Todos nós conhecemos um tipo estranho. O que quero
dizer com isto é que, em cada círculo de amigos, há pelo menos um
exemplar que não nos admiraremos quando um dia vier na capa do Correio da
Manhã. Será nessa altura que nos entrevistarão e que
diremos algo do género:
- Pois, o Etelvino realmente era um tipo reservado,
mas nunca pensei que tivesse uma cave onde aprisionasse pessoas para
lhes arrancar as unhacas do pé direito. Um destes dias reparei num colar
estranho que ele estava a usar, mas quem sou
eu para discutir modas?
Pessoalmente tenho dois ou três conhecidos que
enquadro nesta categoria de psicopatas em potência. Claro que nunca lhes
confessarei tal coisa, mas qualquer programa que faça com eles
desencadeia de imediato um protocolo de segurança, de
forma a evitar um destino em que me veja privado da vida ou, pior, de
partes anatómicas. Gostaria muito de te fornecer detalhes deste plano,
mas nada me garante que tais amigos não leiam isto, pelo que não convém
revelar o que me faz sobreviver a cada encontro.
E porque não terminas com essas amizades, perguntas
tu com enfado. Porque, tal como referi no início, são psicopatas em
potência, não quero ser eu a acender o rastilho que materializará tais
impulsos. Por outro lado, não tenho a certeza
que tenham mesmo essa tendência, podem apenas ter hábitos mais
estranhos ou personalidades mais bizarras, quem sou eu para os julgar?
Por outro lado, ao mantê-los por perto, posso sempre, de forma subtil,
conduzir as suas psico-tendências para outros alvos
que não eu.
Assim, se um dia eu te disser algo do género “Tens visto a
Maria? Bem, fez uma tal dieta que agora cabe perfeitamente na nova arca-frigorífica da Bosch”, sim, possivelmente desconfio de ti.
Até sempre (espero),
Rafeiro Perfumado
