Voltou à baila a notícia sobre as novas formas de consumo de álcool por parte dos jovens. Segundo o que percebi (senti-me demasiado jurássico, não sei se apanhei tudo), o que está em voga é o consumo de álcool via ocular, via nasalar ou via vaginal/rabial.
Vamos lá dissecar isto. No que toca a meter bebidas no corpo pelos olhos, não fico minimamente chocado. Afinal, se há tanta gente a comer com os olhos, parece-me perfeitamente que também bebam. Talvez seja aconselhável é especializarem cada um dos olhos num tipo de alimento, para aquilo não descambar numa conjuntivite, ou coisa mais grave.
Também a parte de inalar álcool não me impressiona por aí além. Se tanta malta snifa coisas sólidas, como pó, não há-de ser um shotzito que fará grande diferença, além de que tipos assim darão um jeito do caraças em eventos sociais quando alguém entorna um copo. Em vez do sempre envergonhado pedido ao empregado para vir limpar, podemos sempre socorrer-nos do amigo mais avantajado de narinas para limpar os estragos. Terá é de pagar mais no fim, pois se consumiu pagou!
Chegando à parte do tampão embebido em vodka (não sei se também o fazem com outras bebidas e não estou para investigar) e enfiado na vagina/peidola, aí sinto o peso dos anos e da tradição a carregarem-me os ombros. Para já um sector crítico da nossa economia vai perder-se, o vidreiro, pois a malta deixa de usar copos. Depois o próprio acto de consumo lixa o processo de sedução. Antes bastava encostar-se algures, com um copo na mão, agitando o gelo e dando pequenos goles enquanto se lançava olhares libidinosos. O que se faz agora? Chama-se a atenção para estar a consumir um tampão com dupla absorção, que os simples são para os mariquinhas? Deve dar cá uma pica...
Finalmente temos a questão dos valores que estão a ser incutidos nesta malta. Até os estou a imaginar a serem convidados para uma experiência gourmet, pedirem-lhes para provar um molho, sacarem do tampão, molharem-no, enfiarem-no no cu e exclamarem, com ar de entendidos:
- falta um pouquinho de sal e uma pitada de manjericão.
Nesta moda só vejo uma vantagem, o regresso a casa. Basta ensoparem o tampão mais uma vez, introduzirem-no, apontarem a cabeça na direcção de casa, acenderem o fio do tampão, qual rastilho, e é vê-los a saírem disparados. Desde que não choquem com nada, será uma viagem rápida e segura, com a vantagem de dar outro colorido à vida nocturna. Quando chegarem a casa e os pais perguntarem “então, vieste de táxi” poderão sempre responder “não, vim de tampax, grosso e seguro”.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado