Como consequência de vivermos num estado democrático, volta e meia realizam-se eleições, nas quais temos de decidir quem irá conduzir os nossos destinos, seja ao nível das autarquias, do país ou (para quem ainda acredita) da Europa, de preferência sem se estampar num dos múltiplos buracos que aparecem no caminho.
Todas estas eleições resultam numa panóplia de candidatos e respectivos programas, pelo que optar em consciência pelo melhor é uma tarefa complicada, diria mesmo trabalhosa. Os mais puristas defendem que para uma decisão verdadeiramente substanciada deveriam ser analisados os perfis dos candidatos, a exequibilidade dos seus programas eleitorais, a qualidade das equipas que os acompanham e mais um sem número de variáveis lógicas e com sentido, pelo menos para quem não tiver mais nada que fazer na vida do que mergulhar nesses meandros. Falo por mim, que mal ouço a mínima referência a tempo de antena (não está na altura de actualizar esta expressão para tempo de cabo, tempo de wireless ou coisa do género?) procuro imediatamente programas alternativos.
Mas, para quem quer exercer o dever cívico de forma justa e ponderada, o que realmente tem a fazer é colocar cada candidato no prato da balança e ver qual tem maior peso (gorduras e implantes à parte) e consistência.
Eu, que sou avesso à política, tenho outra sugestão: colocar todos os candidatos no mesmo prato e dar um valente murro no outro, projectando-os para o ar, ganhando aquele que subisse mais alto. Se esta operação fosse efectuada num local com um tecto baixinho, ainda melhor. Pronto, talvez seja um método demasiado violento, mas que era giro, isso era, podendo mesmo levar-me a assistir aos debates políticos!
E na prática a escolha deveria passar por algo do género. Mais do que ver qual dos candidatos tem a maior lábia ou a maior quantidade de gel no cabelo, as eleições deveriam ser ganhas pelo candidato capaz de superar determinados obstáculos, representativos do trabalho que terá pela frente caso seja vencedor:
- Sobreviver durante dois meses apenas recebendo uma pensão de velhice
- Conseguir executar uma obra sem que o orçamento derrape mais do que 3%
- Resistir a dar emprego a toda a família até ao primo em 7º grau
- Ser capaz de inaugurar uma obra sem espetar lá com uma placa alusiva (ganha pontos extra se nem sequer comparecer à inauguração)
Se forem capazes disto, tenho a certeza que irão fazer um excelente trabalho e, como bónus, garantem não só o meu voto como uma ida minha ao fisioterapeuta, tal o trambolhão que o meu queixo daria.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: Texto mais ou menos parecido com um que saiu no Passeio de Lisboa, há uns tempos. A propósito, esta publicação fechou. Quem os manda convidar cronistas da treta?
E na prática a escolha deveria passar por algo do género. Mais do que ver qual dos candidatos tem a maior lábia ou a maior quantidade de gel no cabelo, as eleições deveriam ser ganhas pelo candidato capaz de superar determinados obstáculos, representativos do trabalho que terá pela frente caso seja vencedor:
- Sobreviver durante dois meses apenas recebendo uma pensão de velhice
- Conseguir executar uma obra sem que o orçamento derrape mais do que 3%
- Resistir a dar emprego a toda a família até ao primo em 7º grau
- Ser capaz de inaugurar uma obra sem espetar lá com uma placa alusiva (ganha pontos extra se nem sequer comparecer à inauguração)
Se forem capazes disto, tenho a certeza que irão fazer um excelente trabalho e, como bónus, garantem não só o meu voto como uma ida minha ao fisioterapeuta, tal o trambolhão que o meu queixo daria.
Até sempre,
Rafeiro Perfumado
PS: Texto mais ou menos parecido com um que saiu no Passeio de Lisboa, há uns tempos. A propósito, esta publicação fechou. Quem os manda convidar cronistas da treta?


