Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...
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quarta-feira, 31 de maio de 2017

E narizes, não fazem?

Confessa lá, costumas ou não utilizar a expressão “fazer ouvidos de mercador”? Nem precisas de responder, esse enrubescer repentino já o fez por ti!

Esta é uma expressão bastante antiga, com mais de 17 anos, sendo que há pouco tempo captou a minha atenção.

É proferida quando se quer insinuar que alguém está a evacuar no que lhe dizem, não ligando pevide e fazendo-se de surdo ou desentendido. Ora tudo isto é muito bonito, se não fosse parvo. Comecemos pelo princípio: que raio é um mercador? Um comerciante? Um grossista? Um frequentador de mercados? Talvez seja tempo de actualizar esta expressão e substitui-la por uma profissão mais recente. Mas, se quiserem dar mesmo a ideia de alguém que se marimba no que lhe dizem, que tal substituir “mercador” por “ditador”, “adolescente” ou “morto”? Garanto que traduziria muito melhor a intenção.

Ainda mais porque tenho os comerciantes em conta de malta com os sentidos bem apurados. Nunca ouviram dizer que alguém tem olho para o negócio? Quem nos diz que não tem também ouvido? De que outra forma poderia ouvir a clientela e ajustar a sua oferta aos seus pedidos?

A não ser que esta expressão tenha surgido devido a um acidente. Imaginem um mercador que, por um motivo qualquer, tenha ficado sem uma orelha. Pode perfeitamente ter recebido um conselho “olha, vai ao Dr. Etelvino, consta que faz uns ouvidos de mercador à medida”.
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado