Próximo poste 25 de Dezembro - Alinha-te, pá, alinha-te!

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Nem o Natal escapa...


O 25 de Dezembro aproxima-se a pegadas largas. Na oficina do Pai Natal, localizada num qualquer local recôndito do nosso planeta, a azáfama é enorme (com as palavras “recôndito” e “azáfama” acabaram-se os palavrões neste texto), procurando que tudo esteja a postos para a noite mais esperada do ano, logo a seguir à cerimónia da entrega dos Globos de Ouro, claro.
Mas eis que de repente a porta principal é pontapeada violentamente, e uma voz esganiçada se faz ouvir:
Inspector: Tudo quieto, que isto é uma inspecção da ASAE!
Pai Natal: ASAE? Mas o que é que a ASAE tem a ver com o Natal?
Inspector: Tudo, meu caro senhor, tudo, desde as condições de laboração da sua oficina, passando pela exploração que aqui é feita a duendes e renas e terminando nas precárias condições higiénico-sanitárias da sua barba!
Pai Natal: Mas, meu caro senhor, aqui estamos a trabalhar numa das tradições mais queridas que existem no mundo católico!
Inspector: Mas qual tradição, pá, que eu saiba não há na Bíblia qualquer referência a um balofo a andar de trenó e a entregar prendas! Aliás, a malta que escreveu a Bíblia nem sabia o que era uma rena! Vivesses tu nessa época e os romanos chamavam-te um figo! E agora caladinho, que vou levantar o auto, assim à primeira vista tenho aqui matéria para te encerrar o tasco durante muito tempo!
Pai Natal: Isto foi uma denúncia anónima, não foi? E até aposto que foi aquele excomungado do Rafeiro Perfumado, só porque eu não lhe levo a porcaria do plasma.
Inspector: Qual rafeiro, isto foram informações transmitidas por um agente nosso que cá esteve infiltrado. Nunca achaste estranho o comportamento da rena número 4?
Pai Natal: A número 4?!? Mas ainda no outro dia o Rodolfo estava em cima dela a afinfar-lhe!
Inspector: É que a vida de inspector é mesmo assim, requer alguns sacrifícios...
Pai Natal: Sacrifícios? Se calhar foi por isso que até fumou um cigarro no fim. Mas eu bem que desconfiei da máquina fotográfica que ela trazia ao pescoço...
Inspector: Pois é, meu amigo, e foi assim que fomos recolhendo dados que nos levaram a concluir que a sua actividade está por um fio. Quer saber as infracções mais graves?
- Ausência de folha onde conste o horário de trabalho da oficina, bem como as férias do pessoal;
- Boletim de vacinação das renas inexistente. Se para o ano aparecer uma gripe das renas nem uma se safa!
- Condições de laboração péssimas, não há equipamento de segurança, nem de combate aos incêndios, nada! Pois é, caro senhor, isto não me cheira nada bem...
Pai Natal: Isso é porque pisou uma bosta de rena e está-me a cagar o chão todo...
Inspector: Mais essa, condições sanitárias deploráveis! E podia ficar aqui o dia todo a declamar infracções, a não ser que cheguemos a um acordo, claro...
Pai Natal: Deixe-me adivinhar, um plasma para o Rafeiro...
Inspector: Eu quero lá saber do Rafeiro, eu quero é um plasma para mim! Aliás, eu quero é um LED, que isso de chorar por plasmas é para atrasados tecnológicos.
Pai Natal: Pronto, está bem, deixe a sua morada ali com o elfo, vou ver o que se pode arranjar.
Inspector: E um com montes de polegadas, ou para o ano tens-me cá outra vez! A mim e à Rena 4, que parece ter gostado da missão!

Até sempre e um Bom Natal para vocês, joves!
Rafeiro Perfumado

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Corre, balofo, que é para isso que te pagam!


A ecologia está na moda. Poupar combustível está na moda. Energias alternativas estão na moda. Calças em que o cu parece estar ao nível dos calcanhares também estão na moda, mas aí já me estaria a afastar do que quero falar.

Para quem anda em Lisboa com um mínimo de atenção, já terá certamente reparado nos mais recentes meios de locomoção da Polícia Municipal. Dá gosto vê-los, todos lampeiros, em cima dos seus carrinhos eléctricos ou segway, para cima e para baixo. Até aquece o coração olhar para eles e ver que estão inchados de orgulho, especialmente quando alguma turista mais roliça lhes pede para tirar uma fotografia agarrada ao seu equipamento.

Só que, a avaliar pelo físico de alguns dos elementos desta força de ordem, não sei se este meio de transporte será o mais indicado. É que não só as barriguinhas não desaparecem, como acaba por ser uma crueldade para com as baterias, obrigadas a realizarem esforços desumanos para movimentarem tais massas corporais. Em alguns casos mais extremados, acho que deveriam mesmo criar um modelo com um sidecar, apenas para acondicionar a proeminência abdominal do senhor agente!

E, claro, há sempre o pormenor da eficácia real destes equipamentos no desempenho das funções policiais, ainda mais atendendo à geografia acidentada da nossa cidade. Mas no meio de uma tão grande consciência ecológica, certamente que os criminosos também irão colaborar, evitando correr demasiado ou fugir por escadas, afinal é o futuro do ambiente que está em jogo!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Ao lado do Zezé?!?

Eu sou um tipo compreensivo. E calmo, quanto baste. E sei que em certas matérias não tenho conhecimentos suficientes para opinar, apesar de não deixar de o fazer.

A arrumação dos livros nas prateleiras das livrarias, por exemplo. Certamente que aquilo obedece a um critério qualquer. É por isso que não me chateio quando vejo o meu Are you ladrating to me?!? perto da área dos lacticínios, nos supermercados. E não me enervo quando o vejo espetado na secção das viagens, ali mesmo entre os guias de Madrid e Paris. Fico até ligeiramente lisonjeado quando o vejo na área da auto-ajuda. Agora para tudo há limites. Se a intenção é envergonhar-me, parabéns, conseguiram! Colocar o meu livrinho ao pé do Zezé Camarinha é espezinhar todo o orgulho que eu poderia ter nesta publicação. Vá, dêem o passo final e tentem que eu corte os pulsos, falta meterem-me entre a biografia do José Castelo Branco e o livro de boas maneiras da Paula Bobone. E que o meu internamento vos pese na consciência, seus grandes suínos!


Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: obrigado, João, por me alertares para este atentado à minha honra e reputação!

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

O meu reino por um assento quentinho!


Que pancada é essa que as pessoas têm em não se quererem sentar em cadeiras previamente aquecidas por peidolas alheias? Sempre me causou uma grande impressão ver, após acesas batalhas campais por um lugar sentado nos transportes públicos, os vencedores não reclamarem de imediato o seu prémio, optando por guardarem com o corpo o assento recentemente desocupado, esperando que o mesmo arrefeça. Isto, no mínimo, é um desrespeito para com os derrotados. Faz lembrar aquelas situações em que um monte de gaijos anda à chapada por causa de uma gaija e no fim o vencedor não se apodera do troféu, preferindo exibi-lo perante os concorrentes vencidos e humilhados.

O que é que vai naquelas cabeças? Acham mesmo que os vírus morrem se sentirem a ausência do calor nadegal durante alguns segundos? Quer dizer, não se trata propriamente de chocar ovos, acredito que a haver vírus eles não vão simplesmente desfalecer pela ausência momentânea de calor.

E o estranho é que estas pessoas são as mesmas que agarram os varões nos transportes públicos, que nas lojas de música colocam headphones nas orelhas, que nos oculistas provam diversas armações, que nos restaurantes comem com os talheres que estão em cima da mesa, mesmo sem saber se algum não terá sido trocado pelo da mesa do lado, cujo ocupante tinha deixado cair o seu. A quantidade de vezes que eu já fiz isto…

Voltando à vaca fria, ou melhor, ao assento quente, e falando por mim, eu adoro um lugar quentinho. Então no Inverno, tenho de resistir a andar a saltar de assento em assento, aproveitando o calor antes que ele se dissipe. Então as pessoas gastam fortunas a colocar ar condicionado em casa, radiadores para as casas de banho, chão aquecido, mantas eléctricas, vestem várias camadas de roupa ao ponto de parecerem o boneco da Michelin enquanto um banco aquecido da forma mais natural possível (excluindo a parte dos gases) já lhes mete nojo, ao ponto de o desprezarem? Sejam coerentes, pá!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

A verdadeira história dos Alfacinhas


Eis uma denominação atribuída aos lisboetas que sempre me intrigou. E intrigou ao ponto de ter dedicado uma grande parte da manhã de terça-feira a investigar o tema, levando-me mesmo a passar numa rua perto da biblioteca.

Mas, sinceramente, nenhuma das hipóteses que me foram até agora apresentadas conseguiu convencer-me. Elas eram histórias de árabes, de cercos à cidade, de alimento existente nas colinas, enfim, coisas perfeitamente banais, sem sumo, coisa que não sucederia se em vez de alfacinhas os lisboetas fossem chamados de laranjinhas ou melanciazinhas.

Se nos borrifarmos na origem da palavra (estratégia sempre útil para quem, como eu, não percebe nada do assunto) e nos limitarmos a separar criteriosamente as sílabas, ficaríamos com um “al”, com uma “face” e um “inha”. Ora isto, numa interpretação abusiva, quereria dizer qualquer coisa de origem árabe, que tinha uma cara pequenina. Escusado será dizer que não me agrada o rumo que isto pode tomar, pois quando a adjectivação de alguém chama a atenção para coisas pequeninas, é mau sinal, indiciando preparativos para denegrir essa pessoa.

Resta-me pois a única explicação óbvia: quem inventou esta expressão era parvo. Urge então fazer um referendo regional com o intuito de rebaptizar os lisboetas. Mas desta vez, por favor, empreguem um vegetal ou fruto que as gerações vindouras saibam explicar sem dificuldade, está bem? Curgetinhas, isso é que era!

Para terminar, não resisto a contar o episódio em que um amigo meu ficou ligeiramente chateado comigo. Pensando que me iria encavacar, contou a eterna anedota sobre os lisboetas. Para as três pessoas que não a conhecem, é quando dizem que o pessoal de Lisboa é alfacinha e não saladinha porque lhe faltam os tomates. Mediante o seu discurso e posterior riso incontrolável, limitei-me a dizer o seguinte:
Rafeiro: Sabes, tu próprio também tens muito de vegetal.
Amigo parvo: Ai é? E porquê?
Rafeiro (a uma distância segura): Porque contar anedotas cretinas como essa só revela pouca ou nenhuma actividade cerebral.

E assim se mandou uma amizade às alfaces, isto é, às urtigas!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O dilema de ser profissional e macho


No decurso da minha actividade profissional, tenho de receber periodicamente empresas que me tentam convencer que os seus produtos ou serviços são melhores do que as 628 que as antecederam. Nunca me recuso a receber ninguém, pois tenho respeito pelo trabalho que fazem, e sei que muitos deles são avaliados pelo número de reuniões que conseguem efectuar. Já o tempo que dispenso a cada pessoa, varia muito, mediante variáveis tão objectivas como o trabalho que tenho no momento, o grau de interesse da apresentação ou a apresentação da apresentadora. No entanto, que fique bem claro que estas reuniões decorrem sempre num clima de absoluto profissionalismo, mesmo que isso por vezes me levante sérios problemas de consciência.

Ainda no outro dia, em que estava cheio de trabalho, tinha uma reunião marcada com uma empresa. Eis que a moçoila chega e, para meu espanto, com um daqueles decotes de fazer um homem perder-se, em que por uns míseros centímetros não se via o umbigo. Ainda por cima, e de forma completamente casuística, ficou sentada na cabeceira da mesa e eu de lado, pelo que era quase impossível não olhar naquela direcção.

Os minutos que aquela reunião durou foram do mais penoso de que tenho memória. Era ela a falar sobre a sua empresa e eu a ouvir outra vozinha, vinda bem lá do fundo do decote:
Ela: ...e a nossa empresa está no mercado há 18 anos...
Vozinha: Pssst, psssst. Sim, tu, olha para nós. Não te armes em pudico, anda!
Ela:... e oferecemos soluções construídas à medida do cliente...
Vozinha: Aqui, pá, estamos aqui! Pára de morder o lábio e de a fixar nos olhos, nós estamos aqui em baixo!
Rafeiro: Cala-te, pá, não me tentes!
Ela: Desculpe?
Rafeiro: Nada, nada, é que realmente trata-se de uma oferta tentadora.
Ela: ... seria uma honra para nós podermos apresentar uma proposta...
Vozinha: Ó meu grande paneleiro, se calhar não gostas, não?!? Vá lá, só uma espreitadela rápida, ela nem nota!

Felizmente a reunião terminou pouco depois, tendo conseguido resistir ao apelo da vozinha. Tenho de ser sincero, não me lembro do nome da empresa nem o que ela lá foi apresentar, só que as glândulas mamárias da jove eram, perdão, deviam ser bem giras!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Molhar a minhoca


Até me arrepio só de pensar no género de pessoas que poderão vir aqui parar só por causa de pesquisas na internet sobre este tema. Lamento desapontá-los, mas vou apenas falar sobre pesca, esse desporto / passatempo / trabalho fascinante.

Já fui várias vezes convidado para ir pescar, normalmente por pessoas que julgo não serem muito minhas amigas. É que levantar de madrugada, passar o dia todo sentado num barco ou num banquinho, comendo sandes e tendo por companhia apenas outros gaijos, é o tipo de desgraça que eu desejo apenas aos meus maiores inimigos. E tudo isto enquanto se espera que um peixe se decida a auto-piercingzar-se, pelo que acho bastante óbvio esta não ser uma actividade que entre no meu TOP 853 de actividades consumidoras de oxigénio.

Já quando eu era puto o meu pai tentou por diversas vezes despertar-me o interesse para este “desporto”. Acho que o esforço dele terminou no dia em que puxámos um polvo para dentro do barco e o começámos a empurrar cada um para cima do outro, isto enquanto nos íamos aproximando perigosamente das bordas do barco e não decidíamos quem é que avançava para o dominar (parece que é preciso virar-lhe a cabeça do avesso). A pescaria terminou com cada um de nós empoleirado numa ponta do barco e o polvo no meio, dominando completamente as operações, para alegria dos outros pescadores que assistiam divertidos à cena.

Ouçam, que se pesque por necessidade, eu até percebo, pois ouvi dizer que aquilo até se come, agora por prazer?!? Mas quem é que no seu juízo perfeito pode ser adepto duma actividade cujo sucesso está dependente da vontade suicida dum bicho que se limita a andar por ali a fazer “blup”? Dá assim tanto gozo pescar um ser que decide morder um objecto pontiagudo, com coisas nojentas na ponta? E não me venham dizer que é por fome, porque se não existissem pescadores eles não morriam à fome de certeza! É que se as coisas fossem assim, nem havia necessidade de ir à pesca antes do sol nascer, aquilo era bicharada que andava sempre esfomeada, à espera da minhoquita dos pescadores (esta frase foi só para dar uma borla ao pessoal estranho que cá veio parar por causa do título).

Assim, caso queiram manter intacta a minha estima e amizade por vocês (na pouco provável hipótese desta existir), poupem-me a estes convites, está bem?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Vivam as comissões!


Ciclicamente recebo um e-mail dando conta de (mais) uma roubalheira que a Banca se prepara para fazer, neste caso a cobrança de comissões pela utilização das caixas Multibanco, vulgarmente conhecidas por ATM (e também porque não me apetece escrever muitas vezes “caixas Multibanco”). Em alguns casos, é mesmo adiantado o valor a sacar pelas Instituições Bancárias aos pobres utilizadores, 1,5 € por cada operação.

O cerne da questão está num velho truque, começa por se fornecer um serviço gratuito às pessoas, estas habituam-se ao mesmo e quando dão por ela, ZÁS, o serviço passa a ser tarifado.

Como sabem, e se não sabem ficam a saber, eu sou contra tudo o que prejudique as pessoas sérias e trabalhadoras. É por isso que eu grito: 1,5€?? SÓ?!? METAM ISSO A 15 EUROS, NO MÍNIMO! É que talvez assim se afaste definitivamente certas pessoas destas máquinas, por manifesta incapacidade de conviverem com as mesmas. Aliás, há indivíduos que são tão ursos no que toca a utilizar as ATM que quando se aproximassem a menos de 12 metros de uma, deviam imediatamente levar com uma comissão em cima, para aprenderem a distinguir entre utilização gratuita e utilização abusiva! Fosse eu religioso e rezaria todos os dias para que a próxima geração de máquinas venha equipada com uma cadeira e chicote, para manterem à distância esses abusadores, enquanto gritam “PARA TRÁS, ANIMAL, PARA TRÁS!”.

Claro que não me estou a referir a quem utiliza a ATM para pagar todas as facturas que tem, desde a conta da electricidade até à mensalidade da Sex Shop, afinal estas foram criadas para isso. Refiro-me sim a quem usa as máquinas de forma perfeitamente despropositada e abusiva, como pedir um extracto, levantar dinheiro e imediatamente pedir novo extracto. Nesses casos, acho que a máquina deveria emitir o segundo extracto com uma dedução de 87 euros, que era para a pessoa aprender a subtrair o que levantou do extracto anterior (já para não dizer que o próprio talão de levantamento tem o saldo). Será que quando iam a um balcão tinham este procedimento? Ou aí teriam receio que o empregado os espancasse com justa causa? O que move as pessoas a fazerem isto? Pensarão que talvez a máquina um dia dê uma borla, esquecendo-se de debitar os levantamentos? Ou pensarão que os juros estão assim tão altos que o dinheiro cresceu entre as duas operações?

Outra aberração que é bastante comum é pedir o saldo e logo de seguida a consulta de movimentos. Ouçam, se repararem bem, no fim da consulta de movimentos está lá um número que representa o produto final que os vários movimentos produziram na vossa conta, vulgarmente conhecido por SALDO!!! Percebem?!? Não têm de ajudar a acumular filas atrás de vocês ou contribuir para que os médicos que tratam as úlceras gástricas enriqueçam! Utilizem sim, mas para que eu e outras pessoas que apenas querem fazer um simples movimento não arranquem metade do cabelo ou roam as unhas até aos cotovelos!

Está bem que a Banca, tal como outras áreas de negócio, tem a fama de emprestar um guarda-chuva quando está sol e exigi-lo de volta quando começa a chover, mas neste ponto, acho bem que se combatam os abusos. Querem uma sugestão simples? Atribuam um determinado número de utilizações mensais grátis a cada Cliente, após o qual começariam a cobrar. Garanto que muita gente começaria a ter uma utilização mais racional deste canal, contribuindo para a felicidade de muitos. De muitos? Quero lá saber dos muitos, da minha!

Por último, uma súplica muito sentida para os fabricantes das ATM. Por favor instalem uma catapulta na máquina para que quando uma senhora, após ter concluído as suas operações, usar a zona do teclado para organizar o conteúdo da sua mala, esta seja projectada para cima do telhado do prédio mais distante! E se a mulher for junto, também não se perde nada...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

E o Vencedor é...

Como consequência de vivermos num estado democrático, volta e meia realizam-se eleições, nas quais temos de decidir quem irá conduzir os nossos destinos, seja ao nível das autarquias, do país ou (para quem ainda acredita) da Europa, de preferência sem se estampar num dos múltiplos buracos que aparecem no caminho.

Todas estas eleições resultam numa panóplia de candidatos e respectivos programas, pelo que optar em consciência pelo melhor é uma tarefa complicada, diria mesmo trabalhosa. Os mais puristas defendem que para uma decisão verdadeiramente substanciada deveriam ser analisados os perfis dos candidatos, a exequibilidade dos seus programas eleitorais, a qualidade das equipas que os acompanham e mais um sem número de variáveis lógicas e com sentido, pelo menos para quem não tiver mais nada que fazer na vida do que mergulhar nesses meandros. Falo por mim, que mal ouço a mínima referência a tempo de antena (não está na altura de actualizar esta expressão para tempo de cabo, tempo de wireless ou coisa do género?) procuro imediatamente programas alternativos.

Mas, para quem quer exercer o dever cívico de forma justa e ponderada, o que realmente tem a fazer é colocar cada candidato no prato da balança e ver qual tem maior peso (gorduras e implantes à parte) e consistência.

Eu, que sou avesso à política, tenho outra sugestão: colocar todos os candidatos no mesmo prato e dar um valente murro no outro, projectando-os para o ar, ganhando aquele que subisse mais alto. Se esta operação fosse efectuada num local com um tecto baixinho, ainda melhor. Pronto, talvez seja um método demasiado violento, mas que era giro, isso era, podendo mesmo levar-me a assistir aos debates políticos!

E na prática a escolha deveria passar por algo do género. Mais do que ver qual dos candidatos tem a maior lábia ou a maior quantidade de gel no cabelo, as eleições deveriam ser ganhas pelo candidato capaz de superar determinados obstáculos, representativos do trabalho que terá pela frente caso seja vencedor:
- Sobreviver durante dois meses apenas recebendo uma pensão de velhice
- Conseguir executar uma obra sem que o orçamento derrape mais do que 3%
- Resistir a dar emprego a toda a família até ao primo em 7º grau
- Ser capaz de inaugurar uma obra sem espetar lá com uma placa alusiva (ganha pontos extra se nem sequer comparecer à inauguração)

Se forem capazes disto, tenho a certeza que irão fazer um excelente trabalho e, como bónus, garantem não só o meu voto como uma ida minha ao fisioterapeuta, tal o trambolhão que o meu queixo daria.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: Texto mais ou menos parecido com um que saiu no Passeio de Lisboa, há uns tempos. A propósito, esta publicação fechou. Quem os manda convidar cronistas da treta?

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Não gosto de ti porque sim!


Normalmente não sou um tipo capaz de ter (muitos) ódios de estimação, mas certas pessoas conseguem realmente despertar a besta que há em mim. Refiro-me, neste caso, ao André Sardet, o qual costumo tratar carinhosamente por André Sardão.

Nada me move contra o moço, até acredito que saiba contar umas anedotas, que seja um bom parceiro para jogar à sueca ou mesmo sócio do Benfica, mas a realidade é que não o consigo ouvir cantar. Estou eu muito sossegado no trabalho (péssima escolha de adjectivo, eu sei) quando à distância soam os primeiros acordes de uma música do Sardão. E eis-me a sair disparado em direcção à fonte da poluição sonora, derrubando tudo e todos pelo caminho, enquanto grito “NÃAAAAAAOOOOOO!!!”, só parando o voo picado quando embato no rádio e procuro freneticamente o botão do “off”!

É mais forte do que eu, pura e simplesmente não consigo ouvir o tipo. A culpa é também das estações de rádio, que quando sai uma música nova a repetem até à náusea, o que no caso do Sardão é a partir dos oito segundos! E se são grandes as músicas dele... Sei isso porque no departamento há dois rádios, um na minha mesa e o outro mais longe, normalmente defendido com unhas e dentes pelas fãs locais, que sadicamente se encarregam de aumentar o volume e tudo!

E desculpem lá, aquilo é música que se apresente, sem chama, sem genica? Aposto que é feita especificamente a pensar nos concertos, em que o tipo se mete numa cadeira com a sua guitarra, dedilhando PLÉM-PLÉM-PLIM-PLIM-PLOM, enquanto faz carinhas apaixonadas para a plateia, mas sem grande esforço. É uma música que não faz suar o artista, e sendo assim deixa desde logo muito a desejar quanto à sua qualidade!

E depois as letras, fosca-se, o que dizer da profundidade daquelas letras. Vou pegar no seguinte exemplo:

Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.

Gosto de ti porque sim? Mas estamos na primária ou quê?!? Gosta-se duma tipa porque é podre de boa, porque tem os olhos lindos, as glândulas mamárias proeminentes, em casos raros por causa da sua personalidade, agora porque sim?!? E que dizer da dimensão do amor? Até à lua, ida e volta? Quer dizer, está-se completamente apaixonado, e o grau de amor é feito com o corpo celeste mais próximo da terra que existe? Se é gostar mesmo é daqui até Urano, ou mesmo à nebulosa Eta Carinae, agora entre dizer até à lua ou até Ranholas, é quase igual!

Meu caro André, volto a dizer, nada me move contra ti como pessoa, agora como cantor, já não te posso ouvir. E acredita que não é nada bom viver assim.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Toma lá a resposta que mereces!

O tema “Maitê Proença” está na berra, multiplicando-se um pouco por todo o lado as reacções ao vídeo em que a jove brinca com Portugal e com os portugueses. Sou da opinião que ela não deve ficar sem resposta, pelo que aqui fica aquela que eu acho mais adequada.











Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Dói-me a cabeça, Doutor


Certa vez em que os meus problemas mentais se manifestaram com maior intensidade que o normal, resolvi ir a uma consulta de neurologia, marcada por intermédio da minha jove. Eis o diálogo que não aconteceu por um triz ou outra palavra estranha:
Rafeiro: Boa tarde, Doutor.
Médico: Ora então boa tarde, caro Rafeiro! Sente-se, sente-se. Então o que é que o traz por cá?
Rafeiro: É a cabeça, Doutor, tem-me andado a doer.
Médico: A cabeça, sempre a cabeça, essa malandreca. Muitas vezes o corpo não tem juízo e a cabeça é que paga, não é? Mas vamos lá primeiro auscultá-lo e medir a tensão. Hum, parece-me tudo normal. Mas diga-me lá, como é que são essas dores?
Rafeiro: Umas vezes são picadas, outras vezes parecem descargas eléctricas, ou como se me estivessem a apertar, varia bastante.
Médico: Estou a ver. Agora diga-me, tem cuidado com a higiene da sua cabeça?
Rafeiro: Desculpe?
Médico: Se a lava frequentemente, tem cuidado com ela...
Rafeiro: Claro, Doutor. Lavo-a todos os dias, esfrego-a bem e até a penteio com uma escova especial, para não a magoar.
Médico: Estou a ver... outra coisa, em que situações é que lhe costumam dar essas dores?
Rafeiro: Normalmente em situações de mais stress, em que tenho de despender mais esforço físico e mental
Médico: Logo quando mais precisa dela, não é? E isso impede-o, por exemplo, de ter relações sexuais?
Rafeiro: Nem por isso, aí o que impede é quando dói a cabeça à minha cara-metade.
Médico: Ah, não me tinha dito que era homossexual mas eu também devia ter desconfiado...
Rafeiro: Como?!? Ó Doutor, o gritinho que eu dei quando me auscultou foi porque o estetoscópio estava frio como o caraças, agora eu cá sou muito heterossexual!
Médico: Quer então dizer que a sua cara-metade afinal não tem cabeça?
Rafeiro: Que insinuações são essas sobre a minha jove?!? Está bem que ela não é do Benfica, mas daí a não ter cabeça vai uma grande, vá, média distância!
Médico: Acho que não o estou a perceber...
Rafeiro: Nem eu, e até me está a começar a doer a cabeça, olhe aqui as veias na testa todas salientes!
Médico: Ah, essa cabeça! É que eu sou urologista!
Rafeiro: Ah...

Felizmente dei pelo engano uns segundos antes de entrar na consulta, ou tinha sido lindo, eu a sacudir a caspa e ele a mandar-me baixar as calças.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

PS: fui obrigado a colocar esta nota de rodapé para esclarecer que o erro na marcação não foi da minha jove mas da animaleja que a atendeu. Pelo menos é o que ela diz...

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Não gozes comigo, pá!

É sabido e consensual (espero) que a maior parte dos programas televisivos se resume a lixo, com a agravante deste nem poder ser reciclado nem ser orgânico (daquele que permite produzir energia), apesar de muitos dos adjectivos utilizados para o descrever se enquadrarem nesta categoria.

Então quando se chega aos concursos televisivos – salvo honrosas excepções que não divulgarei para não ser etiquetado - aí era mesmo pegar neles e tungas, direitinhos para dentro da incineradora, como se de resíduos tóxicos se tratassem, juntamente com público, apresentadores e concorrentes. Mas isto seria um assunto demasiado extenso para desenvolver aqui, pelo que me vou cingir ao exemplo que mais mexe com os meus nervos, ao ponto de quase desligar a televisão quando ele é exibido.

Falo-vos do “Salve-se quem puder!” que, tenho de admitir, é o único concurso cujo título avisa os telespectadores sobre o que os espera. Aquilo bem espremido, mas mesmo muito bem espremido, acho que não dava material para reconstituir o pescoço do Marco Horácio, pois o formato do programa resume-se a 72 segundos em que os concorrentes tentam evitar ir ao banho e o restante tempo a ouvir as larachas ensaiadas pelos apresentadores. Aquilo sem som nem é mau de todo, pois conta com a presença da Diana Chaves, único motivo que faz com que de vez em quando dispense algum tempo àquele triste espectáculo, em vez de fazer algo mais útil, como atirar almofadas ao gato.

Meu caro César Peixoto, em circunstâncias normais estaria a borrifar-me para o assunto, mas dado que passaste a ser jogador do SLB, fica aqui o aviso: não te ponhas a pau com o Marco Horácio que quem ainda vai ao banho és tu!

Mas, dentro da miséria do programa, existe algo ainda pior, que tenta humilhar a inteligência (já de si diminuída) de quem assiste ao mesmo. Refiro-me a este jogo, em que se desafia os telespectadores a adivinharem a que opção corresponde a figura.


Eu sei que o negócio televisivo anda mal, e é necessário arranjar fontes alternativas de rendimento, mas aqui estão a ir longe demais. Se querem estimular ainda mais o vício dos portugueses em fazerem chamadas de valor acrescentado, ao menos façam-no sem os insultar, pois as opções apresentadas não passam disso mesmo, um insulto, como que a dizer “vá, se tens inteligência suficiente para ler isto e marcar os números, também deves saber a resposta”. Quem é que tem coragem de ir no dia seguinte para o emprego e gabar-se que acertou na resposta? Será que ocorrem frases como estas?
- Epá, estava mesmo para dizer que era pato, mas depois reparei na tromba e optei por dizer elefante! Sou ou não sou um tipo esperto?!?
- Ontem aquilo do morcego era difícil, pá, não fosse o puto ter dito que tinha a certeza que nem as vacas nem as ovelhas têm asas e acho que tinha de responder ao calhas!

Se é para sacar dinheiro à malta, ao menos tentem arranjar exemplos que, no mínimo, criem alguma dúvida, para a pessoa, ao constatar que foi uma das 457.328 que não ganhou o prémio, ao menos ter o consolo de ter puxado uns centímetros pela cabeça! Caso contrário, mais vale colocar este desafio, pois o que perde em educação ganha em honestidade!


Para que se saiba, a resposta correcta é “*”, que na prática corresponde a “Elemento introduzido na sua cavidade anal sempre que insiste em participar nestes jogos parvos”.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Cheira bem, cheira a Rafeiro Perfumado

Tenho o prazer de vos anunciar que a partir de hoje passarei a colaborar com o jornal on line Passeio d'Lisboa, através da crónica Cheira bem, cheira a Rafeiro Perfumado. Para as duas pessoas que gritaram histericamente “eu sabia, eu sabia, este gaijo anda a encher-se de dinheiro, primeiro os livros e depois isto, aposto que também anda metido na droga e no tráfico de ceroulas cor de salmão”, sinto-me na obrigação de vos elucidar que a minha participação será completamente gratuita, pois os tipos recusaram inclusive a comparticipar no desgaste do teclado. Ah, e também vos elucido que são parvos e que vos odeio.

Esta aparição terá uma periodicidade quinzenal, sendo que os temas andarão sempre à volta de Lisboa e arredores, por forma a honrar o nome do jornal. Uma vez que a minha imaginação já conheceu melhores dias, os textos que eu lá colocar serão depois replicados aqui, com uma diferença temporal nunca inferior a 17 dias. Porquê? Porque me apetece. A única diferença é que os textos aqui serão “deslisbonizados” e garantidamente mais longos, pois se lá estou sujeito à tirania do espaço, aqui quem manda - JÁ VOU DESPEJAR O LIXO, NÃO GRITES, JOVE!!! - sou eu.

Até daqui a um bocadinho,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Por uma revolução no "transportês"


Como em tudo na vida, os transportes têm sofrido uma grande evolução. Cada vez estão mais automatizados, mais eficientes e menos civilizados, características essenciais da sociedade actual. No entanto, noto que há um aspecto que fossilizou no tempo. Com efeito, algumas das frases que são ditas no sistema de som dos transportes e respectivas estações estão claramente desfasadas em relação aos tempos que vivemos e à fauna transportada. Sim, que aquilo é muito polido, a roçar a boa educação, e a malta já não vai lá com falinhas mansas. Assim, e por forma a tornar as comunicações condizentes com a realidade, proponho as seguintes alterações:
Actualmente: Senhores passageiros, o comboio que liga Lisboa a Sintra circula com um atraso de 21 minutos. Pedimos a vossa compreensão e desculpas pelos incómodos causados.
No futuro: HEHEHE!!! Isto está atrasado, serviu-te de muito dizeres que tinhas o gato doente para saíres mais cedo, já vais perder a primeira parte do jogo!

Actualmente: Senhores passageiros, por favor não forcem as portas.
No futuro: Ouçam lá, suas bestas, sabem que essa treta é cara? Queriam apanhar o comboio tivessem vindo mais cedo, não é agora abrir isto à bruta. Excita-vos forçar a entrada, é?!? O próximo paneleiro que não deixar fechar a porta vou aí pessoalmente tratar-lhe da saúde!

Actualmente: Senhores passageiros, por favor facilitem as entradas e as saídas.
No futuro: Minha cambada de palhaços, quanto mais tempo demorarem a deixar os outros animais entrarem e saírem, mais tempo levam a chegar a casa, que eu daqui não saio! Ah pois, é que o meu horário é exactamente o mesmo, com sorte ainda paro isto entre duas estações e depois amanhem-se!

Actualmente: Informamos que, por motivos técnicos, a circulação de comboios se encontra interrompida.
No futuro: É assim, fizemos asneira da grossa. Toca a aguentar a ver se a malta consegue meter isto normal.

Actualmente: Por motivos alheios ao Metropolitano, a circulação encontra-se com perturbações.
No futuro: Isto não está a correr bem, mas não temos culpa. Motivos? Ou não sabemos ou não queremos dizer! É aguentar e caladinho, caso contrário, podes sempre ir fazer exercício e pirares-te daqui para fora!

Está bem que estas novas frases não primam pela polidez, mas seriam, sem dúvida, muito mais eficazes, além de que a sinceridade compensaria em larga medida possíveis melindres que pudessem causar.

Até sempre, se estiver para aí virado,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Expressões estranhas, para não dizer estúpidas – Está toda enxuta


Esta expressão, utilizada amiúde (adoro esta palavra) tanto por homens como por mulheres, pretende dar a entender que alguém está bem conservado, especialmente se atendermos à idade que tem. Em linguagem mais simples, é o mesmo que dizer “é velha mas marchava na boa”.

Isto não me choca, há efectivamente por aí muitas mulheres que parecem ser imunes à passagem do tempo, inclusive algumas até ganham outro encanto. O que me causa perplexidade é o associar-se o termo “enxuta” a uma constatação física, pois por muito que pense não consigo ver a relação do grau de secagem com o grau de conservação e interesse. Aliás, existem dois exemplos que deitam esta teoria completamente por terra, ou por água abaixo, uma vez que estamos nesse campo:
Os produtos liofilizados. Mais enxuto que aquilo não há, no entanto para serem colocados num estado normal, temos de os molhar.
O bacalhau. Compra-se sequinho, teso, enxuto. No entanto, para poder ser comido tem de ser colocado previamente de molho.

Aplicando estes exemplos às enxutas, ainda haveria quem pegasse nelas e lhes desse uma mangueirada ou as pusesse de molho, a ver se ficavam verdadeiramente boas! E se ainda não estão convencidos, façamos a análise pelo lado oposto. Imaginem que me apareciam à frente a Nicole Kidman ou a Mónica Bellucci, todas molhadinhas. Acham que eu me iria armar em esquisito, dizendo “ai não, que eu prefiro as enxutas”?

E acreditem que este exemplo soava muito melhor quando pensei nele do que agora que o escrevi, o que vale é que não há ninguém por aqui que veja segundos sentidos nas minhas palavras...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Questões que me fazem acordar com mais remela do que o costume


Se os carros não tivessem limpa pára-brisas, onde é que seriam colocadas as multas e a publicidade? No tubo de escape? Em cima do capô com uma pedrinha a fazer peso para não voar? Agrafada aos pneus? Nos vidros, com recurso a cuspo?

Acho que já está mais do que na altura da indústria automóvel pensar num compartimento próprio para este tipo de correspondência. Até lhe podiam chamar, sei lá, “caixa de correio”, e assim até já tínhamos um local para afixar um autocolante a dizer que não pretendíamos correspondência não endereçada (não confundir com a indesejada, queriam livrar-se das multas, era?), o que evitaria sempre que regressamos ao carro encontrá-lo inclinado para um dos lados e o limpa pára-brisas levantado quase meio metro, à conta da publicidade a dezassete restaurantes indianos, aos videntes professores Doidini, Aldraboni e Vergadura, à clínica dentária “Abra a boca e a carteira”, a metade dos hipermercados de Portugal e as páginas amarelas da zona, que resolvem brindar-nos com o conhecimento dos seus serviços.

Mas sabem dizer-me quem é que vos deu autorização para mexerem no meu carro?!? Quem me garante que a malta que faz este tipo de serviço tem as mãos em condições higiénicas aceitáveis ou mesmo lavadinhas? Ainda conspurcam as escovas, que por sua vez emporcam os vidros, acabando por provocar algum acidente. Se houvesse justiça neste mundo, o acidente envolveria o atropelamento de um destes artistas, mas a realidade raramente corresponde aos sonhos.

O que é que vocês achariam se eu me chegasse ao pé de vocês, vos puxasse as pálpebras para cima e lá enfiasse publicidade ao meu blogue? Hum? Eu que vos volte a apanhar perto do meu carrito e ficaremos a saber, e aviso já que o papel será daqueles ásperos e a largar tinta, que nem para limpar a peidola serve!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Eu já nem tento compreender-vos, gaijas...


No outro dia ouvi duas colegas minhas conversarem sobre uma maquilhagem chamada "look natural". Porque é que será que me lembrei imediatamente das plantas naturais que imitam o plástico?

Até quarta-feira,
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Não tem de ser isso que estás a pensar!


Se para ouvir melhor tapamos um ouvido, se para ver melhor tapamos um olho, quando se mete um bebé a arrotar não seria suposto tapar-lhe nada, para que aquilo fizesse mais efeito?

Até segunda-feira,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Até já o catano!


No outro dia vi um táxi com uma publicidade muito estranha. Infelizmente não o consegui fotografar, pelo que vão ter de acreditar na minha palavra.

Na realidade eram duas publicidades distintas, sendo uma delas da TMN, com o seu habitual slogan “Até já”. Nada de estranho, portanto. Já a segunda publicidade era ao franchising das funerárias, a Servilusa. E é aqui que a porca torce o que lhe apetecer. A simples presença num táxi de publicidade a uma funerária dá-me arrepios, pois é sabido o quanto a nossa vida fica em perigo sempre que entramos dentro de um. Fica igualmente a ideia que se não tivermos dinheiro para o cortejo fúnebre ou a família estiver demasiado ocupada, pode-se sempre chamar um táxi e despachar o defunto “olhe, é para o Cemitério dos Prazeres, terceira campa à esquerda da capela”. Mas ainda pior é se conjugarmos as duas publicidades, porque uma funerária a dizer-nos “até já” não só é macabro como pode mexer com a religiosidade de cada um!

Até já, perdão, sexta-feira,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Benze-te, FIFA, benze-te!


A FIFA prepara-se para intervir no sentido de proibir as demonstrações religiosas no futebol. Ora aqui está uma medida relativamente à qual estou muito curioso em ver como é que vai ser aplicada.

Primeiro, quais serão as atitudes e gestos que irão ser proibidos? Será que a benzidela que a maioria dos jogadores faz antes de entrar em campo será erradicada, colocando-se o árbitro auxiliar a mandar uma bandeirada nas mãos de quem tentar tal barbaridade? E o olhar para o céu quando se falha um golo escandalosamente, será que passará a ser punido com amarelo (nalguns casos era amarelo e um par de estalos, tal a azelhice)? Já quando um jogador fica de cócoras, será encarado como estando simplesmente extenuado ou como estando a rezar em direcção a Meca? E quando um jogador se dirige respeitosamente ao árbitro, levantando dúvidas sobre a castidade da sua mãe, é caso para ser expulso duas vezes? E o actual treinador do Benfica, Jesus, irá ser irradiado? E a "Mão de Deus", do Maradona, será que vai ser amputada?

Por outro lado, quando existem aquelas jogadas em que alguém cruza, a bola bate no ombro de um jogador, vai bater na canela de outro e é auto-golo (qualquer coincidência entre esta jogada e o apuramento recente de uma equipa portuguesa talvez seja coincidência), será que passarão a ser anuladas, por nitidamente haver ali dedo divino?

Senhores da FIFA, mesmo correndo o risco de dizer uma blasfémia, e se fossem mas é levar no rabinho?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Ao menos podia ter o nariz ranhoso...


O Cristiano Ronaldo está magoado com as suspeitas lançadas sobre ele, de ter fingido uma constipação para não jogar um particular pela selecção portuguesa. Quem o viu a jogar ontem, realmente, não pode ter deixado de afagar o queixo, enquanto lançava um olhar clínico ao moçoilo. Até eu fiquei com dúvidas, pois vi o jogo todinho com muita atenção e nem uma única vez o tipo puxou do lenço para se assoar...

Até segunda-feira,
Rafeiro Perfumado

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Estranho, no mínimo


Há certos acontecimentos que se desenrolam à nossa volta que nos fazem ficar de pé ou outro membro atrás. No outro dia um restaurante perto do meu trabalho encerrou, colocando um aviso em como iria proceder a limpezas. Passado o período indicado no aviso, nova mensagem, desta vez informando do falecimento de um dos empregados.

Já era suficientemente mau nós sabermos que frequentámos o restaurante umas horas antes de ele encerrar para ser limpo, mas esta sequência de avisos é caso para ficar com as orelhas (mas não outro apêndice) em pé. Há uma série de alternativas que podem ter sucedido:
- Será que o empregado morreu ao limpar o estabelecimento?
- Será que a limpeza foi por causa de ele ter morrido em serviço?
- Ou será que o descobriram durante as limpezas?

Nesta última hipótese, já estou mesmo a ver os diálogos:
- Olha, está aqui o Etelvino, afinal não tinha ido de férias!
- Vês, eu bem te dizia que aquele cheiro estranho não podia ser do queijo.
- O sacana, morto e nós aqui a limpar a badalhoquice sozinhos!

Até sexta-feira,
Rafeiro Perfumado