Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Alguém me empresta um lenço?

Era um lindo dia de Setembro. Lá fora os passarinhos cantavam alegremente, lá dentro os colegas trabalhavam, não tão alegremente mas mesmo assim com afinco. O dia decorria sem sobressaltos, havendo a promessa de terminar com um jantar na casa de amigos. Mas bastou uma consulta à agenda para lançar uma sombra sobre a minha felicidade: tinha uma reunião marcada, ainda por cima com um tipo.

Profissional como sempre, lá peguei na caneta e num bloco de apontamentos e dirigi-me para a sala de reuniões, onde já me aguardava um jove ansioso por me impingir o que quer que fosse que a empresa dele vendia.

Feitas as apresentações, sentámo-nos e cada um entregou-se ao seu papel, ele a dissertar sobre as maravilhas das soluções fornecidas pela sua empresa e eu a pensar no que seria o jantar mais logo. Foi quando o primeiro pingo me acertou na mão. Qual Branca de Neve acordando de um sono profundo, olhei para o tecto tentando ver de onde teria caído a gota que me ocupava 3% da superfície da mão. Eis que de repente cai outra gota, na outra mão. Comecei então a reparar que a mesa entre mim e o tipo estava completamente sulfatada, e para meu horror, a origem era a boca dele. Desviei imediatamente o olhar, pois não o queria envergonhar, mas o facto é que quanto mais ele se entusiasmava a falar, mais perdigotos saltavam em todas as direcções. Retirei elegantemente as mãos para longe do alcance perdigotal  e resolvi distrair a mente com coisas mais inofensivas, como imaginar os gritos que a senhora da limpeza ia dar quando entrasse na sala ou tentar descortinar algum padrão nos perdigotos que iam sendo projectados no tampo da mesa.

Eis quando, numa palavra com sílabas mais agudas, vejo um perdigoto mais enérgico a sair disparado na direcção da minha cara. Desviar-me bruscamente estava fora de questão, pois ainda me arriscava a dar-lhe uma cabeçada, recuar não dava pois estava perto da parede, pelo que apenas me restou esperar pelo impacto, e sem direito a venda.

O perdigoto veio alojar-se no canto inferior da minha lente esquerda, formando uma linda bolinha. O resto da reunião foi passado comigo a tentar não olhar para aquela zona e tentando não dar mostras de saber que ele sabia que o perdigoto estava lá. Quando nos despedimos estava a ver que em vez do habitual aperto de mão ele me abraçava desajeitadamente, para tentar apagar as evidências do crime. Compreendem agora porque detesto ter reuniões?

Até sempre,
Rafeiro Perdigotado, perdão, Perfumado