Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A evolução dos tempos. Ou talvez não…

38628 AC, pela tardinha

Um grupo de caçadores afia as suas lanças, preparando-se para a caça ao mamute. Os anciões da tribo olham para eles, apreensivos, pois sabem que do sucesso da caçada poderá depender a sobrevivência de todos.

Já no terreno de caça, recorrem aos ensinamentos ancestrais, aprimorados ao longo de gerações. Descobrem o rasto do animal, procurando conduzi-lo para um local onde o possam encurralar e assim mais facilmente abater. Têm de agir como uma matilha, não apenas para aumentarem as hipóteses de sucesso como por uma questão de sobrevivência. Num ambiente tão hostil o caçador rapidamente se transforma em caça. Que o diga o Neandertas da Silva, que na semana anterior tinha sido abocanhado por um tigre dentes de sabre, apenas por se ter afastado do grupo para poder… bem, não interessa porquê.

Quando finalmente encurralam o mamute, crivam-no de lanças, enquanto urram de prazer, numa demonstração pura de adrenalina e selvajaria. Chegados ao acampamento exibem com orgulho o produto da caçada, sabendo que os que mostraram mais coragem seguramente serão recompensados pelas fêmeas do grupo, num recanto mais escuro da caverna.

2016 DC, 18:07

Um grupo de nerds verifica a bateria dos seus smartphones, preparando-se para a caça ao Pokémon. Os idosos que se entretêm a jogar à bisca olham-nos com receio, sabendo que será do trabalho daquela malta que terá de vir o dinheiro para as suas reformas.

Já no terreno de caça recorrem às dicas sacadas do Google e em fóruns dedicados ao jogo. De repente a excitação apodera-se de todos: há um pikachu verde escarlate a apenas 752 metros dali! Com os olhos colados ao visor do smartphone, precipitam-se na direcção correcta, nem se apercebendo que dois deles tinham caído por uma tampa de esgoto. Ah, a emoção da caçada! Estão agora a 237 metros do prémio! Aceleram, todos querendo ser o primeiro a capturar a presa. Vem um autocarro que ceifa mais uns quantos, mas o que importa isso? Um pikachu verde escarlate vale bem o risco!

Depois de invadirem a casa de uma velhota, que rachou a cabeça a mais dois deles e se prepara para violar um terceiro, ei-los na presença do Pokémon: toca a mandar-lhe bolas virtuais, têm de o capturar a todo o custo!

Ah, que sensação tremenda de consagração, de realização! Mal podem esperar para colocar o feito no Facebook, para que todos possam saber o quão audaz foram! Sexo é que não deverão ter, que isto é malta que apenas deve ligar ao virtual…
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A televisão já não é o que era

A estratégia de comunicação das operadoras de televisão deixa-me, no mínimo, perplexo. Como se não bastasse a MEO dizer que tem o melhor do mundo (update alert, o Messi é que detém actualmente esse título), ainda mete o rapazola a dizer que neste europeu temos de ser os melhores do mundo.

Certamente contagiada por esta linha de pensamento, temos outra operadora que nem no nome consegue acertar, a NOS. Não me venham cá dizer que aquilo se diz NÓS, ou metem um acento ou então é NUS, mesmo.

Como se isso não bastasse, agora lançaram uma nova plataforma de televisão, a UMA. Mas o que se passa, decidiram poupar dinheiro com a malta que pensa nos nomes? Isto é nome que se arranje, pá?!? Já estou mesmo a ver certos diálogos:
Tipo 1 - Ouve lá, que televisão é que tens?
Tipo 2 - UMA.
Tipo 1 - Pronto, és pobrezinho, eu sei, mas eu perguntei é que operadora tens.
Tipo 2 - NÓS.
Tipo 1 - Eu perguntei-te a ti, pá, respondo que depois digo-te o meu.
Tipo 2 - Ai tu és da MEO?

Por fim, o anúncio que esta nova plataforma, a UMA, responde à voz do dono, que o ouve e reconhece as suas preferências. Já estou mesmo a ver a televisão do meu vizinho gritar, logo que ele entre em casa:
-Então, já chegaste? Jantas primeiro ou meto já no canal das gaijas boas?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Pela democratização da Santidade!

Eis-nos novamente na época dos Santos Populares. Confesso que é um tema que me traz muitas dúvidas, mas tantas que se tornaria fastidioso enumerá-las. Vou tentar focar-me apenas nas que me causam urticária:

1º O sexismo da coisa. Porque razão são “os Santos Populares” e não “as Santas Populares”? Bem sei que a posição da Igreja relativamente às mulheres é bastante depreciativa, mas esta é uma festa de cariz popular, razão pela qual deveria haver mais democracia na atribuição do carácter popularucho. Ou vão dizer-me que Santa Bárbara, Santa Agostinha ou Santa Etelvina não têm um lugarzinho nas vossas preces? Para quem não saiba Santa Etelvina é a padroeira das unhacas encravadas…

2º Tradições associadas. Mas quem é que elegeu a sardinha como alimento oficial destas festas? Houve alguma votação da qual não me informaram? E o manjerico? Quem fez dele a estrela floral desta época? Será que é a planta com mais tolerância a rimas foleiras? E nem vou falar das “pancadinhas” que se dão na cabeça com martelos, alhos porros e afins, pois seguramente iria acabar por descobrir conotações sexuais.

3º O termo popular. Se Santo António, São Pedro e São João são considerados populares, por onde andarão os impopulares? Escondidos em becos escuros, onde apenas alguns fãs incondicionais mantêm viva a tradição? Até já estou a ver as marchas desses santos:

Santa Sífilis já me apanhou
São Escorbuto está-me a matar
São Tesão, São Tesão, São Tesão
Dá cá uma transfusão
Para eu arribaaaaaaaaar!

E dito isto vou-me juntar aos festejos dos Santos Impopulares, servir-me de um belo refogado de iscas com brócolos, acompanhado com um belo copo de óleo de fígado de bacalhau!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Dúvidas que me causam caspa

É possível substituir os analgésicos por atacadores? E porque é que existem analgésicos que são tomados por via oral?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Estás kota, rafeiro...

O Rafeiro Perfumado faz hoje dez anos. Em tempo de cão, seguramente que entrou na fase da incontinência urinária, uma ou outra falha sexual e muita vontade de escrever cartas de reclamação.

Por outro lado, o tempo de abate ainda vem longe, pelo que continuará a uivar por aqui, com uma periodicidade quase errática. Quero agradecer a todos os indefectíveis que me continuam a visitar e também aos defectíveis, mesmo esta palavra representando bem o que penso deles.

A todos os que por aqui passam, ruidosa ou silenciosamente, saibam que serão sempre bem vindos. Para vocês o meu mais sonoro e caloroso RAUF!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Trolha's soul is alive!

Bem sei que agora as bocas dos trolhas podem ser alvo de processo criminal, mas frases como esta vão deixar saudades:

"Ó preciosa, queres ser a areia da minha ampulheta, para escorreres por mim abaixo e eu te dar a volta sempre que quiser?"

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 7 de março de 2016

Eu bem tento...

Há uns tempos disseram-me que para ajuizar melhor as pessoas deveria colocar-me no lugar delas. Juro que tenho tentado, mas é raro elas não reclamarem quando as empurro.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Está parado ou a galopar?

Acho piada à expressão financeira “crédito mal-parado”. Eu imagino imediatamente financiamento para comprar carro estacionado em segunda fila. Mas claro, isto sou eu que tenho uma imaginação estranha, estou certo que quem criou esta expressão ponderou com cuidado o significado da mesma. E sim, estou a ser irónico.

Se querem com isto dizer que é um crédito que dificilmente vai ser recuperado, não seria melhor chamar-lhe “Crédito a fugir a toda a velocidade” ou “crédito a cheirar mal”?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vai uma aspiradela?

Neste blog costumo falar sobre assuntos no qual fui protagonista ou acontecimentos que me captaram a atenção, fosse por que motivo fosse. Esta introdução serve para deixar bem claro que o tema de hoje se enquadra na segunda categoria, ok?!?

Um tipo foi condenado na Arábia Saudita a 1000 vergastadas pelo facto de ter feito sexo com um aspirador. Dito isto, vou dar-vos uns segundos para dissiparem da cabeça todas as imagens que se formaram. Já está? Bem, isto levanta toda uma série de questões, condimentadas pelo pormenor de ter sido a mulher a denunciá-lo.

Esta parte para mim é confusa, pois uma vez que a maioria das sauditas são domésticas, o aspirador até poderia ser considerado uma extensão dela própria. Mas seguramente não perdoou o facto do marido ter preferido algo que nunca está com dor de cabeça, nunca finge e avisa quando está cheio.

Mas, partindo do princípio que o sexo foi consensual, qual é o problema destes falsos moralistas? Se fosse com o aspirador da vizinha, compreendo que seria problemático, mas com o próprio aspirador? Um tipo compra um aspirador e tem todo o direito a fazer com ele o que quiser, desde levá-lo a passear, dar-lhe uma trancada ou, em casos mais raros, aspirar!

E, se querem a minha opinião, isto é um rude golpe na luta pelos direitos das mulheres na Arábia Saudita! Seguramente que uma das grandes ambições das locais é que os maridos também contribuam nas tarefas domésticas, certo? Dito isto, como é possível mandar prender e açoitar o primeiro homem que quando lhe pedem para ir aspirar a casa o faz com todo o prazer?

Até sempre,
Rafeiro Perfumado