante e nunca mais ninguém desertou aqui de Paradança!
R: Então mas as pessoas não tentam desatar a corda, ou cortá-la?
PJFP: Tentam, mas aí levam umas cachaporradas valentes e não voltam a tentar. E se voltam, como ficam a coxear, é mais fácil apanhá-los.
R: E as pessoas têm reagido bem a esta medida?
PJFP: Pois claro! Veja o exemplo aqui deste jove. Tem um raio de acção de 58 metros, o que lhe permite ir trabalhar ali nas obras, ir à missa e ali à mercearia, que por acaso até é da minha mulher.
R: E claro que consegue chegar até à casa dele...
PJFP: Quase, ninguém disse que o sistema é perfeito. Tem de dormir na soleira da porta, mas os serviços da Junta já estão a providenciar a colocação de um tapete mais fofinho. Chato é a casa de banho, o rapaz só lá consegue chegar de esguicho e apenas quando a vizinha vem à rua com uma saia mais curta, nas outras vezes sempre vai regando a couve e a hortaliça do quintal.
R: E existe algum outro inconveniente?
PJFP: Bom, realmente na hora de ponta costuma haver uns quantos nós ali para os lados da Praça Central, mas já estamos a dar formação em bilros à nossa GNR, não tarda nada ainda fazemos disto uma atracção turística.
R: Só mais uma questão, porque é que o senhor me atou essa corda ao pé?
PJFP: Porque além de querermos evitar a desertificação, também queremos repovoar a vila, e está-me cá a parecer que o senhor vai dar um excelente marido para a minha Célita.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado