Cuidado com o Rafeiro! Não é que morda, mas podes pisá-lo sem querer...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Até vai fazer BZZZZAAAAAP!

Lisboa vai ter uma das maiores frotas de táxis eléctricos do mundo. Tirando o aspecto cagão da coisa, é uma notícia fantástica, pois qualquer medida que possibilite menos poluição é sempre bem-vinda.

Mas, para que tudo corra na perfeição, sugiro que se comece desde já a formar os taxistas, para que estes estejam aptos para a sua nova ferramenta de trabalho, nomeadamente na adequação dos piropos e insultos à realidade eléctrica. Aqui ficam algumas sugestões:

Piropos
- Ó boa, queres ser a tomada da minha ficha?
- Dava-te cá uma descarga que até deitavas faíscas pelos olhos!
- Deves ter carga negativa, pois sinto-me positivamente atraído por ti!
- Que se lixe a segurança, por ti meto os dedos na ficha!
- Há electricidade no ar, que achas de te agarrares ao pára-raios?

Insultos
- Vê-se logo que funcionas a corrente alternada, pá!
- Tens o contador avariado, minha espécie movida a combustível fóssil?
- Topa-se à distância que não tens mãozinhas para tanto volt!
- Eu num táxi eléctrico e tu numa cadeira eléctrica, a ver se desamparavas a via!
- Deves ter a mania que és ficha tripla, levas por todos os lados!

Pelo sim pelo não vou passar a andar com solas de borracha.

Até sempre,
Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fujam que lá vem ela!

Já referi diversas vezes que andar de transportes públicos é uma aventura, sendo que a adrenalina atinge picos estratosféricos quando se trata do comboio da Linha de Sintra.


Na semana passada sentei-me todo pimpão numa zona com quatro cadeiras. Estava a começar a folhear um livro quando se senta uma senhora à minha frente, à qual não prestei muita atenção (e vocês também não devem prestar, não tem grande influência na história) pois nem sequer era gira. Mas eis então que entra um furacão na carruagem, furacão esse personificado na figura duma tipa com uma imensidão de sacos. Senta-se abruptamente no lugar ao meu lado (falhou-me o colo por pouco) e, acto contínuo, atira com os sacos para o lugar à sua frente, que ainda estava vago.



Puxa então da sua mala (ou carteira, sei lá como é que aquilo se chama) e começa a remexê-la furiosamente, numa tal posição em que o seu cotovelo ficava a escassos centímetros do meu nariz, obrigando-me a desviar a cabeça como se estivesse a enxotar moscas. Eis que um dos sacos à sua frente começa a deslizar para o chão. Rápida, consegue apará-la com um dos joelhos, ficando naquela posição uns momentos, enquanto não se decidia a poisar a carteira e compor os sacos. Alcançado esse objectivo, lá começa a revirar a carteira (ou mala ou o catano) e eu a fazer pela vida, para não levar uma jarda na tromba. Eis que os sacos começam a deslizar para o outro lado. Desta vez foi a outra senhora (aquela que eu disse não ser gira) a segurar a mercadoria, tendo a dona grunhido qualquer coisa que poderia ser entendido tanto como um “obrigado” ou “cabrão do saco que não pára quieto”.



Controlada a situação, volta a remexer na mala até que se dá uma tragédia: aparece uma pessoa para se sentar no banco ocupado pelos sacos. Suspiros, pragas em surdina, lá consegue a custo acomodar os sacos entre as pernas dela e parcialmente nas minhas. Após mais uns minutos de remexer na mala (não cheguei a perceber o que é que ela procurava) e quinze rasadelas cotovelares ao meu nariz depois, lá sossegou e saca de um livro para ler: o Código da Estrada! O animal anda a tirar a carta!



Cara DGV, peço-vos encarecidamente: quando este exemplar tirar ou comprar a carta, por favor façam um aviso a todo o mundo! É que já a estou a ver numa situação em que tenha de meter mudança e fazer pisca ao mesmo tempo, dar uma cotovelada no pendura e despistar-se na primeira curva!



Até sempre,

Rafeiro Perfumado

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mas está tudo sóbrio?!?

O Tribunal da Relação do Porto obrigou uma empresa a readmitir um funcionário que tinha sido despedido por trabalhar alcoolizado. No entender dos enólogos, perdão, juízes, o consumo do álcool durante o trabalho não pode ser motivo de despedimento, podendo até melhorar a produtividade.

Quando li isto pensei “acorda, rafeiro, estás outra vez a sonhar que estás em realidades alternativas, onde a Katy Perry se roça a ti vestida de cabedal lilás e o Vítor Gaspar confessa que não sabe usar o Excel”. Quatro beliscões e dezassete releituras do artigo depois, tive de me render à evidência que isto não era uma brincadeira de 1 de Abril fora de tempo, foram mesmo juízes que emitiram uma sentença com estes termos.

Não sou propriamente um perito em leis, mas julgo que é proibido ser juiz em causa própria. Neste caso, este grupo de juízes para dizer tal coisa estava seguramente com uma brutal bebedeira nos cornos, pois seguramente que alguém com os neurónios sóbrios não poderia proferir tais barbaridades.

Se isto fizer jurisprudência o que podemos esperar? A eliminação do limite de álcool nos condutores, pois até poderá melhorar os seus reflexos? A substituição, na Função Pública, da pausa para o café pela pausa para um bagaço, por forma a aumentar a produtividade? A substituição na pirâmide alimentar do leite pelo whisky, para aumentar a competitividade nacional? O encerramento da EPAL e sua conversão em destilaria? O recrutamento de trabalhadores ser efectuado nas madrugadas do Bairro Alto? Seguramente que lá para os lados do Tribunal da Relação do Porto haverá quem beba a isto…

Até sempre,
Rafeiro Perfumado