Eis-nos novamente na época dos Santos Populares. Confesso
que é um tema que me traz muitas dúvidas, mas tantas que se tornaria
fastidioso enumerá-las. Vou tentar focar-me apenas nas que me causam urticária:
1º O sexismo da coisa. Porque razão são “os Santos Populares”
e não “as Santas Populares”? Bem sei que a posição da Igreja relativamente às
mulheres é bastante depreciativa, mas esta é uma festa de cariz popular, razão
pela qual deveria haver mais democracia na atribuição do carácter popularucho. Ou
vão dizer-me que Santa Bárbara, Santa Agostinha ou Santa Etelvina não têm um
lugarzinho nas vossas preces? Para quem não saiba Santa Etelvina é a padroeira
das unhacas encravadas…
2º Tradições associadas. Mas quem é que elegeu a sardinha
como alimento oficial destas festas? Houve alguma votação da qual não me
informaram? E o manjerico? Quem fez dele a estrela floral desta época? Será que
é a planta com mais tolerância a rimas foleiras? E nem vou falar das “pancadinhas”
que se dão na cabeça com martelos, alhos porros e afins, pois seguramente iria
acabar por descobrir conotações sexuais.
3º O termo popular. Se Santo António, São Pedro e São João são
considerados populares, por onde andarão os impopulares? Escondidos em becos
escuros, onde apenas alguns fãs incondicionais mantêm viva a tradição? Até já
estou a ver as marchas desses santos:
Santa Sífilis já me apanhou
São Escorbuto está-me a matar
São Tesão, São Tesão, São Tesão
Dá cá uma transfusão
Para eu arribaaaaaaaaar!
E dito isto vou-me juntar aos festejos dos Santos
Impopulares, servir-me de um belo refogado de iscas com brócolos, acompanhado com
um belo copo de óleo de fígado de bacalhau!
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
