Este
título é arriscado, dado que aborda expressões nas quais por vezes sou o
destinatário. Que se lixe, vou continuar a fiar-me no meu físico
portentoso e no facto da União Zoófila zelar pela saúde do meu lombo.
Quando
uma conversa não interessa ou começa a desagradar e se pretende que um
dos interlocutores desampare a loja, eis que normalmente surgem frases
como “vai dar uma curva”, isto quando não aparecem pérolas como “vai
passear” ou “vai dar uma volta ao bilhar grande”.
Vamos
lá a ver se nos entendemos. Então eu quero ver-me livre de alguém que
me está a chatear e mando-o passear? Se eu estou aborrecido com alguém
quero é que se vá encher de moscas, gritar “tenho um emprego em que não
faço nada e recebo muito” à porta de um Centro de Emprego ou qualquer
outra actividade potencialmente danosa para a sua saúde, nunca passear! E
que dizer da volta ao bilhar grande? Isso é para quê, ter tempo de
pestanejar? É sabido que os maiores bilhares têm dois metros e oitenta e
quatro centímetros, pelo que em poucos segundos a melga está de volta, a
zumbir-nos as orelhas. Bom seria espetar-lhe com o bilhar em cima, isso
sim!
Por
último, o “vai dar uma curva”. A quantidade de vezes que ouço esta...
Mas, mais uma vez, trata-se de uma expressão infeliz, semelhante às
proferidas por aquelas pessoas que querem dar uma de radicais
horizontais e dizem que a sua vida deu uma volta de 360º. Lamento
informar-vos, pá, mas nesse caso estão exactamente como estavam. Dar uma
curva é quase a mesma coisa, pois mais cedo ou mais tarde acaba por nos
trazer ao ponto de partida, ou seja, para junto da pessoa que se queria
ver livre de nós. E de nada vale tentar inovar e dizer “vai dar uma
recta”, pois é sabido que o mundo é uma aldeia, pelo que em menos de
nada lá estará a melga a bater-vos nas costas e a retomar a conversa!
Vá,
deixem-se de rodriguinhos (muito gostava de saber a origem desta
expressão) e sejam directos, mandem a pessoa desaparecer-vos da frente,
dos lados e restantes sítios!
Até sempre,
Rafeiro Perfumado