Nunca percebi a pancada que afecta todos aqueles que apelidam os lisboetas de mouros, especialmente quando os autores da graçola são portugueses. Além de História sempre ter sido uma das minhas disciplinas favoritas, bastaria uma pequena análise ao mapa da ocupação muçulmana da Península Ibérica para constatar que só uma coisinha de nada nas Astúrias é que não se vergou em tempos na direcção de Meca.
O que é que isto quer dizer? Que não há em Portugal um único sítio que não tenha sido reconquistado, com uma diferença entre o início e o fim de uns meros séculos (eu diria quantos mas não gosto assim tanto de história ao ponto de me prender com detalhes). Era questão da malta acordar com genica, montar a cavalo, pegar na espada e toca de ir dar porrada no ocupante islâmico. Lisboa não foi diferente, até tivemos a honra de ser o próprio rei a encarregar-se de correr com os, esses sim, verdadeiros mouros.
Se por acaso chamassem mouros à malta do Algarve, aí eu até aceitaria, afinal durante muito tempo o nosso país foi apelidado de «Reino de Portugal e dos Algarves». Vendo bem, aquilo é malta que de tanto apanhar sol tem uma tez assim para o moreno, basta eles esticarem o pescoço e até conseguem ver os primos do outro lado do mar e, quando o vento está de feição, podem comunicar uns com os outros. Até a língua mais falada, em certos meses do ano, não é o português! Agora os lisboetas serem mouros? Por favor, isso é o mesmo do que chamar (pausa para pensar num exemplo que não me arranje sarilhos) trabalhadores aos deputados (que se lixem os sarilhos)!
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
