
Começa a enervar-me profundamente aquela malta que se chega ao pé de mim, olha-me de alto a baixo e depois pergunta “então, já foste de férias?”. Perante o meu ar de enfado e resposta afirmativa, vem então a verdadeira estupidez “ah, é que não estás nada queimado”.
Agora digam-me lá: desde quando ir de férias é sinónimo de ficar bronzeado? E se me apetecer ficar em casa a blogar 24 horas por dia? Além de ser uma estupidez completa, não deixariam de ser férias, e com poucas probabilidades de bronzeamento, a não ser que eu colocasse o brilho do monitor muito forte. E se me apetecesse ir fazer mergulho para uma fossa abissal? Além de um muito provável adelgaçamento do corpo, não haveria muitas mais provas de que eu tivesse estado de férias, especialmente ao nível da cor! Poderia falar também dos perigos que a exposição excessiva ao sol cada vez mais apresenta, especialmente ao nível daquela malta para quem um protector Factor 4 é excessivo, mas nem me vou dar ao trabalho...
Nem sei como é que há tantos sentimentos racistas por esse mundo fora, quando se vê que as pessoas ficam todas inchadas quando lhes dizem “epá, grandes férias que deves ter tido, vieste preto”. Será que quando um gaijo leva um enxerto de porrada também passa por turista? E qual será a fronteira que separa, para um racista, o elogio da ofensa?
Quer dizer, lá por eu não ter como ideal de férias lutar por um lugar numa praia, ser colocado num espeto e ir sendo virado ritmadamente, enquanto me vão colocando temperos em cima, isso não quer dizer que eu não tenha tido férias, quer apenas dizer que não tenho vocação para foca ou frango de churrasco. Lembro-me de num sítio onde vivi existir um homem que ia para a praia e colocava palitos entre os dedos dos pés, para obter um bronzeado integral. Se esta ideia já é suficientemente repulsiva, agora imaginem-no o dia todo na toalha, a girar na direcção do sol... é este a vossa ideia de prova de que se teve férias? Prefiro meter os dedos na ficha e aí sim, ficar com um visual queimado.
E quanto ao pessoal que trabalha e se bronzeia só nos braços e cara, será que podemos dizer que tiveram férias em part-body? É que se for assim, os motoristas e os agricultores são das classes mais privilegiadas que existem! Então os mineiros que exploram o carvão, bem, esses nem salário deviam receber, tal a delícia de vida veraneante que levam!
Já estou mesmo a ver o dia em que eu resolva fazer férias ao banho, ao fim de duas semanas devem olhar para mim e dizerem “Jove, grande bronze, isso foi nas Maldivas?!?”. Não fosse pelo cheiro me denunciar, era bem capaz de dizer que sim.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: por falar em férias....
Agora digam-me lá: desde quando ir de férias é sinónimo de ficar bronzeado? E se me apetecer ficar em casa a blogar 24 horas por dia? Além de ser uma estupidez completa, não deixariam de ser férias, e com poucas probabilidades de bronzeamento, a não ser que eu colocasse o brilho do monitor muito forte. E se me apetecesse ir fazer mergulho para uma fossa abissal? Além de um muito provável adelgaçamento do corpo, não haveria muitas mais provas de que eu tivesse estado de férias, especialmente ao nível da cor! Poderia falar também dos perigos que a exposição excessiva ao sol cada vez mais apresenta, especialmente ao nível daquela malta para quem um protector Factor 4 é excessivo, mas nem me vou dar ao trabalho...
Nem sei como é que há tantos sentimentos racistas por esse mundo fora, quando se vê que as pessoas ficam todas inchadas quando lhes dizem “epá, grandes férias que deves ter tido, vieste preto”. Será que quando um gaijo leva um enxerto de porrada também passa por turista? E qual será a fronteira que separa, para um racista, o elogio da ofensa?
Quer dizer, lá por eu não ter como ideal de férias lutar por um lugar numa praia, ser colocado num espeto e ir sendo virado ritmadamente, enquanto me vão colocando temperos em cima, isso não quer dizer que eu não tenha tido férias, quer apenas dizer que não tenho vocação para foca ou frango de churrasco. Lembro-me de num sítio onde vivi existir um homem que ia para a praia e colocava palitos entre os dedos dos pés, para obter um bronzeado integral. Se esta ideia já é suficientemente repulsiva, agora imaginem-no o dia todo na toalha, a girar na direcção do sol... é este a vossa ideia de prova de que se teve férias? Prefiro meter os dedos na ficha e aí sim, ficar com um visual queimado.
E quanto ao pessoal que trabalha e se bronzeia só nos braços e cara, será que podemos dizer que tiveram férias em part-body? É que se for assim, os motoristas e os agricultores são das classes mais privilegiadas que existem! Então os mineiros que exploram o carvão, bem, esses nem salário deviam receber, tal a delícia de vida veraneante que levam!
Já estou mesmo a ver o dia em que eu resolva fazer férias ao banho, ao fim de duas semanas devem olhar para mim e dizerem “Jove, grande bronze, isso foi nas Maldivas?!?”. Não fosse pelo cheiro me denunciar, era bem capaz de dizer que sim.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: por falar em férias....




























