Um
destes dias em que não tinha nada melhor para fazer, resolvi ir esperar a
jove ao trabalho. Como ainda faltavam uns minutos para ela sair,
resolvi sentar-me numas escadas ali perto e jogar um bocadinho no
telemóvel. Estava todo entretido a malhar no Boss do nível 28 quando
aparece um Zé Xunga:
Zé Xunga: Ó chefe, dê aí uma moeda.
Rafeiro: Não tenho dinheiro.
Zé Xunga: Mas tiveste para comprar esse telemóvel!
Rafeiro: Por isso é que agora não tenho nenhum para te dar.
Consumado
o diálogo, ficámos uns segundos a mirar-nos, ele possivelmente a
estudar a melhor forma de me sacar o telemóvel e eu a estudar o melhor
lado do queixo onde lhe assentar o pé. Felizmente lá se foi embora a
insultar a minha família até à quarta geração, o que nos poupou a cenas
tristes. Meu caro Zé Xunga, se me conhecesses saberias que as minhas
(hipotéticas) boas acções não passam por dar dinheiro a vermes como
tu, ainda por cima tendo-me feito perder o jogo. Aliás, preferia pegar
nas moedas que tivesse e atirá-las ao Tejo do que metê-las ao serviço da
indústria do narcotráfico. Só não o faço porque os peixinhos não têm
culpa e tenho melhores destinos para as moedas, nem que esses destinos
incluam comprar um telemóvel.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado