Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...
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segunda-feira, 28 de março de 2011

Anda cá, passarinho, anda!

Hoje, pela primeira vez na minha vida, senti verdadeiramente inveja de alguém, mas uma inveja daquelas invejosas, mesmo, em que gostaríamos a todo o custo de ter o que outro tem, sem pensar nas consequências.
 
Ia eu a caminho do trabalho, enfiado no fato e estrafegado pela gravata, ainda podre de sono, quando reparei num passarinho. Este pardalito era a personificação da felicidade. Pulava de ramo em ramo, corria no chão aqui e ali, bicava onde lhe dava na gana, enquanto emitia uns piu-pius transbordantes de alegria. E foi então que me deu o flash da ciumeira.
 
Aquele pardal não tinha horários, não tinha código de indumentária, ia para onde bem queria, comia o que a natureza lhe dava, enfim, vivia num mundo sem regras ou amarras. Ainda por cima olhou-me de cima a baixo, como tendo pena de mim. E eu invejei-o. E tive pena. Pena de não ter sido rápido o suficiente para lhe acertar um pontapé nos cornos que até ia parar ao pé de quem lhe fez o bico, a ver se aprendia a não andar na rua com piu-piu-pius trocistas e a fazer inveja a quem tem de trabalhar! Sacana do bicho...
 
Até sempre,
Rafeiro Perfumado