Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vamos lá a esclarecer a gastronomia!

A língua portuguesa está cheia de subtilezas, subtilezas essas que vão precisar de muitos Acordos Ortográficos para serem eliminadas. Enquanto isso não sucede, vai permitindo que pessoas como eu se divirtam à conta das mesmas.

Falemos dos nomes dados às nossas refeições. Por nomes refiro-me aos mais comuns, o pequeno-almoço, o almoço, o lanche e o jantar, pois se metesse ao barulho nomes como mata-bicho, desjejum (é giro dizer desjejum), bucha, etc. nunca mais saía daqui e tenho mais que fazer.

Comecemos pelo pequeno-almoço. Alguém me pode explicar porque é que é a única refeição que se toma? Nunca ouvi ninguém dizer que vai ali tomar o jantar, mas montes de pessoas tomam o pequeno-almoço. Eu prefiro comê-lo, na volta estou a perder uma grande diversão. Por outro lado, este aspecto de o subordinar à refeição seguinte, o almoço. Nesta perspectiva, não teríamos lanche (palavra demasiado parecida com almoço em inglês), mas pequeno-jantar, não acham? E que dizer da palavra almoço? Há aqui uma qualquer influência árabe que me preocupa, ainda mais envolvendo a actividade de comer moços.

Também poderia abordar a ceia, mas isso implicaria tocar em assuntos religiosos, o que provocaria reacções de pessoas a quem eu depois teria de convidar a irem comer num certo sítio, pelo que o melhor é dar por encerrado o repasto (que para os mais distraídos se trata de comer duas vezes o mesmo pasto).

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sempre na linha, menina!

Num destes dias tive de dar um par de cabeçadas na minha jove. Não é que me apanhou distraído e quando dei por ela estava a trocar sorrisinhos e palavras mansas com um tipo?!? Está bem que ele tinha 17 meses, mas é uma questão de princípio!

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Para onde mando o Currículo?

Em virtude de não ter lido com atenção a totalidade das cláusulas do meu contrato de trabalho, de vez em quando sou obrigado a representar a minha empresa em sessões de apresentação, seminários técnicos e outras actividades potencialmente danosas para a saúde dos meus neurónios.

Por diversos motivos, entre os quais a cláusula de rescisão existente no meu contrato, tenho evitado falar aqui de assuntos directamente ligados com o meu trabalho, mas a situação que vivi recentemente obriga-me a correr esse risco. Com efeito, a última estucha à qual tive de ir foi um Seminário no Banco de Portugal, subordinado ao tema das notas de euro, tema só por si capaz de colocar o cérebro num estado de hibernação quase definitivo.

Mas nem foi propriamente o tema que me chocou, foi a quantidade de gente que estava na organização daquilo! Chegado à entrada, sou confrontado com um primeiro controlo:
- Nome, por favor.
- Rafeiro Perfumado, da empresa que não me paga para lhe fazer publicidade. O meu nome é o que está ali, por baixo do seu dedo...

Olhou para mim, não sei se me conhecia, o certo é que acreditou no que lhe dizia, apesar de que eu podia ter simplesmente lido o nome que estava duas linhas abaixo. Enfim, o estranho é que dois passos à frente encontro novo controlo, nova listinha, desta vez para nos darem a documentação e apontarem um colega que me iria indicar o local da reunião. O dito colega estava situado a dois passos de distância (deve ser alguma norma comunitária que eu desconheço, colocar os funcionários dos bancos centrais a dois passos uns dos outros), o qual simpaticamente me apontou a porta por onde eu deveria passar. E ainda bem que o fez, porque a alternativa dava pelo nome de WC, que teria sido certamente a minha escolha e levado a perder toda a apresentação.

Ao olhar para aquele pessoal todo, não pude deixar de os visualizar como sacos de dinheiro com pernas, com a inscrição “impostos de malta como o rafeiro”, pois era de facto impressionante a quantidade de pessoas da organização.

Já lá dentro, foi a luta contra o sono. Então como era em anfiteatro, estava sempre a pensar no que seria adormecer, dar uma cabeçada no tipo da frente e desencadear um efeito dominó, em que o assistente da primeira fila daria uma cabeçada na fruta do orador.

Não vos vou maçar com o conteúdo do seminário, só que obedeceu aos critérios normais para ser considerado de sucesso, metendo a cada duas frases uma expressão em inglês, caso contrário seria logo considerado garbage. A derradeira fase, a das questões, é para mim a mais tortuosa, onde a meta da saída está à vista, pois a maior parte das pessoas quer-se pirar, mas cria-se um silêncio embaraçoso, degenerando num burburinho abafado com questões que se colocariam caso o Benfica não fosse dar na TV, burburinho esse felizmente poucas vezes materializado em questões. O pior é quando há um animal que perde a vergonha, aquilo é como se uma barragem se abrisse, e vai a carneirada inquisitiva toda atrás. Epá, vão para casa e pesquisem na net, deixem-me ir embora!

Finalmente, a mania que aquela malta tem com os títulos académicos. Contei 27 “sô tor”, 18 “Doutor” e 1 “fosca-se, que esta treta nunca mais acaba”. Adivinhem qual foi a que eu disse...

Até sempre,
Rafeiro Perfumado